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Acordo entre Argentina e EUA sobre minerais críticos: o que isso muda para a gente?

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Acordo entre Argentina e EUA sobre minerais críticos: o que isso muda para a gente?

Na última quarta‑feira, a Argentina e os Estados Unidos assinaram um acordo que, à primeira vista, parece mais um detalhe diplomático. Mas, se a gente parar pra pensar, esse documento tem tudo a ver com o futuro da tecnologia, dos empregos e, claro, do nosso bolso.



O que está em jogo são os chamados minerais críticos – lítio, cobre, níquel e outros que são essenciais para baterias, veículos elétricos, energia renovável e até smartphones. Esses recursos são o que chamamos de “ouro do século XXI”. Quando a Argentina fala que vai fortalecer a cadeia de suprimentos desses minerais, ela está basicamente dizendo que quer ser um dos fornecedores mais seguros e confiáveis do mundo.

Mas por que os EUA se interessam tanto? A resposta é simples: segurança estratégica. Depois de anos dependentes de fornecedores asiáticos, Washington quer diversificar suas fontes. E a Argentina, com suas enormes reservas de lítio no deserto de Salta e de cobre nas províncias de San Juan e Mendoza, aparece como uma parceira natural.



Do ponto de vista econômico, o acordo traz promessas de investimento de longo prazo. O governo argentino já lançou o Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI), que, segundo os números divulgados, ajudou a elevar as exportações de mineração para US$ 6,04 bilhões em 2025 – um crescimento de quase 30% em relação ao ano anterior. Se esses números continuarem, a mineração pode representar mais de US$ 30 bilhões até 2035, um salto enorme para a balança comercial.

Para a gente, que acompanha a vida econômica do país, isso significa duas coisas principais: mais empregos qualificados e mais divisas entrando no país. Quando falamos de empregos, não são aqueles de fábrica de linha de montagem, mas vagas que exigem formação técnica, engenheiros, geólogos, especialistas em meio ambiente. Isso eleva o nível de qualificação da força de trabalho e pode inspirar jovens a investir em cursos de ciência e tecnologia.



Mas nem tudo são flores. A mineração tem um histórico de impactos ambientais delicados. A extração de lítio, por exemplo, exige grandes volumes de água em regiões já áridas. Se não houver um controle rigoroso, podemos acabar trocando crescimento econômico por escassez hídrica e degradação de ecossistemas. Por isso, o acordo também menciona a necessidade de criar um “ambiente favorável à atração de investimentos de longo prazo”, mas isso deve vir acompanhado de regras claras de sustentabilidade.

Outro ponto que vale a pena destacar é a questão da soberania tecnológica. Quando um país como a Argentina se torna fornecedor de minerais críticos, ele ganha mais voz nas cadeias globais de produção. Isso pode traduzir‑se em maior influência nas negociações comerciais e, quem sabe, em parcerias para desenvolvimento de tecnologia local – como fábricas de baterias dentro do próprio território argentino.

É interessante observar que o acordo foi firmado durante uma reunião convocada pelo secretário de Estado norte‑americano Marco Rubio, o que indica que o tema está no topo da agenda dos EUA. A presença do presidente Javier Milei, que recentemente recebeu o ex‑presidente Donald Trump na Casa Branca, também mostra que há um alinhamento político de alto nível. Essa proximidade pode acelerar a liberação de financiamentos e garantias para projetos de mineração.

Então, como tudo isso afeta o leitor comum? Primeiro, se você tem interesse em investir na bolsa, empresas de mineração argentinas podem se tornar mais atrativas. Segundo, o crescimento da indústria de veículos elétricos no Brasil pode contar com baterias produzidas com lítio argentino, reduzindo a dependência de importações e, potencialmente, os preços desses veículos. Por fim, há o aspecto de geração de empregos: mais vagas técnicas podem abrir oportunidades de carreira para quem está disposto a se especializar.

É claro que ainda há desafios. A estabilidade macroeconômica da Argentina tem sido volátil nos últimos anos, e investidores estrangeiros ainda olham com cautela. Contudo, o governo tem sinalizado que pretende manter regras claras e previsíveis, algo essencial para atrair capital de longo prazo.

Em resumo, o acordo entre Argentina e EUA sobre minerais críticos não é apenas mais um documento assinado em Washington. É um passo estratégico que pode remodelar a geopolítica dos recursos naturais, impulsionar a economia argentina e, indiretamente, influenciar o mercado brasileiro. Fique de olho nas próximas notícias, porque os efeitos desse acordo vão se desenrolar nos próximos anos e podem abrir portas – ou fechar janelas – para quem acompanha de perto o cenário econômico da América Latina.