Quando ouvimos falar de bancos que entram em liquidação, a primeira coisa que vem à cabeça é a preocupação: “E eu, que tenho dinheiro lá, o que vai acontecer?” Essa ansiedade é mais que compreensível, principalmente porque o sistema financeiro costuma ser visto como um porto seguro. Recentemente, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, popularmente conhecida como Will Bank, e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) anunciou que vai desembolsar cerca de R$ 6,3 bilhões para clientes e investidores lesados. Mas o que isso realmente significa para quem tem contas, investimentos ou até mesmo dívidas com a instituição? Vamos destrinchar tudo de forma simples, passo a passo.
Entendendo o papel do FGC
O FGC funciona como uma espécie de seguro coletivo para depositantes e investidores. Quando uma instituição financeira entra em falência ou tem sua liquidação decretada, o fundo garante a devolução de até R$ 250 mil por pessoa (CPF ou CNPJ). Essa garantia cobre depósitos em conta corrente, poupança, CDBs, LCIs, LCAs e alguns fundos de investimento. O objetivo é evitar que a crise se espalhe e que o medo de perder o dinheiro faça as pessoas correrem para sacar tudo de uma vez, o que poderia agravar ainda mais a situação.
Por que a Will Financeira está na mira?
A Will Financeira fazia parte do conglomerado do Banco Master. Em 30 de agosto de 2024, o Master adquiriu a Will, e a partir dessa data alguns produtos passaram a estar sob o mesmo guarda-chuva. O FGC destacou que isso pode influenciar o valor total que precisará ser pago, já que alguns clientes já podem ter atingido o limite de R$ 250 mil em outras instituições do mesmo grupo, como o Banco Master de Investimento ou o Letsbank. Nesses casos, o limite já foi alcançado e não haverá pagamento adicional da Will.
Quem tem direito à garantia?
O FGC deixou claro que os clientes que adquiriram produtos elegíveis antes de 30 de agosto de 2024 terão a garantia preservada. Se você comprou um CDB ou uma LCI antes dessa data, seu investimento está protegido até o teto de R$ 250 mil. Caso você tenha adquirido produtos depois dessa data, a situação muda: os valores serão consolidados por CPF ou CNPJ, considerando todos os produtos que você possui nas instituições do mesmo conglomerado. Isso significa que, se você tem, por exemplo, R$ 150 mil em um CDB na Will e R$ 120 mil em outro banco do grupo, o total ultrapassa o limite e o excedente ficará sem garantia.
Como solicitar a restituição?
Um ponto que costuma gerar dúvidas é que o pagamento não é automático. O credor precisa manifestar interesse, o que se faz através de um processo de cessão de crédito com sub-rogação de direitos ao FGC. Em termos práticos, você tem que solicitar a garantia, assinando digitalmente um termo que transfere ao fundo o direito de cobrar o valor da instituição liquidada. Se não fizer a solicitação, não receberá nada.
- Pessoas físicas: Baixe o aplicativo do FGC (disponível para Android e iOS), faça o cadastro informando nome completo, CPF e data de nascimento, e siga as instruções para solicitar o pagamento.
- Pessoas jurídicas: Acesse o Portal do Investidor no site do FGC, preencha os dados da empresa e aguarde o e‑mail com o passo a passo.
Depois de enviar a solicitação, você precisará informar uma conta bancária de sua titularidade, validar sua identidade (geralmente com biometria) e, se necessário, enviar documentos complementares. Quando tudo estiver conferido, o FGC efetua o pagamento em até 48 horas úteis, direto na conta indicada.
Prazo para os pagamentos
Não há um prazo legal fixo para o início dos pagamentos, mas nas últimas liquidações o intervalo tem ficado entre 30 e 60 dias após a nomeação do liquidante. O processo começa quando o Banco Central nomeia um liquidante, que então envia ao FGC a lista consolidada de credores e os valores devidos. Só depois que o fundo recebe esses dados que ele abre o canal para que os interessados solicitem a garantia.
