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Por que a União pagou R$ 11,1 bilhões em dívidas de estados e municípios em 2025? Entenda o que isso significa para o seu bolso

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Por que a União pagou R$ 11,1 bilhões em dívidas de estados e municípios em 2025? Entenda o que isso significa para o seu bolso

A notícia de que o Governo federal desembolsou R$ 11,1 bilhões em dívidas atrasadas de estados e municípios em 2025 pode parecer apenas mais um número nos relatórios do Tesouro. Mas, quando a gente para para analisar, dá para perceber como esse movimento impacta a economia do país, a gestão pública e, no fim das contas, a vida de quem paga impostos.



## O que está por trás desses pagamentos?

A Secretaria do Tesouro Nacional atua como garantidora de operações de crédito que estados e municípios fazem junto a bancos. Quando a administração local não consegue honrar as parcelas, a União entra em cena, paga o que está em atraso e depois tenta recuperar o valor. Essa garantia costuma trazer juros menores para o ente federativo, o que, teoricamente, facilita o acesso a recursos.

Em 2025, os pagamentos somaram R$ 11,1 bilhões, distribuídos da seguinte forma:

– **Estados:** Rio de Janeiro (R$ 4,69 bi), Minas Gerais (R$ 3,55 bi), Rio Grande do Sul (R$ 1,59 bi), Goiás (R$ 888 mi) e Rio Grande do Norte (R$ 226 mi).
– **Municípios:** Taubaté (SP) – R$ 64,7 mi, São Gonçalo do Amarante (RN) – R$ 29,76 mi, Sobral (CE) – R$ 19,7 mi, Paraupebas (PA) – R$ 9,64 mi, Iguatu (CE) – R$ 4,59 mi, Santanópolis (BA) – R$ 870 mil, Porto Nacional (TO) – R$ 590 mil e Paranã (TO) – R$ 580 mil.

Esses valores são parte de um histórico que, desde 2016, já totaliza R$ 86,52 bilhões pagos pela União. Desses, apenas R$ 5,7 bilhões foram efetivamente recuperados, o que mostra que a maioria dos recursos ainda está em aberto.



## Por que a União tem que pagar?

Quando um estado ou município contrai um empréstimo com a União como garantidora, ele aceita algumas regras:

– **Taxas de juros menores:** Por ter o respaldo federal, o crédito sai mais barato.
– **Obrigação de repassar recursos:** Se a dívida não for paga, a União paga e depois aciona mecanismos de recuperação, como bloqueios nos repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE) ou dos Municípios (FPM).
– **Recuperação judicial:** Alguns entes conseguem impedir o bloqueio na Justiça, como aconteceu com Taubaté (SP) e São Gonçalo do Amarante (RN). Isso complica ainda mais a tarefa de reaver o dinheiro.

Além disso, há regimes especiais, como o **Regime de Recuperação Fiscal (RRF)**, que suspende as cobranças enquanto o estado cumpre um plano de ajuste. Atualmente, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul estão nesse regime.



## O que isso significa para o contribuinte?

Para quem paga imposto de renda, IPTU ou ICMS, a notícia pode gerar duas sensações diferentes:

1. **Alívio imediato:** Quando a União paga a dívida, o crédito que o estado ou município precisava volta a fluir. Isso pode evitar cortes em serviços públicos como saúde, educação e segurança.
2. **Custo futuro:** O dinheiro que a União desembolsa vem do Tesouro, que é financiado pelos mesmos tributos que você paga. Se a recuperação dos valores for baixa, o déficit pode ser repassado em forma de aumento de impostos ou redução de investimentos.

Em termos práticos, se a sua cidade está entre as que receberam apoio, pode ser que você perceba menos interrupções nos serviços. Mas, se o governo federal precisar equilibrar as contas, pode haver ajustes nas políticas fiscais que afetam a sua renda.

## Como funciona a recuperação de crédito?

Depois que a União paga a dívida, inicia‑se um processo de recuperação que costuma envolver:

– **Bloqueio de repasses:** O FPE ou o FPM são parcialmente retidos até que o devedor quite a dívida.
– **Contratos de refinanciamento:** Em casos de estados em regime de recuperação fiscal, o pagamento pode ser parcelado em até 360 meses, com juros e correções.
– **Negociações judiciais:** Quando o ente recorre à Justiça, o processo pode se arrastar, aumentando o custo para o erário.

Essas medidas buscam garantir que o dinheiro público não se perca, mas a eficácia depende da capacidade de cobrança e da saúde fiscal dos entes federados.

## O panorama futuro: o que esperar?

Alguns pontos merecem atenção nos próximos anos:

– **Expansão do Propag:** Minas Gerais e Goiás já concluíram o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas (Propag). Outros estados podem seguir o caminho, o que reduziria a necessidade de intervenções da União.
– **Revisão das garantias:** Há discussões no Congresso sobre limitar ou redefinir o papel da União como garantidora, para evitar que o Tesouro fique sobrecarregado.
– **Impacto nas contas públicas:** Se a taxa de recuperação permanecer baixa, o governo federal pode precisar ajustar o orçamento, o que pode repercutir em programas sociais.

Para quem acompanha a política fiscal, vale ficar de olho nas negociações entre o Tesouro e os estados, nos relatórios de garantias honradas e nas decisões judiciais que podem mudar o cenário.

## Dicas práticas para quem quer entender melhor

– **Acompanhe o Relatório de Garantias Honradas:** Ele traz os números detalhados e permite comparar o que foi pago versus o que foi recuperado.
– **Observe o FPM e o FPE:** Se houver bloqueios, isso pode sinalizar problemas de pagamento dos municípios ou estados.
– **Fique atento às notícias locais:** Muitas vezes, a imprensa municipal traz explicações sobre como esses pagamentos afetam projetos de infraestrutura ou serviços públicos.

Em resumo, os R$ 11,1 bilhões pagos em 2025 são mais que um número: são um reflexo da complexa relação entre União, estados e municípios. Entender como funciona essa dinâmica ajuda a perceber onde o dinheiro público está sendo usado e quais são os riscos para a economia do país.

Se você tem dúvidas sobre como isso pode impactar seu município ou quer saber mais sobre as políticas de crédito público, deixe seu comentário. Vamos conversar e descomplicar esse assunto juntos!