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Bitcoin despenca: o que está por trás da queda mais forte desde a era Trump

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Bitcoin despenca: o que está por trás da queda mais forte desde a era Trump

Se você acompanha o mercado de criptomoedas, provavelmente já sentiu um frio na barriga ao ver o preço do Bitcoin cair para US$ 65 mil, o menor nível em 15 meses. Essa queda aconteceu mesmo com o apoio ostensivo do presidente dos EUA, Donald Trump, que tem se mostrado um defensor fervoroso das moedas digitais. Mas por que, afinal, o Bitcoin está despencando quando o governo parece estar ao seu lado?



Para entender o cenário, precisamos olhar além dos números e analisar o que está acontecendo nos bastidores da política e da economia americana. Quando Trump voltou à Casa Branca em janeiro de 2025, uma das primeiras medidas foi publicar uma ordem executiva que pretendia transformar os EUA na “capital mundial das criptomoedas”. Ele chegou a lançar sua própria moeda digital, com lucros que foram direcionados para suas empresas, e manteve vínculos com a World Liberty Financial, um veículo de investimento cripto da família Trump.

Essas ações criaram uma onda de otimismo entre investidores, que viram no apoio presidencial um sinal de que o ambiente regulatório ficaria mais amigável. O preço do Bitcoin subiu rapidamente, chegando a US$ 122 mil em outubro de 2024 – um recorde histórico. Mas o entusiasmo acabou sendo abalado por uma série de fatores que, combinados, puxaram o preço para baixo.



1. A nomeação de Kevin Warsh ao Federal Reserve

O Deutsche Bank apontou que a recente nomeação de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve (Fed) foi um gatilho importante para a queda. Warsh tem fama de ser mais conservador em relação à política monetária e, segundo analistas, pode manter as taxas de juros em patamares mais altos por mais tempo. Taxas de juros elevadas tornam o custo de oportunidade de investir em ativos de risco, como o Bitcoin, mais alto, desviando o fluxo de capital para investimentos mais seguros.

2. Sentimento negativo crescente

Além da política monetária, o sentimento geral em relação às criptomoedas está se deteriorando. O Deutsche Bank descreve a situação como uma “venda constante”, indicando que investidores tradicionais estão perdendo o interesse. Esse pessimismo foi alimentado por relatos de que o governo Trump, apesar de apoiar a tecnologia, tem participações pessoais em criptomoedas que somam mais de US$ 11 bilhões, gerando dúvidas sobre possíveis conflitos de interesse.



3. Correlação com o dólar

Outra peça do quebra-cabeça é a relação entre o Bitcoin e o dólar americano. A Stifel, empresa de pesquisa de investimentos, alertou que o Bitcoin pode cair para US$ 38 mil se seguir a tendência de desvalorização do dólar. Embora o dólar tenha registrado sua cotação mais baixa em quatro anos recentemente, a volatilidade cambial cria um ambiente incerto para ativos digitais que ainda são vistos como reservas de valor alternativas.

4. O mercado cripto como um todo está em retração

Não é só o Bitcoin que está sentindo o impacto. Ethereum, Solana e outras altcoins perderam cerca de 37% de valor em 2026. Segundo a CoinGecko, o mercado cripto perdeu mais de US$ 1 trilhão no último mês e US$ 2 trilhões desde o pico de outubro de 2024. Esse declínio geral indica que a correção não é um fenômeno isolado, mas parte de um ciclo maior de amadurecimento e ajuste de expectativas.

5. O futuro do Bitcoin: especulação ou ativo real?

William Barhydt, da Abra Capital Management, acredita que o Bitcoin está passando de um ativo puramente especulativo para uma fase mais realista, onde precisará encontrar um papel específico no portfólio dos investidores. Ele não vê o desaparecimento das criptomoedas, mas reconhece que o caminho de volta às altas impulsionadas por políticas pró-cripto pode ser longo e cheio de obstáculos.

Então, o que isso tudo significa para quem tem Bitcoin ou pensa em entrar no mercado?

  • Curto prazo: Prepare-se para mais volatilidade. A combinação de política monetária apertada e incertezas regulatórias pode gerar novas quedas.
  • Médio prazo: Avalie a diversificação. Não coloque todo o seu capital em Bitcoin; considere outras criptomoedas ou ativos tradicionais para balancear riscos.
  • Longo prazo: Pense em propósito. Se você acredita no potencial das tecnologias de blockchain, mantenha uma parte do portfólio como aposta de longo prazo, independentemente das oscilações de preço.

Em resumo, a queda do Bitcoin não é apenas um reflexo da opinião de um presidente, mas o resultado de uma série de fatores econômicos, políticos e de mercado. O apoio de Trump pode ter criado um ambiente mais amigável, mas não garante proteção contra decisões do Fed, mudanças no sentimento dos investidores ou a própria dinâmica de oferta e demanda.

Se você está preocupado com a sua exposição, a melhor estratégia ainda é a educação: entender como funcionam as criptomoedas, acompanhar as políticas macroeconômicas e, claro, manter uma postura realista sobre o risco. Afinal, o mundo das moedas digitais ainda está em sua adolescência – cheio de altos e baixos, mas também de oportunidades para quem sabe navegar com cautela.