Se você tem CDBs ou outros investimentos de renda fixa, provavelmente já ouviu falar do Banco Master nos últimos meses. A notícia de que 150 mil credores vão começar a receber as garantias do Fundo Garantador de Créditos (FGC) a partir de segunda‑feira pode parecer só mais um número em meio a tantas manchetes, mas, na prática, isso tem impactos diretos no bolso de quem investiu.
Eu mesmo acompanho o mercado de renda fixa há alguns anos e, como muitos, já comprei CDBs de bancos menores em busca de rentabilidades acima da média. Quando o Master entrou em colapso, a preocupação foi geral: será que eu iria perder tudo? O FGC entrou em cena para proteger até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, mas o processo de ressarcimento tem suas particularidades.
Como funciona o pagamento das garantias?
O Fundo Garantidor de Créditos já registrou cerca de 369 mil pedidos de ressarcimento. Desses, aproximadamente 150 mil concluíram a fase de solicitação e agora aguardam o pagamento, que começa nesta segunda‑feira (19). O valor é pago em parcela única, ou seja, se você tinha R$ 200 mil em CDBs do Master, receberá exatamente essa quantia de uma vez.
Para quem é pessoa física, o pedido foi feito via aplicativo do FGC; já as empresas usaram o site oficial. O ritmo de processamento está em torno de 9 mil pedidos por hora – cerca de 2,5 solicitações por segundo – o que demonstra a capacidade do fundo, apesar de alguns momentos de lentidão por alta demanda.
O que o FGC realmente cobre?
- Limite de cobertura: até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira.
- Produtos garantidos: CDB, RDB, LCIs e LCAs.
- O que não está coberto: debêntures, CRIs, CRAs, fundos de investimento e títulos fora do sistema de proteção.
Se o seu investimento ultrapassar o teto de R$ 250 mil, o excedente entra na fila de liquidação do Banco Central. Nesse caso, a recuperação depende dos recursos disponíveis após o pagamento das prioridades.
Exemplo prático
Imagine que você tinha R$ 180 mil em CDBs do Master e mais R$ 100 mil em rendimentos acumulados. O FGC garante até R$ 250 mil, então você receberá R$ 250 mil. Os R$ 30 mil que faltam ficarão sujeitos ao processo de liquidação, que pode levar meses ou até anos, dependendo da disponibilidade de ativos do banco.
Cuidados com golpes
O FGC alertou que criminosos podem se aproveitar da ansiedade dos credores e oferecer “adiantamentos” ou cobrar taxas por supostos serviços de liberação. O fundo reforça que não cobra nada, não antecipa pagamentos e nunca usa WhatsApp ou SMS para contato. Se alguém lhe ligar pedindo dinheiro para liberar sua garantia, desconfie imediatamente.
Por que o Banco Master faliu?
O Master, comandado por Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central em 18 de dezembro de 2025. O problema principal foi a captação de recursos a custos muito altos e a oferta de CDBs com juros muito acima do padrão de mercado. Essa estratégia atraiu investidores, mas gerou um desequilíbrio entre receitas e despesas, levando à insolvência.
Além disso, tentativas de venda do banco, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram devido a questões regulatórias, falta de transparência e pressões políticas. O caso ficou ainda mais evidente quando o Master começou a divulgar rendimentos que superavam em muito a taxa CDI, sinalizando risco elevado.
O que isso significa para o investidor comum?
Para quem ainda pensa em aplicar em CDBs de bancos menores, a lição é clara: verifique se a instituição está coberta pelo FGC e qual o limite de garantia. Não basta olhar só a taxa prometida; a solidez da instituição e a proteção do fundo são tão importantes quanto o retorno.
Se você já tem investimentos no Master ou em outros bancos que estejam em processo de liquidação, siga estes passos:
- Baixe o aplicativo do FGC (para pessoa física) ou acesse o site (para empresas).
- Confira se seu pedido foi registrado e está na fase de pagamento.
- Fique atento a comunicações oficiais; desconfie de mensagens fora dos canais oficiais.
- Se o valor investido ultrapassar R$ 250 mil, prepare-se para acompanhar o processo de liquidação junto ao Banco Central.
Perspectivas futuras
O FGC tem liquidez de R$ 125 bilhões, segundo dados de novembro de 2025, o que indica capacidade de honrar pagamentos mesmo em cenários de múltiplas falências. Contudo, o aumento de casos como o do Master pode pressionar o fundo a rever limites ou procedimentos.
Para o mercado, a mensagem é de cautela: rentabilidades muito acima da média costumam esconder riscos. A diversificação continua sendo a melhor estratégia – distribuir recursos entre diferentes bancos, produtos e classes de ativos reduz a exposição a um único ponto de falha.
Em resumo, a notícia de que 150 mil credores começam a receber garantias traz alívio para quem aguardava o ressarcimento, mas também serve como alerta para todos nós que investimos em renda fixa. Entender como funciona o FGC, conhecer os limites de cobertura e ficar atento a possíveis golpes são passos essenciais para proteger o patrimônio.



