Radar Fiscal

Superávit fiscal na Argentina: o que as reformas de Milei significam para a gente

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Superávit fiscal na Argentina: o que as reformas de Milei significam para a gente

Quando li a notícia de que a Argentina fechou 2025 com superávit fiscal pelo segundo ano consecutivo, a primeira coisa que me veio à cabeça foi: será que isso pode mudar algo para quem vive do outro lado da fronteira? Afinal, a situação econômica da Argentina tem impactos diretos e indiretos no Brasil, principalmente nas regiões de fronteira e nos setores que dependem do comércio bilateral.



O presidente Javier Milei, que tem sido chamado de “ultraliberal”, adotou a política de “déficit zero”. Em termos simples, isso significa que o governo quer equilibrar as contas públicas, gastando exatamente o que arrecada, sem depender de empréstimos extras. Em 2025, o superávit primário foi de 1,4% do PIB e o superávit fiscal – que já inclui o pagamento de juros da dívida – ficou em 0,2% do PIB. Não parece muito, mas para a Argentina, que não tinha registrado dois anos seguidos de superávit desde 2008, isso é um marco histórico.



Mas o que está por trás desses números? A resposta está nos cortes de gastos. O governo reduziu subsídios, congelou orçamentos em áreas como educação, saúde e pesquisa, e limitou investimentos em obras públicas. Essa austeridade trouxe um alívio nas contas, mas também gerou críticas por possíveis impactos sociais.

Para quem acompanha a economia, a redução da inflação também chama atenção. Em 2025, a taxa de inflação ficou em 31,5%, muito abaixo dos 117,8% de 2024 e o menor nível desde 2017. Ainda assim, 31,5% continua alto – o que significa que os preços ainda sobem rápido, mas a tendência é de desaceleração.



Como isso afeta o Brasil?

  • Comércio exterior: A Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Um cenário fiscal mais estável pode significar menos volatilidade cambial e, potencialmente, mais confiança para exportadores brasileiros que vendem produtos como soja, carne e automóveis.
  • Turismo e migração: A melhora nas contas públicas pode tornar o país mais atrativo para turistas brasileiros e, ao mesmo tempo, reduzir a pressão migratória de argentinos que buscam melhores oportunidades no nosso país.
  • Investimentos: O acordo de US$ 20 bilhões com o FMI, firmado em 2025, sinaliza confiança internacional. Se o governo argentino continuar a cumprir metas de disciplina fiscal, pode abrir espaço para investimentos estrangeiros, inclusive de empresas brasileiras que queiram se instalar lá.

Prós e contras da política de déficit zero

Prós:

  • Recuperação da credibilidade fiscal, facilitando acesso a crédito internacional.
  • Redução da pressão inflacionária ao controlar gastos públicos excessivos.
  • Possibilidade de reduzir impostos no futuro, como prometido pelo ministro da Economia, Luis Caputo.

Contras:

  • Recortes em áreas essenciais podem agravar a pobreza – embora a taxa de pobreza tenha caído de 52,9% em 2024 para 31% no primeiro semestre de 2025, ainda é um número alarmante.
  • Congelamento de investimentos públicos pode frear crescimento de longo prazo, especialmente em infraestrutura e educação.
  • Dependência de apoio externo (FMI) cria vulnerabilidade a mudanças nas condições de empréstimo.

O que dizer da inflação?

Mesmo com a queda, 31,5% ainda é inflacionário. O governo de Milei quer manter a taxa mensal abaixo de 2%, o que exigirá medidas ainda mais rígidas. Uma das estratégias foi a flexibilização do controle cambial – o fim da paridade fixa do peso e a adoção de um câmbio flutuante. Isso ajuda a alinhar o valor da moeda ao mercado, mas também pode gerar volatilidade se houver fuga de capitais.

Perspectivas para 2026 e além

Se a Argentina conseguir manter o superávit e controlar a inflação, podemos esperar um ambiente mais estável para negócios. Contudo, a sustentabilidade depende de fatores externos, como a situação econômica global, preços das commodities e a política interna de Milei, que tem sido bastante controversa.

Para nós, brasileiros, o que fica na prática? Ficar de olho nas notícias econômicas da região, analisar como as políticas argentinas podem influenciar a taxa de câmbio do peso e do real, e observar oportunidades de negócios que surgem quando um país vizinho se estabiliza. Afinal, a economia não tem fronteiras quando o assunto é comércio e investimento.

E você, o que acha dessas reformas? Acredita que a disciplina fiscal pode ser o caminho para a Argentina sair da crise ou vê mais riscos nos cortes sociais? Deixe sua opinião nos comentários!