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Espírito Santo entra no céu da aviação: a Sling Brasil recebe aprovação da ANAC para o novo Sling TSi

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Espírito Santo entra no céu da aviação: a Sling Brasil recebe aprovação da ANAC para o novo Sling TSi

Quando a gente ouve falar de grandes fábricas de avião, a primeira imagem que vem à mente costuma ser a de gigantes como Embraer, instalados no interior de São Paulo. Mas, nos últimos tempos, o cenário está mudando e o Espírito Santo está ganhando um lugar de destaque nesse céu de alta tecnologia.



Recentemente, a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) concedeu à Sling Brasil a autorização para produzir e comercializar o modelo Sling TSi, um avião leve de quatro lugares. A certificação, publicada no Diário Oficial da União, chegou no fim de 2025, mas só agora ganhou as manchetes. Para quem ainda não conhece, a Sling Brasil está baseada em Jaguaré, no norte do estado, e vem construindo sua reputação desde 2017.

Mas por que isso importa para nós, que não somos necessariamente pilotos ou engenheiros aeroespaciais? Porque esse passo representa muito mais do que a simples fabricação de um avião. É um sinal de que o Espírito Santo tem condições de abrigar projetos de alta complexidade, gerando empregos qualificados, atraindo investimentos e, quem sabe, inspirando a próxima geração de jovens a sonhar com a aviação.



Do projeto à certificação: o caminho da Sling Brasil

O Sling TSi não nasceu do nada. Ele é fruto de uma parceria entre a Sling Brasil e a empresa sul‑africana Sling Aircraft, que detém o projeto original. Enquanto a ideia e o design vêm da África do Sul, a produção – desde a estrutura até a montagem final – acontece integralmente aqui, em Jaguaré.

Antes do Sling TSi, a Sling já havia recebido aprovação da ANAC para o Sling 2, um avião de dois lugares. O TSi, porém, traz mais robustez e capacidade, acomodando até quatro passageiros. A empresa já realizou voos de teste no próprio estado, inclusive compartilhando vídeos nas redes sociais, o que ajudou a demonstrar a segurança e a confiabilidade da aeronave.

Quem compra um avião leve?

O mercado de aviação leve costuma ser bem específico. Não estamos falando de companhias aéreas comerciais, mas de pilotos particulares, clubes de voo (aeroclubes) e profissionais que usam a aeronave para tarefas como inspeções de linhas de transmissão, fotografia aérea ou até mesmo turismo de aventura.

  • Pilotos de lazer: pessoas que voam nos fins de semana para aproveitar a vista.
  • Empreendedores: que utilizam o avião para serviços de transporte rápido em regiões de difícil acesso.
  • Aeroclubes: instituições que oferecem treinamento e compartilham aeronaves entre seus membros.

Para esses usuários, a certificação da ANAC traz a garantia de que o avião cumpre todos os requisitos de qualidade e segurança exigidos por lei, o que facilita a compra e a operação.



Impactos econômicos e sociais para o Espírito Santo

O fato de a Sling Brasil estar produzindo aviões leves no ES tem reflexos diretos na economia local:

  • Geração de empregos qualificados: a montagem de aeronaves exige mão‑de‑obra especializada, desde técnicos em estruturas metálicas até engenheiros de produção.
  • Capacitação profissional: escolas técnicas da região podem adaptar seus cursos para atender a demanda da indústria aeroespacial.
  • Visibilidade nacional e internacional: projetos como esse colocam o estado no mapa de investidores que buscam ambientes favoráveis à alta tecnologia.

Além disso, a presença de uma fábrica de aviões pode estimular a criação de fornecedores locais – peças, componentes eletrônicos, materiais compostos – criando um ecossistema inteiro em torno da aviação.

O que vem pela frente?

A Sling Brasil não pretende parar por aqui. Segundo o sócio‑investidor Lucas Mota, já está em fase de análise pela ANAC um novo modelo, também de quatro lugares, porém maior e com algumas melhorias de desempenho. A previsão é que essa nova certificação seja concluída até junho de 2027.

Com uma capacidade produtiva atual de até 39 aeronaves por ano, a empresa tem espaço para expandir a produção, especialmente se a demanda do mercado de aviação leve crescer. E, claro, isso abre portas para mais projetos inovadores que podem surgir no futuro.

Desafios e oportunidades

Apesar do entusiasmo, há desafios a serem enfrentados:

  • Concorrência: o mercado de aviões leves tem players estabelecidos, como a Cessna e a Piper, que já têm redes de suporte e reputação consolidada.
  • Regulamentação: o processo de certificação é longo e rigoroso, como a própria Sling Brasil já experimentou.
  • Infraestrutura: embora o ES tenha mão‑de‑obra qualificada, ainda é preciso garantir que a cadeia logística suporte a produção em escala.

Por outro lado, a localização estratégica do Espírito Santo, próximo a grandes portos e com acesso a aeroportos regionais, pode ser um diferencial competitivo, facilitando a exportação de aeronaves ou componentes para outros países.

Conclusão: um voo promissor para o ES

Em resumo, a aprovação da ANAC para o Sling TSi é mais do que uma notícia de nicho. Ela simboliza a diversificação da indústria brasileira, mostrando que a inovação pode surgir fora dos grandes centros tradicionais. Para quem mora no Espírito Santo, isso traz orgulho e, potencialmente, novas oportunidades de carreira e negócios.

Se você tem curiosidade sobre aviação, já pensou em fazer um voo de demonstração? Ou talvez esteja considerando uma carreira na área técnica? Fique de olho nas novidades da Sling Brasil – o céu parece estar cada vez mais próximo para o nosso estado.