Na última quarta‑feira (21), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, a empresa por trás do Will Bank. Para quem nunca ouviu falar, o Will Bank era aquele banco digital que se gabava de ser a porta de entrada ao sistema financeiro para quem tem renda baixa ou média, especialmente no Nordeste. Mas, como chegamos a esse ponto e o que isso muda na prática para os milhões de clientes? Vou contar tudo aqui, de forma simples e direta, e ainda analisar o que isso pode indicar para o futuro da inclusão financeira no Brasil.
Um breve histórico: de fintech a banco digital
O Will Bank nasceu em 2017, no Espírito Santo, como pag!, um emissor de cartões criado por Felipe Felix e pelos irmãos Giovanni e Walter Piana. Em 2020, a empresa mudou o nome e ampliou a oferta: conta remunerada, pagamentos via PIX, empréstimos pessoais, antecipação do saque‑aniversário do FGTS e até um marketplace com cashback. A proposta era clara – democratizar o crédito usando linguagem simples e humor nas redes sociais.
- Campanhas com Whindersson Nunes, Maísa, Pabllo Vittar e Vinícius Jr.
- Foco no público jovem do TikTok e nas comunidades nordestinas.
- Parcerias com a startup de cashback Getmore.
Em 2021, recebeu um aporte de R$ 250 milhões da XP e da Atmos Capital, que ficaram com 24,9 % da empresa. No primeiro semestre de 2024, o Will Bank chegou a registrar lucro líquido de R$ 47,4 milhões, depois de reverter prejuízos acumulados.
Por que o banco acabou falindo?
O ponto de virada foi a crise do Banco Master, controlador do conglomerado ao qual o Will Bank pertencia. Quando o Master foi liquidado em novembro de 2025, o Will Bank herdou uma bola de neve de dívidas: cerca de R$ 7 bilhões em passivos e R$ 8 bilhões em transações correntes com a bandeira Mastercard. A situação ficou ainda mais delicada quando a própria Mastercard informou que a Will Financeira não honrou os pagamentos devidos, levando à suspensão dos cartões emitidos.
O Banco Central tentou encontrar um comprador árabe interessado, mas o negócio nunca se concretizou. Sem alternativas viáveis de reestruturação, a liquidação extrajudicial foi decretada.
O que acontece com os clientes?
Se você tem ou teve conta no Will Bank, a primeira preocupação é: e o meu dinheiro? A liquidação extrajudicial implica que os ativos da instituição serão usados para pagar credores, incluindo clientes. Em geral, o Banco Central abre um processo de restituição que pode levar alguns meses. Enquanto isso, os cartões são bloqueados e o acesso ao app pode ficar indisponível.
Para quem tem CDBs ou investimentos, a situação pode ser mais complicada, pois esses títulos têm prioridade menor na fila de pagamento. É recomendável acompanhar as comunicações oficiais do BC e, se necessário, procurar orientação de um advogado especializado em direito bancário.
Impactos para a inclusão financeira
O Will Bank tinha cerca de 12 milhões de clientes, 60 % deles no Nordeste. Isso mostra que havia, de fato, um público que ainda não se sentia atendido pelos bancos tradicionais. A falência deixa um vazio: onde esses usuários vão buscar serviços de conta digital, crédito e pagamentos?
Algumas possibilidades:
- Outros bancos digitais – Nubank, Inter e C6 Bank já têm estratégias de alcance ao público de baixa renda, mas ainda não cobrem todo o território nordestino com a mesma intensidade.
- Cooperativas de crédito – Muitas comunidades têm cooperativas locais que oferecem serviços bancários básicos. Elas podem ganhar mais adesão agora.
- Novas fintechs – A lição do Will Bank pode inspirar novos players a entrarem com modelos mais sustentáveis, talvez com apoio de bancos maiores ou de políticas públicas.
O que fica claro é que a demanda por serviços financeiros acessíveis não desapareceu. O desafio é encontrar um modelo que combine inclusão com solidez financeira.
O papel do Banco Central
O BC tem a missão de garantir a estabilidade do sistema financeiro e proteger os consumidores. Ao assumir a administração temporária da Will Financeira, evitou um colapso mais brusco que poderia gerar pânico e perdas ainda maiores. A transparência nas comunicações – como a nota completa publicada em 21 de janeiro de 2026 – ajuda a manter a confiança do público.
Além disso, o BC tem sinalizado, nos últimos anos, a importância de regular fintechs e bancos digitais de forma a prevenir crises semelhantes. A ideia é que, antes que uma instituição chegue ao ponto de liquidação, haja mecanismos de supervisão preventiva, como requisitos de capital mais rígidos e testes de estresse.
Liçōes para quem pensa em abrir a primeira conta digital
Se você ainda está na busca por um banco que ofereça conta sem tarifas, cartão e crédito fácil, aqui vão algumas dicas práticas:
- Verifique a saúde financeira da instituição – procure relatórios de auditoria ou notícias recentes.
- Prefira bancos que tenham capital próprio significativo e que sejam regulados pelo BC.
- Observe se o banco oferece seguro de depósito (FGC) para proteger até R$ 250 mil por CPF.
- Teste o suporte ao cliente antes de migrar todo o seu dinheiro.
Essas precauções ajudam a evitar surpresas desagradáveis, como a que vivemos com o Will Bank.
O futuro da inclusão financeira no Brasil
Apesar do revés, acredito que a tendência de digitalização dos serviços bancários vai continuar. O Pix, por exemplo, já mudou a forma como pagamos contas e transferimos dinheiro. O próximo passo pode ser a expansão de crédito via IA, com avaliações de risco mais justas para quem não tem histórico bancário.
O governo também tem papel importante: políticas que incentivem a educação financeira nas escolas e que ofereçam linhas de crédito com juros justos para microempreendedores podem reduzir a vulnerabilidade de quem depende de serviços informais.
Em resumo, a história do Will Bank serve como um alerta, mas também como um ponto de partida para discussões sobre como tornar o sistema financeiro realmente inclusivo e sustentável. Se você tem amigos ou familiares que usavam o Will Bank, compartilhe essas informações e ajude‑os a encontrar alternativas seguras.
E você, já tinha conta no Will Bank? Como está lidando com a situação? Deixe seu comentário, vamos conversar!



