Depois de 25 anos de negociações, a assinatura do acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia finalmente aconteceu em Assunção, no Paraguai. Para quem acompanha a economia do país, o momento tem o peso de uma grande virada: abrir novos mercados, reduzir tarifas e, quem sabe, trazer mais empregos para a nossa indústria.
Por que esse acordo é tão importante?
Em termos simples, o bloco sul‑americano ganha acesso facilitado a um dos maiores blocos consumidores do mundo – a UE, que reúne cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22 trilhões. Isso significa mais oportunidades para exportar produtos como soja, carne, café e até bens de tecnologia.
O que muda na prática para as empresas brasileiras?
Os números falam alto: hoje o Brasil responde por mais de 82 % das importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79 % das exportações do bloco para o velho continente. Com a redução ou eliminação gradual de tarifas – que atualmente chegam a mais de 90 % do comércio total entre os blocos – os custos de exportação caem, tornando nossos produtos mais competitivos.
- Tarifas menores: produtos agrícolas e industriais terão impostos reduzidos, o que pode baixar o preço final no mercado europeu.
- Regras claras: o acordo traz normas comuns sobre padrões regulatórios, facilitando a certificação de produtos.
- Investimento estrangeiro: empresas europeias podem se sentir mais seguras para investir em fábricas e centros de distribuição no Brasil.
Essas mudanças podem beneficiar desde grandes exportadores até pequenos produtores que, antes, tinham dificuldades para atender a exigências burocráticas.
Além da Europa: a estratégia global do Brasil
O governo já deixa claro que a parceria com a UE não é um fim em si, mas parte de uma estratégia mais ampla de diversificação de mercados. Desde 2023, o Brasil fechou acordos com Singapura e com a EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça). Em paralelo, negociações avançam com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Vietnã e até com a Índia, que já tem um acordo de preferências tarifárias em pauta.
Outro ponto de destaque é a recente parceria estratégica com o Japão, que abre portas para tecnologia e cooperação em áreas como energia limpa e inovação.
Desafios ainda pela frente
Apesar da assinatura, o tratado ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos de todos os países envolvidos – um processo que costuma ser moroso, principalmente na UE, onde cada Estado-membro tem que aprovar o acordo. Além disso, há preocupações internas: setores da agricultura que temem concorrência mais forte e grupos ambientais que cobram garantias de proteção ao meio ambiente.
O presidente Lula, ao receber a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, descreveu o acordo como “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”. Ele ressaltou que a parceria vai além da economia, envolvendo valores como democracia, Estado de Direito e direitos humanos.
O que isso significa para você?
Se você é consumidor, pode notar produtos europeus com preços mais competitivos no Brasil nos próximos anos, já que a redução de tarifas funciona nos dois sentidos. Se você tem uma pequena empresa ou pensa em exportar, o cenário muda drasticamente: menos burocracia, custos menores e um mercado consumidor gigantesco ao alcance.
Para quem trabalha em setores como agronegócio, indústria ou tecnologia, vale a pena ficar atento às novas regras de certificação e às oportunidades de parcerias com empresas europeias que buscam fornecedores confiáveis.
Perspectivas de longo prazo
Os analistas apontam que, se tudo correr bem, a zona de livre comércio entre Mercosul e UE pode se tornar a maior do mundo, superando até o acordo entre a UE e o Canadá (CETA). Isso traria um impulso significativo ao PIB brasileiro, gerando crescimento econômico e, potencialmente, mais empregos.
Entretanto, o sucesso depende de como os governos nacionais vão lidar com questões sensíveis, como a proteção do meio ambiente e a garantia de condições justas para trabalhadores. O acordo inclui cláusulas sobre padrões trabalhistas e ambientais, mas a fiscalização será crucial.
Em resumo, a assinatura do acordo é um marco histórico que abre portas para o Brasil em escala global. Ainda há trabalho pela frente, mas a tendência é clara: mais integração, mais oportunidades e, esperamos, mais prosperidade para todos.



