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Fictor pede recuperação judicial: o que significa a dívida de R$ 430 mi à Seer Investimentos

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Fictor pede recuperação judicial: o que significa a dívida de R$ 430 mi à Seer Investimentos

Na última segunda‑feira, o Grupo Fictor entrou com um pedido de recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A notícia ganhou destaque porque, entre os credores, está a corretora Seer Investimentos DTVM, localizada na famosa avenida Faria Lima, que teria direito a receber R$ 430 milhões. Se você acompanha o mercado financeiro, já deve ter ouvido falar da Operação Compliance Zero, que vem investigando fraudes envolvendo fundos e corretoras. Mas o que tudo isso tem a ver com o seu dia a dia? Vamos destrinchar o caso, entender o que é a recuperação judicial e analisar as possíveis consequências para investidores, bancos e para o próprio setor de investimentos.



Um panorama rápido: quem é o Grupo Fictor?

O Fictor é um conglomerado que atua em diversas áreas, desde investimentos até serviços financeiros. Nos últimos anos, ele tentou comprar o Banco Master, que acabou sendo liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. O plano de aquisição previa um aporte de cerca de R$ 3 bilhões, mas a operação nunca saiu do papel. Desde então, a empresa tem enfrentado uma crise de confiança que acabou gerando um acúmulo de dívidas que ultrapassa os R$ 4,2 bilhões.

Por que a Seer Investimentos aparece no meio da história?

A Seer Investimentos DTVM foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, lançada pela Polícia Federal em janeiro deste ano. Embora a corretora tenha negado ser credora do Fictor, alegando que apenas administra recursos de terceiros, o pedido de recuperação judicial inclui um crédito de R$ 430 milhões a seu favor. Esse valor representa quase 10 % do total das dívidas declaradas pelo grupo.



Entendendo a recuperação judicial

A recuperação judicial é um mecanismo previsto na Lei de Falências (Lei nº 11.101/2005, reformada em 2020) que permite que empresas em dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sem precisar declarar falência. O processo segue etapas bem definidas:

  • Petição inicial: a empresa apresenta um plano de pagamento que deve ser aprovado pelos credores.
  • Suspensão de execuções: enquanto o plano está em análise, ações de cobrança e penhora são temporariamente suspensas.
  • Assembleia de credores: os credores votam o plano. Para ser aprovado, é preciso a maioria dos créditos em valor e em número.
  • Homologação judicial: o juiz valida o plano, que passa a ter força de sentença.

Se o plano for cumprido, a empresa continua operando normalmente. Caso contrário, a falência pode ser decretada.

Quem são os outros credores do Fictor?

Além da Seer, o pedido de recuperação lista outros credores de grande porte:

  • Investidores externos (principalmente dos Emirados Árabes Unidos) – R$ 2,765 bilhões
  • American Express – R$ 891 milhões
  • Bônus e comissões a consultores – R$ 10,5 milhões

Esses números mostram que a dívida não está concentrada em um único setor, mas espalhada entre instituições financeiras internacionais e participantes do mercado local.



O que isso significa para o investidor comum?

Se você tem investimentos atrelados a fundos ou produtos administrados por corretoras que, por sua vez, têm relações com o Fictor, vale a pena ficar de olho. Embora a Seer afirme que não concedeu crédito próprio ao grupo, a simples inclusão do valor no pedido de recuperação judicial indica que há alguma exposição direta ou indireta.

Para quem possui CDBs, LCIs/LCAs ou títulos de dívida emitidos pelo Fictor, o risco de inadimplência aumenta. Em caso de aprovação do plano de recuperação, esses títulos podem ter seus prazos estendidos, juros reduzidos ou até mesmo serem convertidos em ações da empresa reestruturada. Por outro lado, se o processo acabar em falência, os credores podem receber apenas uma fração do valor original, de acordo com a ordem de prioridade estabelecida pela lei.

Perspectivas para o futuro do Fictor

Especialistas, como a advogada Giovanna Michelleto, apontam que a recuperação judicial oferece uma chance maior de preservação dos ativos e de manutenção dos empregos, comparado a uma falência completa. O prazo estimado para a votação do plano pelos credores varia entre seis meses e um ano. Durante esse período, a empresa terá que apresentar garantias de que vai honrar os pagamentos acordados.

Entretanto, a confiança do mercado já foi abalada. O fato de a Seer Investimentos estar envolvida em uma operação policial (Compliance Zero) pode gerar mais cautela por parte de novos investidores. Além disso, a presença de um credor internacional como a American Express indica que o caso tem repercussões além das fronteiras brasileiras.

Como acompanhar o desenrolar?

O processo corre na 3ª Vara de Falências de São Paulo e, como todo caso judicial, tem etapas públicas. Você pode acompanhar as publicações no site do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ‑SP) ou nas notícias de veículos especializados em finanças. Também é recomendável ficar atento a comunicados oficiais da Seer Investimentos, que deve esclarecer sua posição quanto ao crédito de R$ 430 milhões.

Se você tem dúvidas específicas sobre seus investimentos, a melhor saída é conversar com seu assessor ou com um advogado especializado em direito empresarial. Eles podem analisar seu contrato e indicar se há necessidade de tomar medidas preventivas, como a migração de recursos para instituições com menor risco de exposição.

Conclusão

O pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor traz à tona questões importantes sobre a saúde financeira de conglomerados que operam em múltiplos setores. A dívida de R$ 430 milhões à Seer Investimentos, surgida em meio à Operação Compliance Zero, ilustra como investigações regulatórias podem impactar diretamente credores e investidores. Para quem acompanha o mercado, o caso serve de alerta: diversificar investimentos, acompanhar processos judiciais relevantes e manter um diálogo aberto com os gestores dos seus ativos são estratégias essenciais para proteger o patrimônio.

Em resumo, ainda não sabemos como o plano será votado nem quais serão as condições finais para os credores. Mas o que fica claro é que a recuperação judicial oferece uma janela de oportunidade para que o Fictor reorganize suas finanças, enquanto os credores – incluindo a Seer – buscam recuperar o que lhes é devido. Fique atento, continue acompanhando as notícias e, se precisar, busque orientação profissional para garantir que sua carteira esteja bem posicionada diante desses desdobramentos.