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PicPay abre capital nos EUA: o que o IPO significa para você e para o mercado brasileiro

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PicPay abre capital nos EUA: o que o IPO significa para você e para o mercado brasileiro

Na última terça‑feira, o PicPay anunciou que será a primeira empresa brasileira a abrir capital na bolsa de valores dos Estados Unidos desde 2021. O plano é listar as ações na Nasdaq, sob o ticker “PICS”, já no dia 29 de janeiro. Para quem acompanha o universo das fintechs, esse movimento tem o peso de um marco: não é só mais um IPO, é a retomada de uma tendência que estava parada há quase quatro anos.



Por que o PicPay decidiu abrir capital agora?

O timing pode parecer inesperado, mas há uma lógica clara. Nos últimos nove meses, a fintech registrou lucro de R$ 313,8 milhões, quase o dobro do que havia apresentado no mesmo período do ano anterior. A receita subiu para R$ 7,26 bilhões, refletindo a explosão de usuários ativos – de 37,5 milhões para 42,1 milhões até setembro de 2025. Esses números dão ao PicPay fôlego para buscar recursos e ampliar ainda mais sua presença no mercado de pagamentos digitais.



Quanto o PicPay pretende levantar?

A oferta pública inicial (IPO) está estruturada para vender cerca de 22,9 milhões de ações, com preço entre US$ 16 e US$ 19 cada. No melhor cenário, a captação pode chegar a US$ 434,3 milhões. Parte desse montante será direcionada a investimentos em tecnologia, expansão de serviços (como crédito e seguros) e, possivelmente, à redução de dívidas. O fato de a empresa ter o apoio de investidores de peso – como a J&F Investimentos, dos irmãos Batista, e a Bicycle Capital – traz ainda mais confiança ao processo.

Quem está por trás da operação?

Os coordenadores globais são nomes de peso do mercado financeiro: Citigroup, BofA Securities e RBC Capital Markets. Eles são responsáveis por estruturar a oferta, definir o preço das ações e garantir que a colocação seja bem recebida pelos investidores institucionais e de varejo. A Bicycle Capital, gestora focada em capital de crescimento na América Latina, lidera a oferta e pretende adquirir US$ 75 milhões em ações, embora essa intenção não seja um compromisso firme de compra.



O que muda para os usuários do PicPay?

Para quem usa o app no dia a dia, a abertura de capital não traz mudanças imediatas na experiência. O que pode acontecer, porém, é uma aceleração na oferta de novos produtos. Com mais recursos, a fintech pode investir em crédito consignado, seguros de vida e até em soluções de investimento, como fundos de renda fixa ou cripto‑ativos. Além disso, a transparência exigida por uma empresa listada em bolsa costuma melhorar a governança corporativa, o que pode gerar mais confiança nos usuários.

Impacto no ecossistema fintech brasileiro

O PicPay não está sozinho na corrida por capital internacional. Outras fintechs e empresas de cripto vêm observando o movimento: o britânico Revolut, a plataforma Kraken e o japonês PayPay já sinalizaram intenções de abrir capital nos EUA nos próximos anos. Esse cenário indica que o mercado de IPOs, que esteve em baixa nos últimos três anos, está voltando a ganhar força, impulsionado por um ambiente de juros mais estáveis e por um apetite renovado dos investidores por ativos digitais e de tecnologia.

Para o Brasil, isso significa mais visibilidade internacional e, potencialmente, mais fluxo de capital para o setor. Quando uma empresa como o PicPay consegue captar recursos no exterior, ela demonstra que os investidores estrangeiros confiam no modelo de negócios brasileiro, o que pode abrir portas para outras startups que ainda estão em fase de seed ou Series A.

Riscos e desafios

Nem tudo são flores. A volatilidade do mercado americano ainda é alta, especialmente após eventos recentes como o “tarifaço” do governo dos EUA, o shutdown e a queda das ações de IA no fim de 2025. Esses fatores podem afetar a demanda por ações de fintechs, que são vistas como mais arriscadas em tempos de incerteza. Além disso, a regulação brasileira de pagamentos e de cripto‑ativos ainda está em desenvolvimento, e mudanças podem impactar a estratégia de crescimento do PicPay.

Outro ponto a observar é a concorrência local. Empresas como Nubank, Banco Inter e Mercado Pago já consolidaram posições fortes no mercado de pagamentos digitais. O PicPay precisará inovar e oferecer diferenciais claros para atrair novos usuários e reter os atuais.

Como participar do IPO?

Investidores interessados podem adquirir as ações através de corretoras que operam nos EUA. É importante lembrar que, como qualquer investimento em bolsa, há risco de perda de capital. Avaliar o prospecto da oferta, entender a saúde financeira da empresa e considerar o horizonte de investimento são passos essenciais antes de colocar dinheiro em um IPO.

O que esperar para 2026?

Analistas projetam que o mercado de IPOs volte a ganhar força no próximo ano, com mais empresas de cripto e fintech anunciando planos de abertura de capital. Se o PicPay conseguir cumprir suas metas de captação e usar os recursos de forma eficiente, pode se tornar um case de sucesso que inspire outras startups brasileiras a seguir o mesmo caminho.

Em resumo, o IPO do PicPay é mais que um evento financeiro; é um sinal de que o ecossistema de inovação do Brasil está amadurecendo e pronto para competir em nível global. Para quem acompanha de perto o mundo das finanças, vale a pena ficar de olho nos próximos passos da empresa – tanto como investidor quanto como usuário.