Na última quarta‑feira, Donald Trump respondeu a uma pergunta que tem circulado nos corredores de Washington: ele vai ou não demitir Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed)? A resposta foi clara – “não tenho nenhum plano para fazer isso” – mas o que está por trás dessa afirmação e por que isso importa para quem acompanha a economia, seja nos EUA ou no Brasil?
Um pouco de contexto: quem é Jerome Powell?
Jerome Powell chegou ao cargo de chair do Fed em 2018, nomeado por Trump durante seu primeiro mandato. Seu mandato oficial termina em maio de 2024, mas ele pode permanecer no Conselho de Diretores até 2028. Powell tem sido uma figura central nas decisões de política monetária dos EUA, influenciando taxas de juros, inflação e, indiretamente, o valor do dólar.
Por que Trump quer mudar o Fed?
Desde que assumiu a presidência, Trump tem pressionado o Fed para reduzir os juros mais rapidamente. Para ele, juros mais baixos significam mais crédito barato, impulsionando o consumo e, supostamente, a criação de empregos. No entanto, a maioria dos economistas alerta que cortar juros demais pode alimentar a inflação – algo que já está no centro das discussões globais.
- Pressão política: Trump já manifestou publicamente seu descontentamento com a postura de Powell.
- Investigação criminal: O Departamento de Justiça abriu um caso sobre um projeto de US$ 2,5 bilhões de reforma de prédios históricos do Fed, alegando supostos custos excessivos.
- Possíveis substitutos: Kevin Warsh (ex‑diretor do Fed) e Kevin Hassett (diretor do Conselho Econômico Nacional) foram citados como opções.
Esses três pontos criam um cenário de incerteza que pode impactar desde o preço dos títulos do Tesouro até a confiança dos investidores estrangeiros.
O que a investigação significa na prática?
A investigação sobre o custo da reforma dos edifícios do Fed pode parecer um detalhe administrativo, mas tem implicações maiores. Primeiro, ela serve como um pretexto político para questionar a independência do Fed. Segundo, se houver alguma irregularidade comprovada, isso pode gerar multas ou até mesmo a remoção de Powell – embora isso ainda seja “muito cedo”, como Trump mesmo disse.
Para nós, leitores que acompanham a economia, o ponto crucial é entender como a percepção de risco muda. Quando a independência do banco central é questionada, a moeda local costuma se desvalorizar. Isso aconteceu em outros países onde governos interferiram nas decisões de bancos centrais, gerando fuga de capitais e aumento da inflação.
Impactos possíveis para o Brasil
Embora a disputa seja interna dos EUA, as repercussões são globais. O dólar serve como referência para muitas moedas emergentes, inclusive o real. Se o Fed mudar sua postura – seja por um novo chair mais alinhado com Trump ou por uma política de juros mais agressiva – o dólar pode se fortalecer ou enfraquecer, afetando diretamente:
- Importação de bens e insumos (custo mais alto ou mais baixo).
- Taxas de juros internas, já que o Banco Central do Brasil acompanha o cenário externo.
- Investimentos estrangeiros no mercado de ações brasileiro.
Em resumo, a estabilidade do Fed tem um efeito dominó que chega até as prateleiras dos supermercados brasileiros.
O que pode acontecer nas próximas semanas?
Trump prometeu anunciar sua decisão nas próximas semanas. Se ele mantiver Powell, o Fed provavelmente continuará sua política atual, que tem sido cautelosa diante da inflação ainda elevada nos EUA. Se houver mudança, podemos esperar:
- Redução mais rápida dos juros: Pode estimular a economia a curto prazo, mas corre o risco de reacender pressões inflacionárias.
- Maior volatilidade nos mercados: Investidores tendem a reagir rapidamente a qualquer sinal de interferência política.
- Reação dos aliados: Bancos centrais de outros países, como o Banco Central Europeu e o Banco Central do Brasil, terão que ajustar suas estratégias de comunicação e política monetária.
Como acompanhar a situação?
Para quem não quer ficar perdido, aqui vão algumas dicas práticas:
- Fique de olho nas declarações oficiais: O site do Fed e o White House costumam publicar comunicados.
- Observe o mercado de títulos: Flutuações nos yields de US Treasuries são indicadores sensíveis a mudanças de política.
- Leia análises de especialistas: Bancos de investimento e think tanks costumam publicar relatórios detalhados.
Não é preciso ser economista para entender que a política monetária dos EUA tem um peso enorme no cenário global. Mesmo que a disputa pareça um drama político interno, ela pode mudar a forma como gastamos, investimos e até como fazemos a conta do supermercado.
Conclusão
Trump garantiu que não tem planos de demitir Powell, mas a frase “é muito cedo” deixa a porta aberta para surpresas. Enquanto isso, os mercados internacionais permanecem atentos, e nós, leitores, devemos observar como essa história evolui, porque, no fim das contas, a decisão de um presidente americano pode influenciar o preço do café que compramos aqui no Brasil.



