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Constantino Júnior: O visionário que democratizou o voo no Brasil

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Constantino Júnior: O visionário que democratizou o voo no Brasil

Na manhã deste sábado (24), o Brasil perdeu um dos grandes nomes da aviação comercial: Constantino de Oliveira Júnior, fundador e ex‑CEO da Gol, faleceu aos 57 anos em São Paulo. A notícia chegou ao nosso radar logo depois da nota oficial da companhia, que trouxe à tona uma história de coragem, inovação e, sobretudo, de como transformar um mercado antes elitizado em algo acessível para milhões de brasileiros.



Como tudo começou: a ideia de voar barato

Para entender a importância de Constantino Júnior, precisamos voltar ao início dos anos 2000. Na época, viajar de avião no Brasil ainda era sinônimo de alto custo, restrito a poucos. O país possuía poucas companhias, todas focadas em serviços premium e tarifas elevadas. Foi nesse cenário que Constantino, então diretor da Comporte Participações – um grupo que já controlava empresas de transporte terrestre – decidiu que era hora de mudar o jogo.

Em 2001, ele lançou a Gol Linhas Aéreas Inteligentes com um modelo inspirado nas low‑cost carriers dos Estados Unidos e da Europa, mas adaptado à realidade brasileira. A ideia era simples: reduzir custos operacionais ao máximo, oferecer tarifas baixas e vender serviços à la carte. O resultado? Uma revolução que abriu as portas do céu para quem nunca havia pensado em voar.



Os primeiros desafios e as vitórias iniciais

Os primeiros anos não foram fáceis. A Gol precisou enfrentar a resistência de aeroportos que ainda não estavam preparados para o volume de voos de curta distância, além de uma concorrência que via a proposta low‑cost como uma ameaça. Constantino, porém, tinha uma visão clara: investir em uma frota homogênea (principalmente o Boeing 737) e padronizar processos para reduzir despesas.

Em 2004, apenas três anos após o lançamento, ele já acumulava a função de membro do Conselho de Administração, mantendo o cargo de CEO até 2012. Nesse período, a Gol cresceu de 5 para mais de 30 destinos, consolidando-se como a maior companhia aérea doméstica do país. A estratégia de voos regionais, com foco em aeroportos menores, ajudou a conectar cidades que antes eram praticamente isoladas.

O legado além da Gol

Depois de deixar a gestão executiva, Constantino continuou influenciando a aviação brasileira como presidente do Conselho da Gol. Em 2022, ele ajudou a fundar o Grupo ABRA, holding que passou a controlar a Gol (Brasil) e a Avianca (Colômbia), ampliando ainda mais a presença da empresa no cenário internacional.

Mas sua atuação não se limitou ao setor aéreo. Um apaixonado por velocidade, Constantino também competiu na Porsche Cup, demonstrando que a busca por excelência e adrenalina permeava todas as áreas da sua vida.



O que a história de Constantino nos ensina?

  • Visão de futuro: Ele enxergou a oportunidade de democratizar o voo antes que o mercado percebesse a necessidade.
  • Foco na simplicidade: Reduzir custos não significa cortar qualidade; significa otimizar processos e eliminar excessos.
  • Resiliência: Os primeiros anos foram marcados por desafios regulatórios e operacionais, mas a persistência pagou.
  • Inovação constante: Mesmo após o sucesso inicial, Constantino buscou novas parcerias e modelos de negócio, como o Grupo ABRA.

Para quem acompanha o mercado ou sonha em empreender, a trajetória de Constantino Júnior mostra que mudar um setor inteiro é possível quando se combina conhecimento técnico, coragem para arriscar e um compromisso genuíno com o cliente.

Impacto no dia a dia dos brasileiros

Hoje, voar já não é privilégio de poucos. A tarifa média das passagens domésticas caiu cerca de 30% nos últimos 20 anos, graças ao modelo low‑cost que a Gol popularizou. Isso significa que mais famílias podem visitar parentes em outras regiões, estudantes podem fazer intercâmbio dentro do país e negócios locais se expandem com maior facilidade.

Além disso, o modelo de negócios introduzido por Constantino inspirou outras empresas a adotar estratégias semelhantes, gerando competição saudável que beneficia o consumidor com preços ainda menores e mais opções de horários.

Um adeus que deixa lições

O falecimento de Constantino Júnior, após longa batalha contra o câncer, é um lembrete da fragilidade da vida, mas também da perenidade das ideias. Seu legado permanece nos aviões que cruzam o céu brasileiro, nas tarifas que cabem no bolso e nas gerações de empreendedores que agora sabem que é possível transformar um setor inteiro.

Se você ainda não conhece a história da Gol, vale a pena assistir a documentários sobre a aviação brasileira ou ler entrevistas antigas de Constantino, onde ele fala sobre a importância de manter a simplicidade e a proximidade com o cliente. São lições que vão muito além das nuvens.

Em resumo, a partida de Constantino Júnior deixa um vazio, mas também um mapa claro de como inovar, persistir e, acima de tudo, colocar as pessoas no centro da estratégia de negócios. Que possamos honrar sua memória continuando a voar alto, mas sempre com os pés firmes no chão.