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Simulador do INSS de volta: como usar e evitar erros na sua aposentadoria

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Simulador do INSS de volta: como usar e evitar erros na sua aposentadoria

Depois de uma semana em que os canais de atendimento do INSS ficaram fora do ar, finalmente o simulador de aposentadoria voltou a funcionar. Se você está a poucos anos de se aposentar, ou simplesmente quer entender melhor o que ainda falta para alcançar o benefício, este artigo vai te mostrar como usar a ferramenta sem cair em armadilhas.



Por que o simulador é tão útil?

O simulador faz até sete tipos de cálculos diferentes, comparando as regras da Previdência que mudam a cada ano. Ele indica quanto tempo falta para atingir a idade mínima ou o número de contribuições exigidas, e ainda oferece uma previsão do valor do benefício para quem está a até cinco anos da aposentadoria.



Os limites do simulador: o que ele não consegue ver

Embora seja prático, o simulador tem algumas lacunas. Ele puxa os seus dados do CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais – e, se esse cadastro estiver desatualizado ou incompleto, o cálculo pode ficar errado. Além disso, situações especiais, como aposentadoria de professores, pessoas com deficiência (PCD) ou trabalhadores expostos a agentes nocivos, não são contempladas automaticamente.



Como garantir que o CNIS esteja correto?

Antes de confiar no resultado do simulador, vale a pena dar uma revisada nos seus registros. Aqui vão os problemas mais comuns e como resolvê‑los:

  • Vínculos sem data de saída: às vezes a data de desligamento da empresa não aparece. Clique no ícone de lápis ao lado do vínculo e ajuste a data manualmente.
  • Salários incorretos: corrija os valores recebidos em cada período, se houver divergência.
  • Contribuições ausentes: inclua contribuições autônomas ou trabalhos informais que não foram registrados.
  • Vínculos antigos (antes de 1976): o CNIS pode não ter esses registros. Se você trabalhou antes desse ano, reúna documentos como contratos e comprovantes para comprovar a experiência.

Essas correções podem ser feitas diretamente no site ou aplicativo do INSS. Mas lembre‑se: na hora de solicitar a aposentadoria, será preciso apresentar a documentação que comprova as alterações – carteira de trabalho, termos de rescisão, holerites, PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) etc.

Quando a empresa não pagou o INSS

Outro ponto delicado é quando a empresa onde você trabalhou não recolheu o INSS corretamente. Mesmo que o vínculo esteja na sua carteira, ele pode não aparecer no CNIS, fazendo o simulador ignorar esses anos. Nessa situação, você deve:

  1. Incluir manualmente o período no simulador para ter uma ideia do benefício.
  2. Levar a carteira de trabalho e outros comprovantes ao INSS quando for abrir o pedido. O servidor pode atualizar o cadastro com base nesses documentos.

Aposentadoria especial: o que muda para professores, PCDs e trabalhadores expostos

Para quem se enquadra em alguma modalidade especial, as regras são diferentes. Por exemplo, professores podem se aposentar com tempo de contribuição reduzido, e PCDs têm idade mínima menor. O simulador padrão não oferece cálculo para essas situações, então é fundamental:

  • Pesquisar as exigências específicas de cada modalidade.
  • Reunir documentos que comprovem a condição – laudos médicos, PPP, declarações de sindicato, etc.
  • Consultar um advogado especializado em direito previdenciário, que pode orientar sobre a melhor estratégia.

Dicas práticas para quem está a poucos anos da aposentadoria

Se você está dentro da janela de 5 anos, use o simulador como ponto de partida, mas siga estas recomendações:

  • Atualize seu CNIS agora: não deixe para a última hora. Pequenos erros podem significar meses ou até anos a mais de contribuição.
  • Faça simulações múltiplas: teste diferentes cenários – com e sem inclusão de períodos autônomos, com diferentes salários – para entender a variação do benefício.
  • Planeje a documentação: crie uma pasta física ou digital com todos os documentos necessários. Isso evita correria quando for abrir o pedido.
  • Considere a aposentadoria por pontos: a combinação de idade + tempo de contribuição pode ser vantajosa em alguns casos. O simulador mostra essa opção também.

O que esperar das mudanças de 2026

As regras da aposentadoria foram alteradas para 2026, trazendo ajustes nas idades mínimas e nos tempos de contribuição. Embora o simulador já reflita essas mudanças, é importante ficar de olho nas notícias, pois novas reformas podem surgir. Manter-se informado ajuda a evitar surpresas desagradáveis quando o benefício for concedido.

Em resumo, o simulador do INSS voltou e pode ser uma ferramenta valiosa, mas só funciona bem se o seu cadastro estiver em dia e se você souber que ele tem limites. Dedique um tempo para revisar o CNIS, reúna a documentação necessária e, se necessário, busque apoio profissional. Assim, você garante que a aposentadoria chegue no momento certo e com o valor que realmente merece.