Na última sexta‑feira, Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, revelou que o ex‑presidente Donald Trump tem um plano B caso a Suprema Corte dos EUA derrube o chamado “tarifaço”. A ideia? Imposição imediata de tarifas generalizadas de 10 % sobre importações de mais de 180 países – entre eles o Brasil.
Entendendo o que está em jogo
Para quem não acompanha a política comercial americana, pode parecer um detalhe técnico, mas a verdade é que essas tarifas afetam diretamente o preço dos produtos que chegam às prateleiras, a competitividade das exportações brasileiras e, em última instância, o bolso do consumidor.
O tarifaço foi anunciado em 2025 como uma resposta ao que a administração Trump chamou de “práticas comerciais desleais”. A medida atingiu tudo, de aço americano a soja brasileira, gerando um debate intenso nos corredores de Washington e nas fábricas de São Paulo.
Como funciona o ‘plano B’?
Hassett explicou que, se a Suprema Corte decidir contra o governo, a Casa Branca pode recorrer a três dispositivos da lei de comércio dos EUA:
- Seção 301 – permite sobretaxas quando há práticas comerciais consideradas injustas.
- Seção 232 – autoriza tarifas por motivos de segurança nacional.
- Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 – dá ao presidente a possibilidade de impor sobretaxas de até 15 % por até 150 dias para corrigir desequilíbrios comerciais.
Essas ferramentas dão ao Executivo um “cinto de segurança” legal, caso o Judiciário limite seu poder.
Por que isso importa para o Brasil?
O Brasil é um dos maiores exportadores de commodities para os EUA – soja, carne bovina, café e minério de ferro são alguns dos itens que mais sentem o peso de uma tarifa. Uma taxa adicional de 10 % pode transformar um contrato lucrativo em um negócio inviável.
Além do impacto direto nas exportações, há efeitos colaterais que vale a pena observar:
- Desvalorização do real: tarifas mais altas podem pressionar a moeda brasileira, já que menos dólares entram no país.
- Repercussão na cadeia produtiva: produtores menores, que dependem de exportações para manter a caixa, podem enfrentar dificuldades de fluxo de caixa.
- Pressão sobre consumidores: produtos importados nos EUA ficam mais caros, o que pode gerar uma reação em cadeia de aumento de preços globais, inclusive no Brasil.
O que a Suprema Corte pode decidir?
O caso está nas mãos de nove juízes, com maioria conservadora de 6 a 3. A questão central é se Trump extrapolou a autoridade do Congresso ao usar uma lei de 1977 – originalmente destinada a emergências nacionais – para impor tarifas comerciais.
Se a Corte validar a decisão dos tribunais inferiores, o governo Trump perderá a base legal para manter as tarifas atuais. Caso contrário, o “tarifaço” permanece, e o plano B pode ser acionado rapidamente.
Possíveis cenários e como se preparar
Vamos dividir em três possibilidades e pensar em estratégias para cada uma:
- Suprema Corte mantém as tarifas – O cenário mais estável, mas ainda incerto. Exportadores precisam monitorar a aplicação das tarifas de 10 % e ajustar preços ou buscar novos mercados.
- Suprema Corte derruba as tarifas – Aqui entra o plano B. Empresas americanas podem pressionar por novas medidas usando as seções 301, 232 ou 122. Para o Brasil, isso significa estar pronto para renegociar contratos e possivelmente diversificar destinos.
- Decisão parcial – A Corte pode validar parte das tarifas e invalidar outras. Isso criaria um mosaico de regras diferentes para cada produto, exigindo análises mais detalhadas.
Independentemente do resultado, algumas ações são recomendáveis:
- Revisar contratos de exportação para incluir cláusulas de ajuste de preço.
- Aumentar a presença em mercados alternativos – Europa, Ásia, África.
- Investir em certificações de qualidade que justifiquem preços premium.
- Manter um canal de comunicação aberto com associações de classe e órgãos governamentais para acompanhar mudanças regulatórias.
Um panorama histórico: como chegamos aqui?
Tarifas não são novidade nos EUA. Desde a década de 1970, o país tem usado instrumentos como a Seção 301 para pressionar parceiros comerciais. O que mudou nos últimos anos foi a frequência e a amplitude das medidas.
Durante a administração Trump (2017‑2021), o comércio internacional passou por uma “guerra de tarifas” que envolveu China, União Europeia e, claro, Brasil. O objetivo declarado era proteger empregos americanos, mas os efeitos colaterais foram sentidíssimos em economias exportadoras.
Hoje, com a mudança de governo, a expectativa era de um retorno ao multilateralismo. Contudo, a disputa judicial ainda deixa o futuro em aberto, e o plano B funciona como um lembrete de que o protecionismo pode ressurgir a qualquer momento.
O que isso significa para o consumidor brasileiro?
Se as tarifas de 10 % forem aplicadas, o impacto direto no consumidor pode não ser imediato, mas há caminhos claros:
- Produtos importados – itens como eletrônicos, roupas e veículos podem ficar mais caros nos EUA, o que pode elevar os preços globais.
- Alimentos – a soja brasileira tem um papel crucial na produção de óleo e ração animal nos EUA. Tarifas mais altas podem encarecer esses insumos, refletindo nos preços de carnes e laticínios.
- Serviços – setores como tecnologia e software, que dependem de cadeias de suprimentos globais, podem ver aumento nos custos operacionais.
Em resumo, a gente pode sentir um “efeito dominó” nos preços dos produtos que consumimos diariamente.
Olhar para o futuro: o que esperar nos próximos anos?
O caso da Suprema Corte será decisivo, mas não será o último debate sobre tarifas nos EUA. A tendência global aponta para uma maior fragmentação do comércio, com blocos regionais ganhando força.
Para o Brasil, a lição é clara: diversificar mercados, melhorar a competitividade interna e manter um diálogo constante com parceiros comerciais.
Se você é empresário, exportador ou simplesmente alguém que acompanha a economia, vale a pena ficar de olho nas próximas decisões judiciais, nos pronunciamentos da Casa Branca e nas reações dos mercados. O comércio internacional é como um tabuleiro de xadrez – cada movimento tem consequências em várias casas.
E aí, o que você acha? A imposição de um “plano B” de tarifas de 10 % pode mudar o cenário econômico global? Compartilhe sua opinião nos comentários!



