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Fraude milionária contra o INSS: o que aconteceu no Espírito Santo e como isso afeta você

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Fraude milionária contra o INSS: o que aconteceu no Espírito Santo e como isso afeta você

Na última segunda‑feira, a Justiça Federal de Vitória entregou sentenças que deixaram três mulheres atrás das grades por um esquema de falsificação de documentos que drenou mais de R$ 7 milhões do INSS. Não é só mais um caso de crime financeiro; é um alerta sobre vulnerabilidades que podem, em última análise, tocar o bolso de quem paga a Previdência.



Como o plano foi montado?

Imagine uma “fábrica” clandestina onde nascem identidades que nunca existiram. Foi exatamente isso que o grupo fez entre 2012 e 2019. Eles criavam kits completos – certidões de nascimento, CPFs, títulos de eleitor – tudo com fotos tiradas das próprias rés ou de pessoas que nunca souberam que seus dados estavam sendo usados.

Essas identidades falsas eram, na maioria das vezes, registradas como de pessoas analfabetas. Por quê? Porque o INSS permite a comprovação de vida e o saque de benefícios apenas com a impressão digital, dispensando assinatura. Dessa forma, o grupo conseguia retirar os valores sem precisar de documentos complexos.



Quem fez o quê?

A estrutura tinha três papéis bem definidos:

  • Graziela Conceição Lobato Falagan – a “chefe” da operação. Ela coordenava a criação das identidades e cuidava da logística dos saques. Foi responsável por 38 benefícios fraudulentos.
  • Ilma Itamar dos Santos – braço operacional. Ilma ia pessoalmente às agências bancárias, apresentava os documentos falsos (com sua própria foto) e fazia os levantamentos.
  • Sandra Maria Pereira de Oliveira – usava um nome falso, “Vitória Fernandes Perez”, para receber um benefício específico.

O esquema durou sete anos, até ser desmantelado graças a uma denúncia anônima que chegou à Polícia Federal. A investigação revelou que, ao todo, 58 benefícios foram fraudados, gerando um prejuízo de mais de R$ 7 milhões.



As penas e a devolução dos valores

As sentenças variam de acordo com a participação de cada uma:

  • Graziela Falagan – 9 anos, 7 meses e 16 dias de prisão; devolução de R$ 3.220.789,88.
  • Ilma Itamar dos Santos – 7 anos e 13 dias de prisão; devolução de R$ 1.255.281,84.
  • Sandra Maria Pereira de Oliveira – 1 ano e 4 meses (pena reduzida por ter mais de 70 anos); devolução de R$ 92.379,44.

Além disso, a Justiça determinou que o grupo devolva ao INSS o total de R$ 4.568.451,16, sem contar multas adicionais que ainda podem ser aplicadas.

O que isso significa para o cidadão comum?

Para quem paga o INSS todo mês, a notícia pode parecer distante, mas há lições importantes:

  1. Vigilância nos processos de concessão: o INSS tem reforçado o cruzamento de dados, mas ainda há brechas. Se você perceber alguma irregularidade – como um benefício que não reconhece – denuncie.
  2. Importância da assinatura digital: embora a impressão digital facilite o acesso, ela também abre portas para fraudes. A tendência é que o governo invista mais em biometria avançada e em validações múltiplas.
  3. Impacto nos recursos públicos: cada milhão perdido é menos dinheiro para aposentados, pensionistas e para a própria sustentabilidade do sistema.

Como evitar cair em armadilhas semelhantes?

Se você tem familiares idosos ou pessoas vulneráveis ao seu redor, vale ficar atento a alguns sinais:

  • Solicitações de documentos pessoais por telefone ou e‑mail que pareçam suspeitas.
  • Ofertas de “consultoria” para acelerar a concessão de benefícios.
  • Desconhecimento de quem está recebendo um benefício em nome de alguém da família.

Em caso de dúvida, procure a agência do INSS mais próxima ou use os canais oficiais (telefone 135, site Meu INSS). O custo de uma ligação pode salvar milhões.

O que vem pela frente?

O caso ainda está em fase de apuração. A Polícia Federal continua investigando possíveis cúmplices e outras redes que possam estar operando em outros estados. A tendência é que o Ministério Público Federal intensifique a luta contra o estelionato previdenciário, que tem se tornado um dos crimes mais lucrativos da esfera pública.

Para nós, que dependemos do INSS para garantir uma aposentadoria digna, a mensagem é clara: o sistema precisa de mais segurança, e a sociedade precisa estar atenta. Cada denúncia ajuda a fechar brechas e a proteger o dinheiro que, em última análise, é nosso.

E você, já conhecia esse tipo de fraude? Já percebeu algo suspeito nos seus documentos ou nos de alguém da família? Compartilhe nos comentários – a troca de informações pode ser a melhor arma contra esses criminosos.