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Como acordos de R$ 2,4 bi entre bancos e o governo podem mudar a sua vida

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Como acordos de R$ 2,4 bi entre bancos e o governo podem mudar a sua vida

Nos últimos dias, a Procuradoria‑Geral da Fazenda Nacional (PGFN) anunciou que Itaú, Santander e Citi fecharam acordos que resultaram no pagamento de cerca de R$ 2,4 bilhões em tributos. Pode parecer um número distante da gente, mas, na prática, esses acordos têm reflexos diretos no nosso bolso, nos serviços públicos e até nas tarifas bancárias que pagamos.



Por que esses bancos decidiram pagar agora?

Os três bancos estavam envolvidos em disputas judiciais que duravam anos. Cada caso tratava de dúvidas sobre a cobrança de impostos como CPMF (extinta), PIS, Cofins, IR e CSLL. A PGFN criou o Programa de Transação Integral (PTI) para incentivar a solução dessas pendências: quem aceita negociar recebe descontos que variam de 10 % a 30 % sobre multas, juros e encargos.

O ponto chave é que, ao fechar o acordo, o banco paga o valor “líquido” – ou seja, já descontado – que vai direto para os cofres públicos. No total, foram pagos:

  • ≈ R$ 1 bilhão pelo Santander (CPMF);
  • ≈ R$ 400 milhões pelo Citi;
  • ≈ R$ 1 bilhão pelo Itaú (PIS, Cofins, IR e CSLL).



O que isso significa para as contas públicas?

Esses R$ 2,4 bi são um reforço fiscal imediato. Em um cenário de déficit, cada centavo ajuda a equilibrar a balança. A própria coordenadora da PGFN, Mariana Lellis, explicou que o cálculo já inclui os descontos concedidos, então o valor realmente recebido pelo Tesouro é o que importa.

Além do dinheiro, o governo ganha clareza: ao encerrar processos que se arrastavam, reduz custos de litígio e diminui a incerteza jurídica. Isso pode melhorar a confiança de investidores estrangeiros, que veem um ambiente mais estável para negócios no Brasil.



E para nós, consumidores?

Você pode estar se perguntando como isso afeta a sua conta de luz, o preço da gasolina ou até a taxa de juros do seu empréstimo. A resposta não é direta, mas há alguns caminhos:

  1. Menos pressão sobre o orçamento público: Quando o governo tem mais recursos, pode evitar aumentos de impostos ou cortes drásticos em serviços essenciais.
  2. Possível redução de tarifas bancárias: Se os bancos pagam menos multas por disputas, eles podem repassar essa economia para os clientes, embora isso dependa de decisões internas de cada instituição.
  3. Mais transparência nos custos: O PTI incentiva as empresas a regularizarem suas situações, o que pode gerar um ambiente de concorrência mais saudável, beneficiando o consumidor final.

O que ainda está em jogo?

A PGFN informou que ainda há cerca de 70 pedidos de transação em análise. Isso indica que o montante arrecadado pode crescer nos próximos meses. Entre os setores ainda não abordados, estão outras instituições financeiras e empresas de diferentes ramos que também têm litígios tributários.

A coordenadora Lellis ressaltou que há um “universo muito maior de instituições financeiras… um universo muito maior de dívidas”. Ou seja, o que vimos agora pode ser apenas a ponta do iceberg.

Um olhar histórico: a CPMF e a disputa sobre PIS/Cofins

A CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) foi criada em 1997 e extinta em 2007, mas ainda gera dúvidas sobre sua aplicação retroativa. O Santander acabou pagando cerca de R$ 1 bilhão por causa dessas discussões.

Já o Itaú enfrentou discussões sobre a incidência de PIS e Cofins sobre receitas financeiras. Embora o Supremo Tribunal Federal tenha decidido a favor do governo, a modulação dos efeitos ainda não está definida, o que motivou o banco a buscar um acordo para encerrar o processo.

Impacto regional: o caso do BDMG

Além dos gigantes nacionais, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) também chegou a um acordo, pagando R$ 140 milhões por questões de PIS e Cofins. Isso mostra que o programa não se restringe apenas às grandes instituições, mas alcança também bancos regionais, trazendo recursos importantes para os cofres estaduais e federais.

Próximos passos e o que observar

Fique de olho nas próximas publicações da PGFN. Se mais bancos fecharem acordos, podemos esperar:

  • Um aumento gradual da arrecadação tributária sem necessidade de novos impostos.
  • Possível revisão de políticas de descontos para incentivar ainda mais a regularização.
  • Maior transparência nos processos judiciais, já que os acordos são feitos sob sigilo, mas os valores são divulgados.

Para o cidadão comum, a mensagem principal é: a solução de conflitos tributários pode gerar benefícios indiretos, como mais recursos para saúde, educação e infraestrutura, além de criar um ambiente de negócios mais previsível.

Se você tem alguma dúvida sobre como esses acordos podem afetar seu negócio ou suas finanças pessoais, vale a pena conversar com um contador ou consultor tributário. Eles podem ajudar a identificar oportunidades de negociação semelhantes, caso você também esteja envolvido em alguma disputa com o fisco.