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Mercosul e UE: o que a nova parceria significa para o seu dia a dia

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Mercosul e UE: o que a nova parceria significa para o seu dia a dia

Na última semana, Assunção, no Paraguai, foi palco de um momento que muita gente esperava há décadas: a assinatura do acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia. Para quem não acompanha de perto a política internacional, pode parecer só mais um tratado burocrático, mas a verdade é que ele tem potencial para mudar a forma como produtos chegam às prateleiras brasileiras e como empresas brasileiras se posicionam no exterior.



Eu lembro de quando, ainda na adolescência, meu pai trazia frutas importadas da Europa e eu ficava impressionado com o preço. Na época, a gente nem imaginava que aquele preço alto tinha a ver com tarifas de importação e acordos comerciais. Hoje, com a assinatura desse acordo, esses números podem mudar – e não só para frutas, mas para uma gama enorme de produtos.



Mas antes de mergulharmos nos detalhes, vale entender o que realmente está em jogo. O Mercosul reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai (com a Venezuela em situação de suspensão). A UE, por sua vez, representa 27 países europeus, um bloco econômico que, somado, tem um PIB de mais de US$ 22 trilhões. Juntos, eles formam um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas. Não é pouca coisa.



Por que esse acordo importa para o consumidor brasileiro?

Em linhas gerais, o tratado promete reduzir ou eliminar tarifas em mais de 90% do comércio entre os blocos. Isso significa que produtos que antes eram mais caros por causa de impostos de importação podem ficar mais acessíveis. Alguns exemplos práticos:

  • Alimentos e bebidas: vinhos, queijos e chocolates europeus podem ganhar preço mais competitivo nas prateleiras.
  • Produtos de tecnologia: equipamentos agrícolas, máquinas e até smartphones podem ter custos de importação menores.
  • Setor automotivo: peças e veículos produzidos na Europa podem chegar a preços mais atraentes, beneficiando montadoras brasileiras.

Para quem tem um pequeno negócio, a oportunidade é ainda maior. Exportar para a UE pode se tornar menos burocrático e mais barato, abrindo portas para artesãos, produtores de moda e startups de tecnologia.

Como o acordo se encaixa na estratégia do Brasil

O governo federal tem deixado claro que esse tratado faz parte de uma estratégia maior de diversificação de mercados. Desde 2023, o Brasil já assinou acordos com Singapura e a EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça). Além disso, negociações avançam com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Vietnã e Índia.

Esses movimentos mostram que o país não quer depender apenas dos Estados Unidos ou da China. Ao ampliar a rede de parceiros, o Brasil busca mais estabilidade nas exportações e maior poder de barganha nas negociações futuras.

Desafios ainda por vir

Apesar do clima de celebração, o caminho ainda é longo. O acordo precisa ser ratificado pelos parlamentos de todos os países envolvidos – um processo que costuma ser moroso, principalmente dentro da UE, onde cada Estado-membro tem sua própria agenda política.

Além disso, há questões sensíveis como padrões ambientais e direitos trabalhistas. A UE tem exigências rigorosas nesses campos, e o Brasil precisará alinhar suas políticas para atender a esses requisitos, o que pode gerar debates internos.

O que isso significa para o futuro do Brasil?

Se tudo correr como esperado, podemos vislumbrar alguns cenários:

  1. Aumento das exportações: setores como agronegócio, aviação e tecnologia podem ganhar novos mercados europeus.
  2. Competitividade das indústrias locais: com tarifas menores, empresas brasileiras podem competir em preço e qualidade, incentivando inovação.
  3. Mais empregos: a expansão das cadeias produtivas costuma gerar novos postos de trabalho, tanto na produção quanto na logística.
  4. Pressão por sustentabilidade: para atender aos padrões europeus, o Brasil terá de investir em práticas mais verdes, o que pode trazer benefícios ambientais a longo prazo.

É claro que nem tudo será imediato. A ratificação pode levar anos, e as empresas precisarão se adaptar às novas regras. Mas a mensagem principal é que o país está se posicionando para ser um player mais relevante no comércio global.

Dicas práticas para quem quer aproveitar a oportunidade

Se você tem um pequeno negócio ou está pensando em exportar, aqui vão alguns passos simples:

  • Fique de olho nas notícias sobre a ratificação – o calendário pode mudar.
  • Invista em certificações de qualidade e sustentabilidade; isso facilita a entrada nos mercados europeus.
  • Busque apoio em agências de fomento como a Apex-Brasil, que oferece orientação para exportadores.
  • Considere parcerias com distribuidores europeus que já conhecem a legislação local.

Mesmo que o acordo ainda esteja nos trâmites, preparar-se agora pode colocar sua empresa à frente da concorrência quando tudo estiver oficialmente em vigor.

Conclusão

O acordo de parceria entre Mercosul e UE não é apenas um marco diplomático; é um convite para que empresas, consumidores e trabalhadores brasileiros aproveitem novas oportunidades. Redução de tarifas, acesso a novos mercados e a necessidade de elevar padrões de sustentabilidade são os principais pontos que podem transformar a economia do nosso país nos próximos anos.

Como sempre, a realidade será feita de detalhes, mas o sinal está claro: o Brasil está se abrindo para o mundo de forma mais ampla e estratégica. E nós, enquanto consumidores e empreendedores, temos muito a ganhar com isso.