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China e Canadá firmam acordo comercial: o que isso significa para o Brasil?

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China e Canadá firmam acordo comercial: o que isso significa para o Brasil?

Nos últimos dias, as manchetes internacionais têm sido dominadas por uma disputa curiosa: os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, ameaçaram impor tarifas de 100% sobre produtos canadenses se o Canadá fechar um acordo com a China. Enquanto isso, Pequim e Ottawa anunciaram que seus novos acordos comerciais não têm nenhum terceiro como alvo. O que tudo isso tem a ver com a gente, aqui no Brasil? Vamos conversar sobre isso de forma simples, sem jargões, e entender como essas movimentações podem impactar a nossa economia, os nossos negócios e até o nosso bolso.



Um panorama rápido do que está acontecendo

Em janeiro de 2026, o primeiro‑ministro canadense, Mark Carney, fez a primeira visita oficial à China em oito anos. O objetivo? Reconstruir laços comerciais com o segundo maior parceiro do Canadá – a China – depois dos Estados Unidos. O acordo inclui duas frentes principais:

  • Redução drástica das tarifas sobre veículos elétricos chineses que entram no Canadá, de 100% para 6,1%.
  • Alívio nas tarifas chinesas sobre produtos agrícolas canadenses, como canola, lagostas e ervilhas.

Em troca, a China espera acesso a mais de 49 mil veículos elétricos chineses, com a possibilidade de aumentar esse número para 70 mil nos próximos cinco anos.



Por que os EUA não gostam desse acordo?

Trump, que ainda tem grande influência política, ameaçou aplicar tarifas de 100% sobre tudo que vier do Canadá para os EUA caso o acordo seja concluído. A lógica dele é simples: se o Canadá se tornar um “porto de descarga” para produtos chineses que depois entram nos EUA, o mercado americano será prejudicado. Essa postura segue a estratégia de usar tarifas como ferramenta de pressão nas negociações comerciais.

Mas, curiosamente, Trump também elogiou Carney por buscar o acordo, dizendo que “é isso que ele deveria estar fazendo”. Essa ambiguidade reflete a complexidade das relações trilaterais entre EUA, Canadá e China.



O que isso pode mudar para o Brasil?

Embora o acordo seja entre dois países do outro lado do Atlântico, ele tem repercussões que nos tocam de perto:

  1. Competitividade dos nossos agricultores. Se a China reduzir tarifas sobre canola canadense, os produtores canadenses podem ganhar mais espaço no mercado chinês. Isso pode pressionar nossos exportadores de soja, milho e outras commodities agrícolas a melhorar preços e qualidade para manter a competitividade.
  2. Mercado de veículos elétricos. A entrada de milhares de carros elétricos chineses no Canadá pode servir de modelo para o Brasil, que ainda luta para ampliar a frota de EVs. As políticas de tarifas reduzidas podem acelerar a adoção de tecnologia, e nós podemos observar como lidar com a concorrência chinesa sem sacrificar a indústria nacional.
  3. Relações diplomáticas. O Brasil tem buscado equilibrar suas relações com os EUA e a China. Ver a China adotando uma postura mais flexível com o Canadá pode abrir portas para negociações semelhantes com o Brasil, especialmente em setores como agricultura e energia limpa.
  4. Impacto nas cadeias de suprimentos. A redução de tarifas pode incentivar a criação de cadeias de suprimentos transcontinentais. Empresas brasileiras que produzem componentes para veículos elétricos ou insumos agrícolas podem encontrar novos parceiros chineses ou canadenses.

Próximos passos e o que observar

Para quem acompanha de perto o cenário econômico, alguns indicadores são essenciais:

  • Data de implementação das tarifas reduzidas. O acordo prevê que a China diminua as tarifas de canola até 1º de março. Se isso acontecer, veremos rapidamente os efeitos nos preços globais da commodity.
  • Reação dos EUA. Caso Trump efetive as ameaças de 100% de tarifa, isso pode desencadear uma guerra comercial mais ampla, afetando não só o Canadá, mas também outros parceiros que negociam com a China.
  • Política interna canadense. O primeiro‑ministro Doug Ford já criticou o acordo, temendo que veículos baratos prejudiquem a indústria local. Se houver ajustes nas cotas ou novas barreiras, isso pode mudar o ritmo de entrada dos EVs chineses.

Em resumo, o que parece ser apenas um detalhe de negociação entre duas nações pode, na prática, remodelar parte do comércio global, influenciar preços de alimentos e mudar a dinâmica dos veículos elétricos. Para nós, brasileiros, fica a oportunidade de observar, adaptar estratégias e, quem sabe, aproveitar novas oportunidades de exportação ou investimento.

E você? Já pensou em como as tarifas internacionais afetam o preço da sua comida ou do carro que você pretende comprar? Fique de olho nas notícias, porque o que acontece em Pequim ou Washington pode chegar ao seu carrinho de compras mais rápido do que imaginamos.