Radar Fiscal

Ouro chega perto dos US$ 5 mil: o que as tensões EUA‑Irã e a dúvida sobre juros significam para o seu bolso

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Ouro chega perto dos US$ 5 mil: o que as tensões EUA‑Irã e a dúvida sobre juros significam para o seu bolso

Na última quarta‑feira (4), o preço do ouro deu mais um salto e chegou a US$ 4.958,75 por onça, quase tocando a marca simbólica dos US$ 5 mil. Não é por acaso. O metal precioso tem sido o refúgio preferido de quem sente o clima de incerteza que paira sobre a economia mundial. Se você acompanha as notícias de perto – ou até mesmo se só sente aquele frio na barriga ao ver a cotação subir – vale a pena entender o que está por trás desse movimento.



Geopolítica em alta: o que aconteceu entre EUA e Irã?

Na terça‑feira, as Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram que derrubaram um drone iraniano que se aproximou de forma agressiva do porta‑aviões Abraham Lincoln, no Mar da Arábia. O incidente aconteceu justamente quando diplomatas dos dois países tentavam retomar as negociações nucleares, que estavam paradas há meses.

Esse tipo de atrito costuma mexer com o humor dos investidores. Quando há risco de conflito, a gente costuma fugir de ativos que dependem de crescimento econômico – como ações – e buscar refúgio em quem historicamente guarda valor: o ouro.



O medo de que o Fed perca a autonomia

Outro ponto que tem deixado o mercado nervoso são as declarações do ex‑presidente Donald Trump. Ele sugeriu que a investigação sobre o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, deve continuar até o fim. Mesmo que a fala tenha sido feita fora do contexto de política monetária, ela alimenta a dúvida de que o Fed possa ser pressionado politicamente.

Quando a independência do banco central está em jogo, os investidores temem que decisões de juros possam ser tomadas mais por conveniência política do que por fundamentos econômicos. E, como o ouro costuma subir quando os juros caem ou ficam estáveis, essa incerteza alimenta ainda mais a demanda pelo metal.

Como os juros afetam o ouro?

É simples: o ouro não paga juros nem dividendos. Quando a taxa básica de juros – a taxa dos Fed Funds – está alta, os investidores preferem ativos que rendem mais, como títulos do Tesouro. Quando a taxa cai, o custo de oportunidade de manter ouro diminui, tornando‑o mais atraente.

Hoje, o mercado já projeta ao menos dois cortes de juros nos EUA em 2026. Enquanto isso, o relatório de emprego do setor privado (ADP) que será divulgado ainda hoje pode dar pistas sobre a velocidade desses cortes. Se o número de empregos mostrar fraqueza, a aposta é que o Fed vá mais rápido em reduzir a taxa, impulsionando ainda mais o ouro.



O que a história nos ensina?

Não é a primeira vez que o ouro reage a crises geopolíticas. Em 2001, após os ataques de 11 de setembro, o preço subiu cerca de 30 % em poucos meses. Em 2011, durante a crise da dívida europeia, o metal chegou a US$ 1.900 por onça. A diferença hoje é que a volatilidade tem sido mais rápida: o ouro subiu 6 % em um único dia, o maior ganho diário em 17 anos.

Esse ritmo intenso pode assustar quem pensa em comprar ouro como investimento de longo prazo. Mas, ao analisar o desempenho anual, vemos que o metal já acumulou mais de 17 % de valorização em 2024. Ou seja, apesar das oscilações, a tendência de alta está firme.

Prata, platina e paládio: quem acompanha o ouro?

Se o ouro chama a atenção, os demais metais preciosos também têm seu papel. A prata, por exemplo, subiu 3,58 % nesta quarta‑feira, cotada a US$ 88,20 por onça, depois de ter tocado a mínima de um mês na semana passada. A platina avançou 0,74 % e o paládio 0,48 %.

Esses metais costumam seguir a mesma lógica de busca por segurança, mas cada um tem particularidades. A prata tem mais uso industrial, o que a torna mais sensível a ciclos de produção. Já a platina e o paládio são muito ligados ao setor automotivo, especialmente em catalisadores de veículos.

Como proteger seu patrimônio neste cenário?

Se você ainda não tem ouro no portfólio, pode ser a hora de considerar. Mas atenção: comprar barras físicas envolve custos de armazenamento e segurança. Uma alternativa mais prática são os fundos de investimento em ouro (ETF), que replicam o preço do metal sem precisar guardar barras em casa.

Para quem já tem ouro, a estratégia pode ser diferente. Muitos investidores optam por vender uma parte em alta e reinvestir em ativos que ofereçam rendimento, como títulos de renda fixa, equilibrando a carteira entre proteção e geração de renda.

O que esperar nos próximos meses?

O calendário econômico dos EUA está cheio. Além do ADP, teremos o relatório de inflação (CPI) e a decisão do Fed sobre a taxa de juros. Cada um desses eventos pode gerar novos picos ou correções no preço do ouro.

Além disso, a situação no Oriente Médio ainda é volátil. Se houver escalada militar, a demanda por ouro pode subir ainda mais. Por outro lado, se houver um avanço nas negociações nucleares entre EUA e Irã, o medo pode recuar e o metal pode estabilizar.

Em resumo, o ouro está novamente no centro das atenções. Não é só mais um número na Bloomberg; ele reflete como o mundo lida com risco, confiança e, principalmente, como cada um de nós decide proteger o que conquistou com tanto esforço.

Se você está pensando em entrar nesse mercado, vale a pena conversar com um especialista, analisar seu perfil de risco e, claro, acompanhar as notícias de perto. Afinal, entender o que move o preço do ouro pode ser a diferença entre um investimento inteligente e uma simples reação ao medo.