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Suprema Corte dos EUA decide sobre a tentativa de Trump de demitir Lisa Cook do Fed – o que isso significa para a economia mundial

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Suprema Corte dos EUA decide sobre a tentativa de Trump de demitir Lisa Cook do Fed – o que isso significa para a economia mundial

A notícia de que a Suprema Corte dos Estados Unidos vai ouvir argumentos sobre a tentativa do ex‑presidente Donald Trump de demitir a diretora do Federal Reserve, Lisa Cook, acabou de chegar ao meu feed e me fez parar para pensar. Não é todo dia que vemos uma disputa tão direta entre o Poder Executivo e o banco central de um país tão influente como os EUA. Então, resolvi colocar tudo aqui, de forma simples, para que você entenda por que esse caso pode mudar a forma como a política monetária funciona não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo.



## Quem é Lisa Cook?

Lisa Cook não é apenas mais uma economista no quadro do Fed. Ela fez história em 2022 ao se tornar a primeira mulher negra a integrar a diretoria do banco central americano, com mandato até 2038. Formada pela UC Berkeley, com passagens pela Universidade de Oxford e experiência prática em desenvolvimento internacional (até ajudou na reconstrução de Ruanda depois do genocídio), Cook traz um olhar que mistura rigor acadêmico e sensibilidade social.

Sua atuação no Fed tem sido marcada por cautela: nas últimas reuniões, ela defendeu a manutenção das taxas de juros, argumentando que a inflação ainda apresenta riscos e que cortes abruptos poderiam desestabilizar a economia. Essa postura, naturalmente, não agrada a quem quer estimular o crescimento a curto prazo – como foi o caso de Trump.



## O que está em jogo?

### Independência do Fed

Desde a criação do Federal Reserve em 1913, o Congresso dos EUA tentou proteger a instituição de interferências políticas. O Federal Reserve Act diz que os diretores só podem ser removidos pelo presidente “por justa causa”, mas nunca ficou claro o que exatamente isso significa. Até agora, nenhum presidente havia tentado usar essa cláusula para expulsar um membro da diretoria.

### Poder de corte de juros

O Fed controla a taxa básica de juros (a chamada “Fed Funds Rate”), que afeta tudo, desde o financiamento de casas até o custo dos empréstimos empresariais. Se o presidente puder influenciar quem está na diretoria, ele ganha uma alavanca direta sobre essas decisões, o que pode gerar um ciclo de pressões políticas e econômicas difícil de controlar.

### Precedente jurídico

A decisão da Suprema Corte vai servir como precedente. Se a Corte aceitar a justificativa de Trump – fraude hipotecária de Cook – como “justa causa”, abre‑se a porta para que futuros presidentes usem acusações semelhantes (ou até inventem novas) para remover diretores que discordem de suas políticas.



## Como chegou a esse ponto?

1. **Agosto de 2025** – Trump anuncia a demissão de Cook, alegando fraude ao declarar duas residências como principais para obter melhores condições de financiamento.
2. **Setembro de 2025** – A Justiça de Washington nega a demissão, dizendo que as alegações não configuram “justa causa”.
3. **Apelação** – A Casa Branca recorre à Suprema Corte, que aceita ouvir o caso.
4. **Audiência** – Jerome Powell, presidente do Fed, deve comparecer para defender a autonomia da instituição.

Além disso, Trump tem pressionado Jerome Powell pessoalmente, insultando‑o publicamente e tentando abrir investigações contra ele. Essa escalada de tensões mostra que a disputa vai muito além de um caso isolado; trata‑se de um confronto de visões sobre o papel do Estado na economia.

## O que os especialistas dizem?

– **Economistas**: alertam que a independência do Fed é crucial para manter a credibilidade da política monetária. Sem ela, o risco de inflação alta aumenta, pois o mercado pode passar a acreditar que os juros serão mantidos artificialmente baixos por pressão política.
– **Juristas**: apontam que o termo “justa causa” nunca foi definido na prática. Uma decisão contrária à Cook pode forçar o Congresso a revisar o Federal Reserve Act, talvez estabelecendo critérios mais claros ou, ao contrário, enfraquecendo ainda mais a proteção institucional.
– **Mercado financeiro**: já está reagindo. Os futuros de taxas de juros nos EUA apresentam volatilidade, e investidores globais ficam de olho nas possíveis repercussões para moedas, títulos e ações.

## E se a Corte decidir a favor de Trump?

1. **Remoção de Cook** – Ela deixa o cargo, e Trump pode nomear alguém alinhado à sua agenda.
2. **Precedente perigoso** – Futuras administrações podem usar acusações semelhantes para substituir diretores que discordem de suas políticas.
3. **Instabilidade econômica** – A credibilidade do Fed pode ser abalada, gerando aumento nos prêmios de risco e, potencialmente, pressão inflacionária.

## E se a Corte decidir a favor de Cook?

1. **Reforço da independência** – A decisão será vista como vitória da autonomia institucional.
2. **Limite ao poder presidencial** – Mostra que há limites claros ao que um presidente pode fazer em relação ao banco central.
3. **Estabilidade nos mercados** – A confiança de investidores pode se restabelecer, reduzindo a volatilidade das taxas de juros.

## O que isso tem a ver com a gente, aqui no Brasil?

Mesmo que a disputa aconteça a milhares de quilômetros de distância, o impacto pode chegar até a nossa carteira. O Fed influencia a taxa de câmbio do dólar, que por sua vez afeta os preços dos produtos importados, o custo das viagens internacionais e até a taxa de juros dos empréstimos no Brasil (por meio da relação entre a taxa SELIC e a taxa de juros norte‑americana).

Se a decisão enfraquecer a independência do Fed, podemos ver um cenário de juros mais baixos nos EUA por mais tempo, o que costuma levar a um dólar mais fraco. Isso pode ser bom para exportadores brasileiros, mas também pode gerar pressão inflacionária interna, já que produtos importados ficam mais caros.

## Olhando para o futuro

Independentemente do veredicto, o caso deixa claro que a política monetária está cada vez mais no centro das disputas políticas. A independência dos bancos centrais é um pilar que sustenta a confiança dos mercados, e qualquer tentativa de abalar esse pilar tende a gerar repercussões amplas.

Para nós, leitores, a lição é ficar atento às decisões dos grandes centros de poder. Elas podem parecer distantes, mas afetam diretamente o custo do crédito, a valorização da moeda e, em última análise, o nosso poder de compra.

Se quiser acompanhar o desenrolar desse caso, vale ficar de olho nas próximas sessões da Suprema Corte e nos pronunciamentos de Jerome Powell. E, claro, não deixe de acompanhar a cobertura aqui no blog, onde traremos análises mais detalhadas à medida que novas informações surgirem.

**Tags:**
– Suprema Corte
– Federal Reserve
– Lisa Cook
– Política Monetária

**Categoria:** Política

**Palavra‑chave para imagem:** Fed