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FGC inicia ressarcimentos do Banco Master: passo a passo para recuperar seu dinheiro

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FGC inicia ressarcimentos do Banco Master: passo a passo para recuperar seu dinheiro

O que está acontecendo?

Se você tem CDBs ou outros títulos do Banco Master, pode estar se perguntando como vai receber o que tem direito. A resposta vem do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que começou a aceitar pedidos de ressarcimento nesta segunda‑feira (19).



Entendendo o papel do FGC

O FGC não é um órgão do governo, mas uma associação privada que funciona como um seguro para depositantes e investidores. Quando um banco entra em liquidação, o fundo cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. É isso que garante que seu dinheiro não desapareça da noite para o dia.

Quem pode solicitar?

Até agora, cerca de 600 mil credores do Banco Master já fizeram o pedido. Desses, 400 mil concluíram todo o trâmite. O FGC estima que 800 mil pessoas têm direito ao ressarcimento, então ainda tem muita gente aguardando.



Tipos de aplicação cobertos

Nem todo investimento está sob a mesma regra. No caso do Master, os títulos que entram na cobertura são:

  • CDB (Certificado de Depósito Bancário) e RDB (Recibo de Depósito Bancário);
  • LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio).

Se o seu investimento está dentro dessas categorias, você está dentro da proteção.

Como funciona o processo?

Primeiro, o liquidante do banco enviou ao FGC a lista completa de credores. Só depois disso o fundo liberou o acesso ao aplicativo, onde você cadastra a conta bancária, valida a biometria e envia os documentos necessários.

Passo a passo para pessoa física

  1. Baixe o aplicativo do FGC (disponível na Google Play e na Apple Store);
  2. Faça o cadastro básico com nome, CPF e data de nascimento;
  3. Solicite o pagamento da garantia – a opção só aparece após a lista de credores ser confirmada;
  4. Informe uma conta corrente ou poupança em seu nome;
  5. Complete a validação biométrica e envie documentos, se solicitado.

Depois de assinar o termo, o fundo costuma liberar o valor em até 48 horas úteis, desde que tudo esteja correto.

E para pessoa jurídica?

Empresas devem usar o Portal do Investidor do FGC. O representante legal preenche os dados, o fundo envia um e‑mail com instruções e o pagamento é feito por transferência para a conta da empresa.



Quanto tempo leva?

Nos casos mais recentes, o intervalo entre a decisão de liquidação e o pagamento variou de 14 a 40 dias. Então, se você já enviou o pedido, fique de olho no app ou no e‑mail: o FGC costuma ser bem ágil, mas depende da conferência dos documentos.

E se o valor ultrapassar o teto?

O limite de cobertura é de R$ 250 mil. Se o seu investimento for maior, o excedente fica sujeito ao processo de falência do Banco Master, como credor quirografário, sem garantia de recebimento.

Por que o Banco Master chegou a esse ponto?

Em novembro do ano passado, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master. A instituição já enfrentava risco de falência por causa de um custo de captação muito alto e de investimentos considerados arriscados, como CDBs que pagavam até 40% acima da taxa média do mercado.

Além disso, o presidente Daniel Vorcaro foi preso em operação da Polícia Federal que investigava um suposto esquema de fraudes. A investigação apontou emissão de R$ 50 bilhões em CDBs sem comprovar liquidez e a compra de créditos inexistentes de uma empresa chamada Tirreno, que depois foram vendidos ao BRB sem documentação.

O que isso significa para o investidor comum?

Primeiro, alívio: o FGC está ativo e já está pagando. Segundo, lição: é fundamental diversificar e ficar atento aos limites de garantia. Mesmo que o fundo cubra até R$ 250 mil, valores acima disso podem ficar presos por muito tempo.

Se você ainda não fez o cadastro, não deixe para a última hora. O aplicativo está disponível e o processo costuma ser rápido, mas depende da sua agilidade em enviar os documentos corretos.

Dicas práticas para não perder tempo

  • Verifique se seu investimento está dentro das categorias cobertas (CDB, RDB, LCI, LCA);
  • Confirme se o valor total investido está abaixo do teto de R$ 250 mil;
  • Tenha em mãos documentos de identidade, comprovante de residência e dados bancários;
  • Use a biometria do celular para acelerar a validação;
  • Acompanhe as notificações do app – o FGC costuma enviar alertas de status.

Onde tirar dúvidas?

O FGC disponibiliza um e‑mail de atendimento: [email protected]. Também é possível consultar a lista de instituições em regime especial no próprio aplicativo.

Em resumo, o processo está em andamento, e a maioria dos credores já recebeu ou está prestes a receber o que tem direito. Fique atento, siga o passo a passo e, se possível, aproveite para revisar sua carteira de investimentos e entender melhor os limites de proteção do FGC.