E se o valor ultrapassar R$ 250 mil?
Quando o total dos seus investimentos supera o limite de cobertura, o excedente fica à mercê da massa falida da Will. Nesse cenário, você passa a ser um credor quirografário, ou seja, tem direito ao pagamento, mas sem prioridade. A probabilidade de receber o que falta depende do andamento da falência, da venda de ativos da instituição e da ordem de pagamento dos credores. Em geral, quanto mais alto o valor em disputa, menores são as chances de recuperação integral.
Impacto no seu planejamento financeiro
Se você tem investimentos na Will ou em qualquer outra instituição do conglomerado Master, este é o momento de fazer um diagnóstico. Pergunte a si mesmo:
- Qual o total de recursos que possuo nessas instituições?
- Estou acima ou abaixo do limite de R$ 250 mil?
- Já fiz o cadastro no aplicativo do FGC?
- Quais são minhas alternativas caso eu não recupere o excedente?
Responder a essas perguntas ajuda a decidir se vale a pena diversificar ainda mais seus investimentos, talvez transferindo parte para bancos que ainda não têm problemas ou para produtos com garantia do FGC em outras instituições.
O que fazer agora?
Para quem ainda não tem o aplicativo do FGC instalado, a primeira ação prática é baixá‑lo e concluir o cadastro básico. Mesmo que você ainda não tenha certeza se tem direito à restituição, ter o perfil criado agiliza o processo assim que a lista de credores for divulgada. Enquanto isso, mantenha seus dados bancários atualizados e fique atento às notificações do fundo – elas chegam por e‑mail, SMS ou push no próprio app.
Outra dica importante: se você tem investimentos em outras instituições do mesmo grupo (Banco Master, Master Investimento, Letsbank), verifique se já atingiu o limite de R$ 250 mil somando tudo. Caso positivo, pode ser mais estratégico focar em proteger novos aportes em bancos que não façam parte desse conglomerado.
Visão de futuro – como o mercado reage?
Liquidações como a da Will Financeira são, infelizmente, parte do ciclo do sistema financeiro. Elas servem como um alerta para que investidores e depositantes diversifiquem seus ativos e não coloquem tudo em uma única caixa. O FGC tem sido bastante eficaz em manter a confiança do público, mas o fato de que o limite de garantia é de R$ 250 mil – um valor que pode ser pequeno para quem tem grandes aplicações – reforça a necessidade de planejamento.
Além disso, a atuação do Banco Central ao decretar a liquidação extrajudicial demonstra que o órgão está atento e pronto para intervir quando necessário, evitando que crises se alastrem. Para o cidadão comum, isso significa que o risco de um colapso sistêmico é menor, mas o risco de perdas individuais ainda existe, sobretudo para quem ultrapassa o teto de garantia.
Resumo rápido para quem tem pressa
- FGC vai pagar até R$ 6,3 bilhões por clientes da Will Bank.
- Limite de garantia: R$ 250 mil por CPF/CNPJ.
- Produtos adquiridos até 30/08/2024 têm garantia preservada.
- É preciso solicitar a restituição via app (pessoas físicas) ou portal (pessoas jurídicas).
- Pagamentos podem começar entre 30 e 60 dias após a nomeação do liquidante.
- Excedente ao limite fica sem garantia e depende da falência.
Com essas informações em mãos, você pode agir de forma mais segura e reduzir a ansiedade que normalmente acompanha notícias de falência bancária. Lembre‑se: informação e proatividade são suas melhores aliadas.
Se ainda restou alguma dúvida, recomendo visitar o site oficial do FGC, onde há tutoriais passo a passo, FAQs e canais de atendimento. E, claro, continue acompanhando as notícias – o cenário pode mudar rapidamente, e estar bem informado é a chave para proteger seu patrimônio.



