Na última quinta-feira, o vice‑presidente Geraldo Alcklen, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, deu um sinal claro: o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia está muito próximo de se tornar realidade. Ele contou que a assinatura definitiva deve acontecer ainda neste sábado, 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai, e que a expectativa é que o tratado entre em vigor já no segundo semestre deste ano.
Mas, para quem não acompanha de perto as negociações internacionais, o que isso significa na prática? Primeiro, vale lembrar que esse acordo vai criar a maior zona de livre comércio do planeta, envolvendo cerca de 700 milhões de pessoas. Isso não é só um número grande; é a soma de mercados que, até então, enfrentavam tarifas e barreiras burocráticas que encareciam produtos e dificultavam negócios.
Imagine que você compra um celular fabricado na Coreia do Sul, mas que tem componentes europeus. Se a UE e o Mercosul tiverem um acordo, esses componentes podem entrar no Brasil com menos impostos, o que pode reduzir o preço final para o consumidor. O mesmo vale para alimentos, máquinas agrícolas, roupas e até serviços como turismo e tecnologia.
Por que esse acordo chega num momento tão delicado?
Alcklen destacou que o mundo vive um período de instabilidade geopolítica: guerras, tensões no Oriente Médio, sanções à Rússia, e um crescente protecionismo em várias partes do globo. Nesse cenário, a assinatura de um tratado de livre comércio entre dois blocos tão importantes envia uma mensagem de que o diálogo ainda funciona. É como se o Brasil e a UE mostrassem ao resto do mundo que, mesmo em tempos de conflito, é possível buscar soluções pacíficas e econômicas por meio da negociação.
Para nós, brasileiros, isso pode significar mais oportunidades de exportação. Agricultores, por exemplo, já sentem o efeito de tarifas menores quando vendem soja, carne ou café para a Europa. Pequenos produtores de artesanato ou de moda também podem encontrar nichos de mercado que antes eram inviáveis por causa dos custos de importação.
Como o acordo será aprovado?
Depois da assinatura em Assunção, cada país tem que passar por seu próprio processo de ratificação. No caso do Brasil, o texto seguirá para o Congresso Nacional, onde será debatido e, se aprovado, vai para a sanção presidencial. Enquanto isso, o Parlamento Europeu também tem que aprovar o tratado. Alcklen está confiante de que tudo isso acontecerá ainda no primeiro semestre, permitindo que o acordo entre em vigor no segundo semestre.
É importante entender que a data de entrada em vigor pode variar entre os países do Mercosul. Cada nação tem sua própria agenda legislativa, então o Brasil pode começar a aplicar o acordo antes ou depois de, digamos, a Argentina ou o Uruguai.
Impactos práticos no nosso cotidiano
- Preços mais baixos: com tarifas reduzidas, produtos importados podem ficar mais baratos nas prateleiras.
- Mais empregos: ao facilitar a exportação, empresas podem expandir suas operações e contratar mais trabalhadores.
- Turismo e cultura: acordos de comércio também facilitam vistos e intercâmbios culturais, o que pode tornar mais fácil viajar para a Europa e receber turistas europeus aqui.
- Inovação: parcerias em pesquisa e tecnologia podem ser fortalecidas, trazendo mais startups e investimentos em setores de alta tecnologia.
Claro que nem tudo são flores. Alguns setores podem sentir concorrência mais acirrada, como indústrias que ainda dependem de proteção tarifária para se desenvolver. Por isso, o governo tem que equilibrar a abertura de mercado com políticas de apoio interno, como capacitação e incentivos à inovação.
O acordo Mercosul‑UE e os EUA
Alcklen também deixou claro que o tratado com a UE não interfere nas conversas que o Brasil tem com os Estados Unidos. São agendas distintas. Enquanto buscamos ampliar o comércio com a Europa, também queremos aprofundar relações com a América do Norte, especialmente em áreas como energia, tecnologia e defesa. Essa estratégia multilateral pode tornar o Brasil mais resiliente a choques externos.
Em resumo, a assinatura do acordo Mercosul‑UE pode ser vista como uma janela de oportunidade para o Brasil se posicionar melhor no cenário global. Se bem aproveitada, pode trazer mais competitividade, melhorar a balança comercial e, quem sabe, até gerar um pequeno alívio no bolso do consumidor.
Mas, como toda mudança, requer atenção. É fundamental que empresários, produtores e cidadãos acompanhem as discussões no Congresso e cobrem políticas que garantam que os benefícios cheguem a todos, não só aos grandes players. Afinal, um acordo de livre comércio só faz sentido se ele realmente melhorar a vida das pessoas.



