Quando a gente ouve falar de tarifas de importação, logo pensa em preços mais altos nos supermercados ou nos eletrônicos. Mas o assunto vai muito além do bolso do consumidor – ele mexe com política, diplomacia e até a estratégia de grandes potências. Recentemente, o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, revelou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem um “plano B” caso a Suprema Corte derrube o tão falado “tarifaço”. A ideia? Impor uma tarifa geral de 10% sobre as importações.
## Por que a Suprema Corte está no centro da discussão?
Em 2025, Trump lançou um pacote de tarifas que atingiu mais de 180 países, incluindo o Brasil. A medida foi justificada como forma de corrigir desequilíbrios comerciais e proteger a indústria americana. No entanto, um tribunal de apelações decidiu que o presidente extrapolou sua autoridade, usando uma lei de 1977 destinada a emergências nacionais para algo bem diferente. O caso chegou à Suprema Corte, que deve decidir nas próximas semanas se essas tarifas têm respaldo legal.
A decisão tem duas implicações principais:
– **Limite ao poder presidencial:** Se a Corte considerar que Trump agiu fora da lei, isso reforça o papel do Congresso na definição de políticas tarifárias.
– **Impacto econômico:** Trilhões de dólares em tarifas podem ser revogados ou mantidos, afetando cadeias de produção, preços ao consumidor e a balança comercial dos EUA.
## O que é o plano B?
Hassett explicou que, caso a Corte vá contra o governo, há um “plano B” sólido: usar outras ferramentas da lei de comércio exterior dos EUA para impor uma tarifa de 10% de forma imediata. Entre os mecanismos citados estão:
– **Seção 301:** permite sobretaxas quando há práticas comerciais desleais, como roubo de propriedade intelectual.
– **Seção 232:** autoriza tarifas por motivos de segurança nacional, como proteção da indústria de aço.
– **Seção 122 da Lei de Comércio de 1974:** dá ao presidente o poder de aplicar sobretaxas de até 15% por até 150 dias para corrigir desequilíbrios.
Essas ferramentas dão ao Executivo uma margem de manobra considerável, mesmo que a Suprema Corte limite o uso da lei de 1977. Em termos práticos, o que isso significa para o Brasil?
## Como as tarifas de 10% podem afetar o Brasil?
1. **Produtos agrícolas:** Soja, carne bovina e açúcar são alguns dos itens mais exportados ao mercado americano. Uma tarifa de 10% reduziria a competitividade desses produtos, pressionando os produtores a buscar novos mercados ou aceitar margens menores.
2. **Indústria de bens de consumo:** Automóveis, peças e equipamentos eletrônicos que entram nos EUA também sentiriam o peso da tarifa, o que pode levar a uma queda nas vendas e, consequentemente, a possíveis demissões nas fábricas brasileiras.
3. **Cadeia de suprimentos:** Muitas indústrias americanas dependem de componentes fabricados no Brasil. Um aumento nos custos de importação pode incentivar a realocação da produção para outros países com tarifas menores.
4. **Câmbio:** Tarifas mais altas tendem a desvalorizar a moeda do país alvo. No caso do real, isso poderia gerar uma pressão inflacionária interna, já que produtos importados ficariam mais caros.
## O que o Brasil pode fazer?
– **Diversificar mercados:** Reduzir a dependência dos EUA ampliando a presença em mercados como a China, a União Europeia e países da América Latina.
– **Negociar acordos bilaterais:** Buscar cláusulas que limitem tarifas ou ofereçam compensações em caso de medidas unilaterais.
– **Apoiar a indústria local:** Incentivar a produção nacional para substituir importações que poderiam ficar mais caras.
– **Monitorar a decisão da Corte:** Manter um acompanhamento próximo das discussões judiciais para ajustar estratégias de exportação em tempo real.
## Um olhar histórico: tarifas nos EUA
Os EUA têm uma longa história de usar tarifas como ferramenta de política externa. Nos anos 1800, o chamado *Tariff of Abominations* gerou tensões que culminaram na Guerra Civil. Na década de 1930, o *Smoot‑Hawley Tariff* elevou as tarifas a níveis recordes, contribuindo para a profundidade da Grande Depressão. Mais recentemente, a administração de Barack Obama utilizou a Seção 301 contra a China por questões de propriedade intelectual.
Esses exemplos mostram que tarifas são, na maioria das vezes, medidas de curto prazo que podem gerar efeitos colaterais inesperados. Quando mal calibradas, podem desencadear retaliações, guerras comerciais e perdas de competitividade.
## O que esperar nos próximos meses?
A decisão da Suprema Corte será anunciada na próxima semana. Se o veredito for favorável a Trump, o “tarifaço” permanece, e o plano B pode ficar em segundo plano. Se a Corte barrar as tarifas, o governo americano tem a carta na manga: aplicar a taxa de 10% usando as seções citadas.
Independentemente do resultado, é certo que o debate sobre quem tem autoridade para impor tarifas – presidente ou Congresso – continuará. E, para nós, brasileiros, a lição é clara: estar atento às movimentações globais e adaptar estratégias é essencial para não ser pego de surpresa.
## Conclusão
Tarifas são mais do que números; são instrumentos de poder que podem mudar o rumo de economias inteiras. O plano B de Trump mostra que, mesmo diante de um revés judicial, os EUA têm caminhos alternativos para proteger seus interesses. Para o Brasil, isso significa estar preparado para possíveis mudanças nos custos de exportação e buscar alternativas que reduzam a vulnerabilidade a decisões unilaterais.
Se você tem um negócio que depende do mercado americano, vale a pena rever contratos, analisar margens e, quem sabe, conversar com um consultor de comércio exterior. E, claro, acompanhar de perto a decisão da Suprema Corte – porque, como vimos ao longo da história, um único veredito pode mudar tudo.
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*Este artigo foi escrito de forma independente e busca oferecer uma visão prática e acessível sobre um tema complexo. As informações são baseadas em fontes públicas e podem evoluir conforme novos desdobramentos.*



