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Venda de veículos novos em 2025: o que os números dizem e como isso afeta o seu bolso

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Venda de veículos novos em 2025: o que os números dizem e como isso afeta o seu bolso

Se você acompanha o mercado automotivo, já deve ter notado que 2025 trouxe uma leve alta nas vendas de veículos novos no Brasil – 2,69 milhões de unidades, segundo a Fenabrave. Não parece muito, mas quando a gente coloca esses números em perspectiva, dá pra entender melhor o que está acontecendo nas ruas, nas concessionárias e, principalmente, no nosso dia a dia.



Um panorama rápido dos números

Em 2025, o total de veículos zero quilômetro (carros, comerciais leves, caminhões e ônibus) chegou a 2.689.179 unidades. Isso representa:

  • Um aumento de 2% em relação à projeção do setor (que esperava 3%).
  • Um crescimento de 16,59% comparado a 2023, quando foram 2,3 milhões de veículos.
  • O melhor resultado desde 2019, ano em que o país registrou 2,78 milhões de veículos.

Os números das motocicletas, que o G1 conta separadamente, foram ainda mais expressivos: 2,197,308 unidades emplacadas, alta de 17,13% em relação a 2024.



Por que a projeção de 3% não se concretizou?

Marcelo Ciardi Franciulli, da Fenabrave, apontou dois fatores principais. Primeiro, o vendaval que atingiu a fábrica da Toyota causou interrupções na produção, tirando do mercado um volume considerável de veículos. Segundo, a taxa de juros ainda está alta e a lei do marco legal das garantias não está trazendo a segurança esperada para os consumidores.

Esses dois pontos explicam por que a alta ficou abaixo da expectativa. Enquanto a produção sofreu um choque externo, o ambiente de crédito ainda pesa contra quem pensa em financiar um carro.



Segmentos em detalhe: onde a alta foi mais forte?

Automóveis: 1.996.531 unidades, crescimento de 2,49% em relação a 2024. O mês de dezembro viu queda de 15,77% frente a novembro, mas ainda assim terminou o ano com 11,02% a mais que o mesmo período de 2024.

Comerciais leves: 552.931 unidades, alta de 2,91% em 2025. Dezembro foi um mês positivo, com aumento de quase 25% em relação a novembro.

Caminhões e ônibus: 139.717 unidades, queda de 6,26% contra 2024. Apesar da diminuição, dezembro ainda registrou alta de 7,64% em relação a novembro.

Esses números mostram que, apesar da desaceleração em alguns segmentos, a demanda por veículos de carga e transporte coletivo ainda tem força, embora vulnerável a ciclos econômicos.

O que o programa Carro Sustentável tem a ver com tudo isso?

O programa, que reduz o IPI para veículos populares, foi citado como um dos fatores positivos que ajudaram a manter as vendas em alta. Sérgio Dante Zonta, vice‑presidente da Fenabrave, acredita que a ampliação do benefício para comerciais leves e modelos de maior valor poderia sustentar o crescimento em 2026.

A economista Tereza Fernandez, consultora da federação, vai um passo além: defende que o programa seja estendido também a híbridos e elétricos. Se isso acontecer, a gente pode esperar um impulso nas vendas de veículos mais limpos, o que, além de ser bom para o meio ambiente, pode abrir novas oportunidades de financiamento com taxas diferenciadas.

Projeções para 2026: o que esperar?

A Fenabrave estima um crescimento de 3% em 2026, o que levaria o total de veículos vendidos a 2.625.912 unidades. As previsões por segmento são:

  • Automóveis e comerciais leves: alta de 3% (para 2.625.912 unidades).
  • Caminhões: alta de 3,5% (para 114.752 unidades).
  • Ônibus: alta de 3% (para 29.709 unidades).

Essas projeções ainda dependem de três variáveis que Tereza Fernandez destacou: crédito disponível, nível de inadimplência e a relação dívida/PIB, que tem subido nos últimos trimestres.

Como isso impacta o consumidor?

Para quem pensa em comprar um carro novo, alguns pontos são relevantes:

  1. Taxas de juros: ainda altas, o que encarece o financiamento. Vale a pena pesquisar opções de consórcio ou esperar por promoções que ofereçam juros menores.
  2. Programas de incentivo: o Carro Sustentável pode reduzir o preço final de modelos de entrada. Se você estiver considerando um carro popular, vale conferir se ele está na lista de beneficiados.
  3. Veículos elétricos e híbridos: caso o programa seja ampliado, pode ser a hora de repensar a compra de um carro mais sustentável, que pode vir com descontos de IPI e, a longo prazo, custos menores de combustível.
  4. Condições de crédito: com a restrição de crédito, a aprovação de financiamento pode ser mais difícil. Ter a documentação em dia e um bom score de crédito ajuda muito.

Além disso, a alta nas vendas de motocicletas indica que muitas famílias estão optando por um segundo veículo mais barato, principalmente para entregas e deslocamentos urbanos. Se você ainda não tem um carro, talvez a moto seja uma alternativa prática, sobretudo em grandes centros como São Paulo.

Visão de futuro: o que pode mudar nos próximos anos?

O mercado automotivo brasileiro está em um ponto de transição. A combinação de fatores externos – como a guerra na Ucrânia e políticas comerciais nos EUA e México – e internos – como a taxa de juros e a legislação de garantias – cria um cenário de incerteza, mas também de oportunidade.

Se o governo e a indústria conseguirem alinhar incentivos para veículos mais limpos, reduzir a burocracia de financiamento e melhorar a confiança dos consumidores, podemos ver um salto nas vendas de carros elétricos nos próximos cinco anos. Isso também abriria espaço para novas infraestruturas de carregamento, empregos na cadeia de produção verde e, claro, menos poluição nas cidades.

Por outro lado, se a taxa de juros permanecer alta e o crédito continuar restrito, a demanda pode estagnar, principalmente nos segmentos de maior valor. Nesse caso, as montadoras podem focar mais em modelos populares e em estratégias de pós‑venda para manter a rentabilidade.

Conclusão

Em resumo, a alta de 2% nas vendas de veículos novos em 2025 mostra que o mercado ainda tem força, mas enfrenta desafios significativos. O programa Carro Sustentável surge como um ponto positivo, mas sua expansão será crucial para manter o ritmo de crescimento. Para o consumidor, a mensagem é clara: fique de olho nas taxas de juros, aproveite os incentivos fiscais e, se possível, considere opções mais sustentáveis.

O futuro do automóvel no Brasil depende tanto das decisões de política pública quanto das escolhas individuais de cada motorista. Seja qual for a sua decisão – comprar, esperar ou optar por outro tipo de veículo – entender o contexto ajuda a fazer a escolha certa para o seu bolso e para o planeta.