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Will Bank em crise: o que acontece quando um banco digital fecha e como isso afeta você

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Will Bank em crise: o que acontece quando um banco digital fecha e como isso afeta você

Na última quarta‑feira (21), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, um banco digital que tinha como foco principal atender clientes de baixa renda. Desde então, centenas de usuários têm relatado problemas para usar o aplicativo, fazer pagamentos ou transferências via PIX. Se você tem conta ou conhece alguém que usa o Will Bank, vale a pena entender o que está acontecendo, quais são seus direitos e o que fazer para minimizar os impactos.



O que levou à liquidação?

O Will Bank entrou em operação em 2020, prometendo serviços simples, tarifas baixas e um atendimento voltado para quem tem pouca experiência com o sistema bancário tradicional. Apesar do crescimento rápido, o banco enfrentou dificuldades de capitalização e problemas de governança que chamaram a atenção do Banco Central. Em janeiro de 2024, o BC já havia colocado o banco sob intervenção; poucos meses depois, a situação se agravou a ponto de exigir a liquidação extrajudicial.

Como a liquidação afeta o dia a dia dos clientes?

Com a liquidação, as atividades do Will Bank são interrompidas. Isso significa que, embora o aplicativo ainda abra e mostre saldos, nenhuma operação financeira é concluída. Os principais sintomas que os clientes têm relatado nas redes sociais e no site Downdetector são:

  • Falhas no cartão de crédito – compras são recusadas ou o cartão simplesmente não funciona.
  • Impossibilidade de usar o internet banking para pagar contas ou fazer transferências.
  • Transações via PIX indisponíveis – o que pode ser crítico para quem depende de pagamentos instantâneos.

Até o momento, mais de 500 notificações de erro foram registradas, e o número pode crescer conforme a situação evolui.



O que a lei garante?

Quando um banco é liquidado, o Banco Central tem regras claras para proteger os depositantes. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre até R$ 250 mil por pessoa, considerando todos os depósitos e produtos elegíveis que o cliente possui na instituição. Portanto, se você tem até esse limite em conta corrente, poupança ou CDB, o dinheiro está protegido – embora o processo de devolução possa levar algum tempo.

O liquidante nomeado pelo BC será responsável por apurar os valores devidos e conduzir os pagamentos conforme a ordem legal de preferência entre credores. Em termos práticos, isso significa que o cliente receberá o valor de volta, mas pode precisar aguardar a finalização da fase de liquidação, que costuma durar alguns meses.

Passo a passo: o que fazer agora?

Se você está entre os clientes do Will Bank, siga estas recomendações para proteger seu dinheiro e evitar transtornos:

  1. Verifique seu saldo e limite de garantia. Acesse o aplicativo ou o site e anote o valor total que você tem na conta. Se estiver acima de R$ 250 mil, considere transferir o excedente para outra instituição o quanto antes.
  2. Documente as falhas. Faça capturas de tela das mensagens de erro, registre datas e horários. Essas provas podem ser úteis caso você precise acionar o FGC ou buscar auxílio jurídico.
  3. Entre em contato com o suporte. Mesmo que as respostas sejam limitadas, mantenha um registro das interações (e‑mail, chat, telefone). Isso demonstra boa-fé e pode ser exigido no processo de liquidação.
  4. Acompanhe o Downdetector e o site do Banco Central. Eles costumam atualizar o status das instituições em crise e publicar comunicados oficiais.
  5. Considere abrir conta em outro banco. Se o seu objetivo era ter um serviço de baixo custo, pesquise opções como bancos digitais consolidados (Nubank, Banco Inter, C6 Bank) que já têm garantias de capital e histórico mais sólido.

Impactos mais amplos: o que isso diz sobre o mercado de bancos digitais no Brasil?

O caso Will Bank reforça alguns pontos importantes sobre o ecossistema financeiro brasileiro:

  • Regulação mais rígida. O BC tem se mostrado cada vez mais atento a bancos que operam com margens de capital apertadas. A intervenção precoce pode evitar perdas maiores, mas também gera insegurança entre investidores e clientes.
  • Desafio de atender a baixa renda. Embora haja demanda, oferecer serviços ultra‑baratos sem comprometer a sustentabilidade financeira é complexo. Bancos que conseguem equilibrar tarifas baixas com boa gestão de risco tendem a sobreviver.
  • Confiança no FGC. A existência do fundo de garantia é um alívio para quem tem medo de perder dinheiro. Contudo, a cobertura tem limite, e a comunicação clara sobre esse limite é essencial.

Para quem acompanha o mercado, o fechamento do Will Bank pode abrir espaço para novos players, mas também serve de alerta: a inovação precisa vir acompanhada de solidez.



O futuro dos seus recursos

Depois da liquidação, o liquidante publicará um cronograma de pagamentos. Normalmente, o processo segue estas etapas:

  1. Levantamento de todos os ativos e passivos da instituição.
  2. Classificação dos credores – clientes com depósitos garantidos pelo FGC têm prioridade.
  3. Distribuição dos recursos disponíveis – primeiramente para cobrir os limites do FGC, depois para outros credores.
  4. Encerramento das operações e arquivamento da instituição.

Se tudo correr bem, a maior parte dos clientes receberá o dinheiro de volta dentro de 90 a 180 dias. Mas é importante manter a paciência e acompanhar os comunicados oficiais.

Conclusão

O colapso do Will Bank traz lições valiosas para quem usa serviços financeiros digitais. Primeiro, sempre verifique se a instituição está registrada no Banco Central e se tem cobertura do FGC. Segundo, não deixe grandes valores concentrados em um único banco, principalmente se ele for novo ou de perfil de risco elevado. Por fim, mantenha um olhar atento às notícias e use ferramentas como o Downdetector para detectar problemas antes que eles se tornem críticos.

Se você ainda tem dúvidas ou precisa de orientação para mover seu dinheiro, procure um consultor financeiro ou entre em contato com o FGC. A melhor estratégia é estar informado e preparado – assim, mesmo diante de uma crise bancária, seu bolso fica mais seguro.