Quando a gente ouve falar de um carro novo chegando ao Brasil, a primeira coisa que vem à mente costuma ser potência, preço ou aquele cheirinho de novidade que faz a gente imaginar longas viagens. No caso do novo Volkswagen Taos 2026, a história é um pouco diferente: a Volkswagen decidiu apostar em mudanças sutis, mas que podem fazer a diferença no dia a dia, especialmente quando o modelo enfrenta concorrentes como Jeep Compass e Toyota Corolla Cross, que vendem quase cinco vezes mais.
Por que o Taos precisava de uma repaginada?
Os números da Fenabrave falam por si: em 2025, o Taos registrou apenas 12.920 unidades emplacadas, enquanto o Compass chegou a 61.255 e o Corolla Cross a 59.674. Essa diferença de volume não é só questão de marketing; reflete a percepção do público sobre design, tecnologia e, claro, custo‑benefício. A Volkswagen percebeu que, para fechar a lacuna, precisava oferecer algo que chamasse a atenção sem mudar a mecânica básica que já funciona bem.
O que mudou por fora?
O visual do Taos recebeu uma dose de minimalismo. A entrada de ar superior foi reduzida, o que permitiu um para‑choque mais limpo e moderno. A grade inferior ficou maior e com acabamento preto, trazendo um contraste discreto que dá ao carro um ar mais sofisticado. Os faróis foram afinados, ficando mais estreitos, e agora há uma faixa luminosa que conecta os faróis na parte superior da dianteira – um toque que a Volkswagen já usava nos modelos Nivus e T‑Cross.
Na traseira, a tendência continua: uma faixa de iluminação que liga as lanternas, reforçando a identidade visual da marca. Rodas de 18 polegadas permanecem na versão Comfortline, enquanto a versão Highline ganha aro 19, dando ainda mais presença nas ruas.
Dentro da cabine: tecnologia em destaque (e um pequeno retrocesso)
Por dentro, a principal mudança é a central multimídia. Antes embutida no console, agora ela “salta” como um tablet, lembrando o layout do Tera. Curiosamente, a tela ficou um pouquinho menor – de 10,25 para 10,1 polegadas – um recorte de cerca de 1,5%. Não é grande, mas chama atenção porque a maioria dos concorrentes tende a ampliar, não reduzir.
Os comandos do volante voltaram a ser botões físicos, abandonando a tendência das telas sensíveis ao toque. Isso pode agradar quem prefere o “clique” clássico e evita distrações. O ar‑condicionado continua com controle por toque, mas permanece fora da central, mantendo a ergonomia que muitos motoristas já conhecem.
Motor e transmissão: mesma potência, mais eficiência
Por dentro do capô, nada mudou em termos de potência: o motor 1.4 turbo de 150 cv continua. O que mudou foi a transmissão, que agora tem oito marchas em vez de seis. A ideia não é acelerar mais, mas reduzir o consumo de combustível e as emissões, algo que faz diferença tanto no bolso quanto no meio ambiente.
Versões e equipamentos: o que você leva por R$ 199.990?
O Taos será vendido em duas versões: Comfortline (R$ 199.990) e Highline (R$ 209.990). A versão de entrada já traz um pacote robusto:
- Seis airbags
- Oito alto‑falantes
- Rodas aro 18
- Ar‑condicionado dual zone com saída traseira
- Banco com ajuste elétrico para o motorista
- Central multimídia de 10,1″ com conectividade remota
- Farol projetor inteligente
- Logo traseiro iluminado
- Piloto automático adaptativo
A versão Highline adiciona itens premium, como teto solar panorâmico, rodas aro 19, sistema de som com subwoofer, faróis dianteiros interligados, detector de ponto cego, assistente de tráfego cruzado e freio automático de emergência. É um upgrade que coloca o Taos em pé de igualdade com os concorrentes mais bem equipados.
O que isso significa para o consumidor brasileiro?
Se você está pensando em trocar de carro, o Taos pode ser uma opção interessante por três motivos:
- Preço competitivo: A partir de R$ 199.990, ele fica abaixo do Compass e do Corolla Cross, que costumam iniciar perto de R$ 230 mil.
- Design atualizado: As mudanças externas dão ao carro um visual mais contemporâneo, algo que costuma ser decisivo na hora da compra.
- Eficiência: O novo câmbio de oito marchas promete melhorar o consumo, o que se traduz em menos gastos no combustível ao longo dos anos.
Por outro lado, quem prioriza potência máxima ou um interior mais espaçoso pode ainda olhar para os concorrentes. O Taos tem dimensões medianas, então quem busca um SUV grande pode sentir falta de espaço nos bancos traseiros.
Olhar para o futuro: como a Volkswagen pode se posicionar?
O lançamento do Taos 2026 mostra que a Volkswagen está disposta a fazer ajustes de meio de ciclo para manter a relevância. Essa estratégia pode ser a chave para melhorar as vendas: ao invés de esperar por um modelo totalmente novo, a montadora oferece atualizações que atendem às demandas atuais – como conectividade, design minimalista e eficiência.
Se a tendência de SUVs chineses continuar a pressionar preços, a Volkswagen pode precisar acelerar ainda mais essas atualizações, talvez introduzindo versões híbridas ou elétricas. O mercado brasileiro ainda está aquém em termos de infraestrutura para EVs, mas a pressão global pode chegar aqui nos próximos anos.
Em resumo, o novo Taos chega como uma resposta prática a um problema de vendas. Ele não promete revoluções, mas oferece melhorias que podem fazer a diferença no cotidiano de quem o dirige. Se você está à procura de um SUV médio, vale a pena colocar o Taos na sua lista de test‑drive e comparar de perto com o Compass e o Corolla Cross.



