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Rombo nas contas externas em 2025: o que isso significa para o seu bolso e para o futuro do Brasil

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Rombo nas contas externas em 2025: o que isso significa para o seu bolso e para o futuro do Brasil

Você provavelmente já ouviu falar de “contas externas” nos noticiários, mas, na prática, o que esse número representa para a gente que vive de salário, compra de supermercado e planeja o futuro? Em 2025 o déficit das contas externas brasileiras chegou a US$ 68,8 bilhões – o maior rombo em 11 anos. Ao mesmo tempo, o investimento estrangeiro direto subiu um pouquinho, alcançando US$ 77,6 bilhões. Parece contraditório, né? Vamos destrinchar isso de forma simples, entender por que acontece e, principalmente, o que pode mudar no nosso dia a dia.



Primeiro, vale lembrar que “contas externas” são como a conta bancária do país com o resto do mundo. Quando o Brasil compra mais coisas do exterior (importa) ou paga lucros e juros a empresas estrangeiras, o saldo fica negativo. Quando exporta ou recebe investimentos, o saldo melhora. Em 2025, o país enviou mais dinheiro do que recebeu, gerando aquele déficit de US$ 68,8 bilhões.



Mas por que o déficit aumentou? A resposta está ligada ao ritmo da nossa economia. Quando a atividade interna cresce, as empresas e os consumidores tendem a comprar mais insumos, máquinas e tecnologia do exterior. Em 2025, a balança comercial – que mede a diferença entre exportações e importações de bens – ainda mostrou superávit, porém menor que o de 2024 (US$ 59,9 bilhões contra US$ 65,9 bilhões). Isso indica que as importações cresceram mais que as exportações.



Serviços e rendas: onde está a maior parte do rombo?

A conta de serviços, que inclui viagens internacionais, seguros, transporte e serviços financeiros, registrou déficit de US$ 52,9 bilhões em 2025, levemente melhor que os US$ 55,2 bilhões de 2024, mas ainda muito expressivo. Já a conta de renda – que engloba pagamentos de juros, dividendos e lucros ao exterior – ficou em US$ 81,3 bilhões negativos, praticamente igual ao ano anterior. Em termos práticos, isso significa que empresas brasileiras que têm acionistas estrangeiros enviam grande parte dos lucros para fora.

Investimento estrangeiro direto: um sinal de confiança?

Mesmo com o rombo maior, o fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) subiu para US$ 77,6 bilhões, acima dos US$ 74,1 bilhões de 2024. Esse número mostra que investidores internacionais ainda veem oportunidades no Brasil – seja na agricultura, energia ou tecnologia. Contudo, o Banco Central projeta que em 2026 esse valor caia para US$ 70 bilhões, o que pode sinalizar um arrefecimento do entusiasmo externo.

O que isso significa para o cidadão comum?

  • Preços de produtos importados: Se o país importa mais, a demanda por moeda estrangeira aumenta, o que pode pressionar a taxa de câmbio e tornar produtos importados mais caros. Isso afeta desde eletrônicos até alimentos processados.
  • Juros e crédito: Um déficit maior pode levar o Banco Central a ajustar a política monetária para conter a pressão inflacionária, o que pode resultar em juros mais altos para empréstimos e financiamentos.
  • Oportunidades de emprego: O aumento do IED pode gerar novos empregos, sobretudo em setores que recebem capital estrangeiro, como energia renovável e infraestrutura.

Perspectivas para 2026: alívio ou novo desafio?

O BC espera que o déficit caia para cerca de US$ 60 bilhões em 2026, graças a um superávit comercial maior (impulsionado por exportações de petróleo) e a uma moderação nos déficits de serviços e renda. Se a demanda doméstica desacelerar, as importações de bens intermediários podem ficar mais contidas, ajudando a equilibrar a balança.

Entretanto, essas projeções dependem de variáveis como preço do petróleo, taxa de câmbio e política fiscal. Um cenário de alta inflação ou instabilidade política pode desfazer os ganhos esperados.

Como se preparar?

Para quem quer proteger o orçamento familiar, algumas atitudes simples ajudam:

  1. Diversifique suas compras: Dê preferência a produtos nacionais quando possível, reduzindo a exposição à variação cambial.
  2. Reveja contratos de crédito: Se você tem financiamento ou cartão de crédito com juros variáveis, avalie a possibilidade de renegociar ou mudar para taxa fixa.
  3. Invista em ativos atrelados ao dólar: Aplicações como fundos cambiais ou títulos internacionais podem servir como proteção contra a desvalorização do real.
  4. Fique de olho nas notícias de comércio exterior: Mudanças nas políticas de exportação ou nas tarifas de importação podem impactar setores que afetam seu consumo direto.

Em resumo, o rombo nas contas externas é um indicador macro que reflete a saúde da nossa economia globalizada. Não é algo que vá mudar sua conta de luz da noite para o dia, mas entender o contexto ajuda a tomar decisões financeiras mais conscientes.

E você, já percebeu alguma mudança nos preços ou nas opções de crédito nos últimos meses? Compartilhe nos comentários, vamos conversar sobre como essas grandes cifras acabam chegando até a nossa mesa de jantar.