Radar Fiscal

Por que o ouro disparou para US$ 5.100? Entenda a febre que agita a economia global

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Por que o ouro disparou para US$ 5.100? Entenda a febre que agita a economia global

Nos últimos meses, o preço do ouro tem sido manchete nos jornais e nos podcasts de economia. Em 2023, o metal precioso bateu a marca histórica de US$ 5.100 por onça, quase o dobro do valor registrado em janeiro de 2022 (US$ 2.730). Se você ainda não entende por que o ouro está tão caro, não se preocupe: eu também ficava confuso até conversar com o economista Sérgio Vale, do Instituto de Estudos Avançados da USP, e mergulhar nos bastidores das políticas que mexem com o mercado.



Primeiro, vale lembrar que o ouro não é apenas um metal bonito; ele funciona como um termômetro de incerteza. Quando as bolsas de valores caem, quando surgem tensões geopolíticas ou quando as políticas monetárias mudam de forma inesperada, os investidores correm para o ouro como se fosse um colete salva-vidas. É por isso que, em tempos de instabilidade, o preço sobe.



Mas por que 2023 foi tão especial? A resposta está em uma combinação de fatores que se reforçaram mutuamente. Desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, os EUA adotaram uma postura mais agressiva nas relações comerciais, principalmente com a China. A guerra de tarifas, as ameaças de restrição de tecnologia e a retórica de “America First” criaram um clima de incerteza que fez investidores buscar refúgio em ativos seguros, como o ouro.



Os gatilhos que fizeram o ouro subir

  • Disputa comercial EUA‑China: As tarifas sobre aço, alumínio e produtos tecnológicos aumentaram o risco de uma desaceleração global.
  • Política tarifária americana: A imposição de novos impostos sobre importações europeias e canadenses gerou temores de uma “nova Guerra Fria” econômica.
  • Crises geopolíticas: Conflitos no Oriente Médio, a tensão na Groenlândia entre EUA e Europa e a instabilidade na Ucrânia aumentaram a percepção de risco.
  • Política fiscal e monetária dos EUA: O Federal Reserve começou a sinalizar cortes de juros e a expansão da dívida pública, o que desvaloriza o dólar e eleva o preço do ouro (que é cotado em dólares).

O que a “febre do ouro” revela sobre a economia mundial

Sérgio Vale descreve o movimento como uma “febre”: quando o corpo está doente, a temperatura sobe; quando a economia está instável, o preço do ouro dispara. Essa analogia ajuda a entender que o metal não está subindo por falta de oferta, mas sim por excesso de demanda de proteção.

O que isso significa para o seu bolso? Se você tem algum investimento em ouro – seja em barras, moedas ou fundos – provavelmente viu seu patrimônio ganhar valor rapidamente. Por outro lado, quem ainda não possui nenhum ativo de proteção pode estar perdendo uma oportunidade de diversificar.

Como proteger seu portfólio em tempos de alta volatilidade

Não sou especialista em investimentos, mas depois de ouvir o Sérgio, reuni algumas dicas práticas que qualquer pessoa pode aplicar:

  1. Reserve uma parte em ativos reais: Ouro, prata e até imóveis podem servir de “colchão” contra a desvalorização de moedas.
  2. Fique de olho nas taxas de juros: Quando o Fed corta juros, o dólar tende a cair e o ouro sobe. Monitorar as decisões do banco central ajuda a antecipar movimentos.
  3. Diversifique geograficamente: Investir em ações de diferentes regiões reduz o risco de um choque localizado.
  4. Considere ETFs de ouro: Eles permitem comprar ouro sem precisar armazenar fisicamente, o que pode ser mais prático e barato.

O futuro do ouro: tendência ou ponto de inflexão?

Alguns analistas acreditam que o preço do ouro pode estabilizar se as tensões diminuírem e se a política monetária americana se tornar mais previsível. Outros, porém, apontam que a instabilidade global está se aprofundando – pense nas discussões sobre a Groenlândia, nas disputas comerciais persistentes e nas incertezas climáticas – e que o ouro pode permanecer em alta por um tempo considerável.

Para mim, a lição principal é que o ouro, mais do que um simples investimento, funciona como um termômetro da confiança global. Quando ele sobe, é um sinal de que o mundo está preocupado. Quando ele desce, pode ser que a confiança esteja voltando.

Conclusão

Se você ainda acha que o ouro é apenas “coisa de velho” ou “coisa de quem tem muito dinheiro”, pense novamente. A história recente mostrou que, em momentos de crise, até quem nunca pensou em comprar ouro acabou se interessando. Não é preciso transformar todo o seu portfólio em ouro, mas ter uma pequena parcela pode ser a diferença entre ver seu patrimônio erodir ou crescer.

Fique atento às notícias, acompanhe as decisões do Fed e, se possível, converse com um consultor financeiro para entender como o ouro pode se encaixar na sua estratégia. Afinal, a melhor defesa contra a incerteza costuma ser a informação e a diversificação.