Na manhã de segunda‑feira (19), o dólar fechou em leve queda de 0,16%, cotado a R$ 5,3640. Enquanto isso, o Ibovespa mal se mexeu, subindo 0,03% e fechando em 164.849 pontos. Parece pouca coisa, mas para quem acompanha o mercado ou tem investimentos, cada ponto pode fazer diferença.
Por que o dólar oscila?
O preço do dólar não depende só de um único fator. Ele reage a notícias, decisões de bancos centrais, eventos geopolíticos e até ao calendário de feriados. Nesta sessão, três coisas foram decisivas:
- Feriado nos EUA: O Martin Luther King Jr. Day fez o mercado de ações americano fechar, reduzindo a liquidez global. Menos negociação significa menos pressão de compra ou venda de dólares.
- Tensões entre EUA e Europa: O presidente Donald Trump ameaçou tarifas de 10% sobre produtos de oito países europeus caso eles não apoiem a proposta americana de comprar a Groenlândia. A Europa, por sua vez, cogita retaliações que podem chegar a € 93 biros.
- Expectativas de inflação e taxa Selic no Brasil: O Boletim Focus reduziu a projeção de inflação para 2026 (de 4,05% para 4,02%) e manteve a taxa Selic em 10,00% ao ano. Quando a inflação parece mais controlada, o real ganha confiança e o dólar tende a recuar.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Se você tem dinheiro guardado em reais, a queda do dólar pode ser boa: seu poder de compra no exterior aumenta. Por outro lado, quem tem investimentos atrelados ao dólar – como fundos de renda fixa em moeda estrangeira, ações de empresas exportadoras ou até mesmo criptomoedas – pode ver a rentabilidade diminuir.
Para quem investe na bolsa, o Ibovespa quase está parado. Isso indica que o mercado ainda está digerindo as notícias internacionais sem grandes movimentos internos. Se o dólar continuar estável ou cair, as empresas que importam insumos podem melhorar suas margens, o que costuma refletir em alta nas ações.
Geopolítica em foco: a disputa pela Groenlândia
O que parece ser apenas um discurso de Trump pode ter consequências reais para o comércio global. Uma tarifa de 10% – e, futuramente, 25% – sobre produtos de países como França, Alemanha e Reino Unido encareceria tudo, de carros a eletrônicos. A União Europeia já tem um plano de retaliação que pode chegar a € 93 biros, o que seria um golpe forte para as exportações americanas.
Para o Brasil, a situação tem dois lados. Primeiro, como exportador de commodities (soja, minério de ferro, petróleo), podemos ser menos impactados diretamente, já que a maior parte do nosso comércio não passa pelos países europeus que seriam alvo das tarifas. Segundo, a instabilidade pode gerar volatilidade cambial, afetando empresas que dependem de importações de máquinas ou componentes.
O que o Boletim Focus nos diz sobre o futuro
O Focus, que reúne as expectativas de mais de 400 analistas, trouxe números que merecem atenção:
- Inflação para 2026: 4,02% (leve queda).
- Taxa Selic: projeção de 10,00% ao ano, com expectativa de redução para 12,25% até o fim de 2026.
- Crescimento do PIB em 2026: 1,80% – sinal de desaceleração, mas ainda positivo.
- Preço do dólar em 2026: projeção de R$ 5,50.
Essas projeções mostram que o Banco Central ainda vê necessidade de política monetária restritiva para conter a inflação, mas há espaço para cortes moderados nos juros. Para quem tem dívidas atreladas à Selic, como empréstimos bancários, a expectativa de queda pode ser um alívio nos próximos anos.
Práticas para proteger seu patrimônio
Com tantas variáveis, como se proteger?
- Diversifique: Não coloque todo o dinheiro em um único ativo. Combine renda fixa, ações, fundos imobiliários e, se quiser, uma pequena parcela em dólar ou ouro.
- Fique de olho nos indicadores: Acompanhe a taxa Selic, a inflação prevista e o câmbio. Eles são os termômetros que avisam quando é hora de mudar a estratégia.
- Considere a proteção cambial: Se você tem despesas em moeda estrangeira (viagens, estudos, compras online), contratos de hedge ou fundos cambiais podem amortecer a volatilidade.
- Reavalie seus fundos de investimento: O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sugeriu que o Banco Central passe a regular os fundos, o que pode mudar a forma como eles são geridos. Esteja atento a possíveis alterações nas taxas de administração.
Olhar para o futuro: o que esperar?
Se as tensões entre EUA e Europa se aprofundarem, podemos ver um cenário de guerra comercial mais intenso, o que normalmente pressiona o dólar para cima. Por outro lado, se houver acordo ou se as tarifas forem suavizadas, o dólar pode continuar em queda ou estabilizar.
No Brasil, a trajetória da Selic será crucial. Uma queda dos juros pode estimular o crédito e o consumo, mas também pode gerar pressões inflacionárias se a política fiscal não acompanhar. Por isso, o próximo trimestre será decisivo para entender se o Banco Central vai acelerar ou frear o ritmo de redução da taxa.
Em resumo, a queda de 0,16% do dólar e a leve alta do Ibovespa são sinais de que o mercado está cauteloso, mas ainda aberto a oportunidades. Para quem tem dinheiro para investir, o melhor caminho é manter a calma, acompanhar os indicadores e ajustar a carteira de forma estratégica.



