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Will Bank: O que fazer quando o app congela e a fatura continua aparecendo?

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Will Bank: O que fazer quando o app congela e a fatura continua aparecendo?

Se você é cliente do Will Bank, provavelmente já sentiu aquele frio na barriga ao abrir o aplicativo e ver que tudo está “congelado”. As contas aparecem, o limite do cartão está lá, mas nenhuma operação – transferência, PIX ou pagamento – sai do jeito que deveria. Para piorar, a fatura do cartão continua sendo cobrada, mesmo sem conseguir usar o crédito. O que isso significa na prática e, principalmente, o que você pode fazer para se proteger?



Entendendo a liquidação extrajudicial

Na última quarta‑feira (21), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, controlado pela Will Financeira, parte do grupo Banco Master. Em termos simples, a instituição foi tirada do sistema financeiro porque não conseguiu honrar seus compromissos – principalmente com a Mastercard, que era responsável pelo processamento dos cartões de crédito.

Quando o BC toma essa decisão, ele nomeia um liquidante. Esse profissional ou empresa tem a missão de apurar todos os saldos, organizar as dívidas e, dentro do que a lei permite, devolver o dinheiro aos clientes. O processo, porém, não é instantâneo.



Por que o app ainda mostra saldo e limite?

O que muitos usuários descrevem como “congelamento” acontece porque o sistema do banco continua ativo, mas todas as movimentações são bloqueadas. O aplicativo ainda consegue ler os dados armazenados nos servidores – daí o saldo, o limite e a fatura aparecem – mas não há autorização para que esses valores sejam movimentados.

É como se você tivesse um cofre aberto, mas a chave que abre a porta estivesse presa. Você vê o dinheiro, mas não consegue tirá‑lo.

O que acontece com a fatura do cartão?

Mesmo com o bloqueio das operações, a fatura do cartão de crédito não desaparece. As compras que já foram registradas antes da liquidação continuam válidas e, se não forem pagas, podem gerar juros, multas e até a negativação do seu nome.

Isso gera um dilema: você tem um limite disponível, mas não consegue usar o cartão para pagar a própria fatura. Clientes como Cassandra Mendes (29) e Rayssa Santos (26) relataram exatamente isso – a fatura está baixa, mas o pagamento não sai.



Proteção do FGC: até onde vai?

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre depósitos e aplicações até R$ 250 mil por CPF. Isso inclui o saldo da conta corrente, a poupança, CDBs, entre outros produtos garantidos. Se você tinha menos de R$ 250 mil no Will Bank, tem direito a receber esse valor, independentemente do que o liquidante decida.

O que não está coberto são as dívidas de cartão de crédito. Ou seja, se você tem saldo garantido, ele será devolvido, mas as faturas em aberto continuam sendo sua responsabilidade.

Passos práticos para quem é cliente

  • Documente tudo: faça capturas de tela do app, salve extratos, faturas e comprovantes de saldo na data da liquidação. Esses documentos podem ser úteis caso precise comprovar crédito.
  • Cadastre‑se no FGC: acesse o site do Fundo Garantidor e faça o cadastro básico. Assim, você será notificado sobre as próximas etapas de ressarcimento.
  • Não tente movimentar dinheiro: transferências, pagamentos ou qualquer operação podem ser bloqueados ou anulados. Qualquer tentativa pode gerar complicações adicionais.
  • Priorize o pagamento da fatura: se houver recursos em outra conta, pague a fatura do Will Bank para evitar juros e negativação.
  • Acompanhe as comunicações oficiais: fique de olho nos comunicados do Banco Central, do liquidante nomeado e do FGC. Eles vão indicar os prazos e os procedimentos para o reembolso.

O que esperar nos próximos meses?

Não há um prazo definido para a liberação dos recursos. O liquidante precisa analisar todos os créditos, definir prioridades (por exemplo, contas salário podem ter tratamento diferenciado) e, só então, iniciar os pagamentos. Enquanto isso, o aplicativo continuará exibindo informações, mas sem permitir movimentações.

Para quem tem valores acima do teto do FGC, a situação é ainda mais delicada. Esses recursos podem ficar retidos por mais tempo, e a recuperação depende do resultado da liquidação – que pode envolver a venda de ativos do banco ou até acordos judiciais.

Impactos no dia a dia

Imagine que você depende do Will Bank para receber salário, pagar contas de luz, água e até a parcela do carro. De repente, o dinheiro está lá, mas não sai. A solução mais rápida costuma ser abrir conta em outra instituição, transferir o salário (quando possível) e usar esse novo banco para as despesas regulares.

Se você tem dívidas ou compromissos financeiros atrelados ao cartão de crédito do Will Bank, é hora de renegociar com os credores. Muitos bancos e fintechs oferecem opções de parcelamento ou redução de juros para clientes em situações de vulnerabilidade.

Aprendizados para o futuro

Casos como o do Will Bank reforçam a importância de diversificar onde mantemos nosso dinheiro. Confiar 100% de seus recursos a uma única instituição – ainda que seja digital e pareça moderna – pode ser arriscado. Ter contas em ao menos duas instituições diferentes, ou usar serviços de pagamento que não dependam de um único banco, pode reduzir o impacto de uma eventual falência.

Além disso, ficar atento às notícias do setor financeiro ajuda a perceber sinais de alerta: aumento de reclamações nas redes sociais, notícias sobre processos judiciais ou dificuldades de capitalização são indícios de que algo pode estar errado.

Resumo rápido

  • O app do Will Bank mostra saldo, mas todas as operações estão bloqueadas.
  • Faturas de cartão continuam a ser cobradas – pague-as se possível para evitar juros.
  • O FGC garante até R$ 250 mil por CPF; valores acima disso podem ficar retidos.
  • Documente tudo, cadastre‑se no FGC e não tente fazer transferências.
  • Prepare-se para migrar seus recursos para outro banco o quanto antes.

Se você está passando por essa situação, respire fundo. Embora o processo de liquidação seja burocrático e demorado, o mecanismo de proteção do FGC está aí para garantir que a maior parte do seu dinheiro volte para você. Enquanto isso, mantenha a calma, siga os passos recomendados e, se precisar, procure orientação jurídica para entender como lidar com as dívidas de cartão que ainda estão em aberto.