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Mercosul e UE: o que a nova parceria significa para o Brasil e para o seu bolso

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Mercosul e UE: o que a nova parceria significa para o Brasil e para o seu bolso

A assinatura do acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia, concluída em Assunção, Paraguai, acabou de virar assunto de mesa de jantar, de reunião de negócios e de debate nas redes sociais. Depois de 25 anos de negociações, o Brasil finalmente tem um caminho mais claro para ampliar e diversificar seus mercados externos. Mas, afinal, o que isso traz de concreto para a gente que vive de exportação, de importação ou simplesmente de produtos que chegam das prateleiras?



## Por que esse acordo é tão falado?

Primeiro, vale entender o tamanho do bloco. O Mercosul reúne Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e, mais recentemente, a Bolívia. Juntos, representam cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB que chega a US$ 22 trilhões. A União Europeia, por sua vez, tem 27 países, um mercado consumidor de mais de 447 milhões de habitantes e um poder de compra gigantesco. Quando esses dois gigantes se dão as mãos, o potencial de troca de bens, serviços e investimentos explode.

## O que muda na prática?

– **Redução de tarifas**: o acordo prevê a eliminação gradual de impostos sobre mais de 90% do comércio entre os blocos. Isso significa que produtos como carne bovina, soja, café e minério de ferro podem chegar à Europa com preços mais competitivos.
– **Regras comuns**: padrões regulatórios, normas sanitárias e requisitos de qualidade vão ser alinhados. Para quem produz, isso reduz a burocracia e diminui o risco de rejeição na alfândega.
– **Investimentos**: com menos barreiras, empresas europeias podem se sentir mais seguras para investir em fábricas, centros de distribuição e projetos de energia no Brasil.
– **Setores estratégicos**: o acordo não foca só em commodities. Há espaço para tecnologia, farmacêuticos, moda e até serviços digitais.



## Como isso afeta o consumidor brasileiro?

Você pode estar se perguntando: “E eu, que compro um carro ou um celular, como sou beneficiado?”. A resposta está nos preços finais. Quando as tarifas caem, os importadores repassam parte da economia para o consumidor. Produtos como vinhos, queijos, máquinas agrícolas e até alguns eletrônicos podem ficar mais baratos. Além disso, a concorrência aumenta, o que costuma melhorar a qualidade e a variedade nas prateleiras.

## O que o governo está fazendo além da UE?

A assinatura com a UE não é a única carta na manga do Brasil. Desde 2023, o país já fechou acordos com Singapura e com a EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça). Também há negociações em andamento com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Vietnã e um aprofundamento das preferências tarifárias com a Índia. Sem contar o diálogo estratégico com o Japão, que acabou de firmar um marco de parceria. Essa diversificação é crucial para evitar depender de um único mercado.



## Desafios pela frente

Mesmo com a assinatura, o acordo ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos de todos os países envolvidos. Na UE, esse processo costuma ser moroso e sujeito a debates sobre questões como padrões ambientais e direitos trabalhistas. No Mercosul, a situação política interna de cada membro também pode influenciar o ritmo da aprovação.

Além disso, há críticas de setores que temem competição desleal, especialmente da agricultura. Pequenos produtores podem sentir o impacto de uma concorrência mais intensa, a menos que haja políticas de apoio e adaptação.

## O que eu, como empreendedor, posso fazer agora?

1. **Fique de olho nas oportunidades** – Se você trabalha com exportação, avalie quais produtos têm mais demanda na Europa e verifique se já há certificações necessárias.
2. **Invista em qualidade** – Padrões europeus são rigorosos. Melhorar processos produtivos pode abrir portas para novos contratos.
3. **Busque parcerias** – Empresas europeias estão procurando fornecedores confiáveis. Participar de feiras internacionais (como a Agrishow ou a Feira de Inovação da UE) pode ser um bom ponto de partida.
4. **Acompanhe a ratificação** – O andamento nos parlamentos pode mudar prazos e condições. Ter um advogado ou consultor de comércio exterior ao lado ajuda a interpretar as mudanças.

## Um olhar para o futuro

Se tudo correr como esperado, o Mercosul‑UE pode se tornar a maior zona de livre comércio do mundo. Isso não só aumenta o fluxo de bens, mas também cria um ambiente mais estável para investimentos de longo prazo. Para o Brasil, significa mais espaço para crescer, inovar e, quem sabe, reduzir a dependência de mercados tradicionais como a China e os EUA.

Mas, como toda grande mudança, há quem veja riscos. O sucesso dependerá da capacidade de adaptar a produção às exigências europeias, de proteger pequenos produtores e de garantir que os benefícios cheguem a todos os cantos do país, e não só aos grandes conglomerados.

No fim das contas, a parceria baseada no multilateralismo, como destacou o presidente Lula, tem potencial de transformar a forma como o Brasil se posiciona no comércio global. E nós, como cidadãos, empresários ou simples consumidores, temos um papel importante ao acompanhar, questionar e aproveitar as oportunidades que surgirem.

**E você?** Já pensou em como esse acordo pode impactar seu negócio ou até mesmo o preço daquele produto que você compra todo mês? Compartilhe sua opinião nos comentários – a troca de ideias ajuda a entender melhor esse momento histórico.