Na segunda‑feira (2) o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) começou a liberar R$ 3,9 bilhões para mais de 800 mil trabalhadores que optaram pelo saque‑aniversário do FGTS. Se você ainda não sabia que esse dinheiro estava a caminho, pode ser a hora de entender como funciona, quem tem direito e, principalmente, como isso pode mudar a sua vida financeira.
Um pouco de contexto: o que é o saque‑aniversário?
O saque‑aniversário foi criado em 2019 como uma alternativa ao saque‑rescisão tradicional. Em vez de receber todo o saldo do FGTS quando é demitido sem justa causa, o trabalhador pode escolher retirar anualmente um percentual do saldo, no mês do seu aniversário. É como transformar parte da poupança em renda extra, mas com a desvantagem de deixar o restante do dinheiro “preso” até o próximo aniversário.
Na prática, quem escolhe essa modalidade só tem direito a 40 % da multa rescisória (equivalente a 40 % do saldo da conta). O restante fica guardado até o próximo saque‑aniversário, a menos que ocorram situações previstas em lei – aposentadoria, doença grave, compra da casa própria, entre outras.
Por que o governo está liberando esse pagamento agora?
O MTE explicou que os recursos liberados correspondem à segunda parcela dos valores retidos de trabalhadores demitidos entre janeiro de 2020 e 23 de dezembro de 2025, que optaram pelo saque‑aniversário. Em outras palavras, o governo está devolvendo dinheiro que ficou “preso” nas contas desses trabalhadores por causa da escolha anterior.
São R$ 3,9 bi destinados a 822 559 pessoas, o que representa, em média, cerca de R$ 4.750 por trabalhador. O prazo para a liberação vai até 12 de fevereiro, e a maior parte dos pagamentos será feita automaticamente nas contas bancárias cadastradas no aplicativo FGTS.
Para quem ainda não cadastrou a conta, há opções: caixas eletrônicos da Caixa, lotéricas ou as unidades do “Caixa Aqui”.
Quem realmente vai receber? Os números que valem a pena observar
- 14,1 milhões de pessoas têm saldo disponível para saque.
- Dessas, 9,9 milhões têm parte dos recursos comprometidos com empréstimos bancários, o que impede o recebimento integral.
- Outros 2,1 milhões têm o saldo totalmente comprometido e, portanto, não terão valores disponíveis para saque.
Esses números mostram que, apesar do volume grande de contas, nem todos vão conseguir retirar o valor total. Se você tem empréstimos que utilizam o FGTS como garantia, pode ser que parte do dinheiro seja usado para quitar essas dívidas.
O que isso significa para o seu planejamento financeiro?
Para quem recebeu o pagamento, a primeira pergunta costuma ser: “O que faço com esse dinheiro?”. A resposta depende da sua situação:
- Quitação de dívidas: Se você tem empréstimos com juros altos, usar parte do saque para liquidar essas dívidas pode gerar economia real a longo prazo.
- Reserva de emergência: Caso esteja com a reserva ainda abaixo de três a seis meses de despesas, destinar parte do valor para esse fundo pode trazer mais segurança.
- Investimento: Se já tem dívidas sob controle, considerar investimentos de baixo risco (CDB, Tesouro Direto) pode fazer o dinheiro render acima da inflação.
- Objetivos de vida: Comprar um carro, reformar a casa ou dar entrada em um imóvel são usos possíveis, mas lembre‑se de que o FGTS tem regras específicas para habitação.
O importante é não gastar tudo de uma vez. Uma boa prática é separar o valor em três partes: 50 % para necessidades imediatas, 30 % para quitar dívidas e 20 % para investimentos ou reserva.
Como mudar de volta para o saque‑rescisão?
Se você ainda não está satisfeito com o saque‑aniversário, saiba que é possível solicitar a volta ao modelo tradicional. Contudo, a mudança só tem efeito dois anos depois da solicitação. Portanto, planeje com antecedência se pretende usar o saque‑rescisão em uma futura demissão.
Fique atento: cuidados para não cair em golpes
Com a divulgação de valores altos, aumentam também as tentativas de fraude. Desconfie de mensagens que pedem seus dados bancários ou que prometem liberar o dinheiro antes da data oficial. O pagamento será feito apenas via aplicativo FGTS ou nas agências da Caixa. Se algo parecer suspeito, procure a ouvidoria do MTE ou a própria Caixa.
O que esperar nos próximos meses?
O governo ainda não anunciou novos pagamentos, mas a tendência é que outras parcelas sejam liberadas conforme os prazos de retenção se encerrem. Enquanto isso, vale acompanhar as notícias do MTE e ficar de olho no aplicativo FGTS, que já envia notificações quando há movimentação na conta.
Em resumo, o pagamento de R$ 3,9 bilhões pode ser um alívio para quem estava aguardando esse dinheiro há tempos. Use-o com consciência, planeje suas finanças e, se precisar, busque orientação de um especialista. Afinal, dinheiro bem administrado faz diferença no dia a dia e ajuda a construir um futuro mais tranquilo.



