Radar Fiscal

Trump diz que não vai demitir Powell: o que isso significa para a economia dos EUA

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Trump diz que não vai demitir Powell: o que isso significa para a economia dos EUA

Quando o presidente Donald Trump apareceu na entrevista à Reuters na última quarta‑feira, ele deixou claro que, apesar da investigação criminal que paira sobre Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), não tem planos imediatos de tirá‑lo do cargo. A frase “não tenho nenhum plano para fazer isso” ecoou nos corredores de Wall Street e nos feeds de notícias ao redor do mundo. Mas, para quem não acompanha de perto a política monetária, o que realmente está em jogo? Vamos destrinchar esse assunto de forma simples, sem jargões e com exemplos do dia a dia.



## Por que o Fed importa tanto?

O Federal Reserve, ou simplesmente Fed, é o banco central dos Estados Unidos. Ele tem duas funções principais: controlar a inflação e garantir a estabilidade do sistema financeiro. Faz isso ajustando a taxa de juros, comprando ou vendendo títulos e regulando bancos. Quando o Fed decide subir ou baixar os juros, isso afeta tudo – desde o preço do financiamento da casa até o rendimento da poupança.

Imagine que a taxa de juros seja o termostato da economia. Se está muito quente (inflação alta), o Fed aumenta o termostato (aumenta juros) para esfriar. Se está frio (crescimento fraco), ele abaixa o termostato (reduz juros) para aquecer. Essa analogia ajuda a entender por que a escolha de quem lidera o Fed tem repercussões globais.



## A investigação contra Powell: o que há por trás?

A investigação criminal, iniciada pelo Departamento de Justiça, gira em torno de um projeto de US$ 2,5 bilhões para reformar dois edifícios históricos do complexo da sede do Fed. O governo de Trump acusa Powell de supostos custos excessivos. Powell, por sua vez, nega qualquer irregularidade e acusa o presidente de usar a investigação como pressão para forçar uma política de juros mais baixa.

Esse tipo de disputa não é novo. Ao longo da história dos EUA, presidentes já tentaram influenciar o Fed para atender a agendas políticas. Contudo, a independência do banco central é considerada um pilar da credibilidade econômica americana. Quando essa independência é questionada, investidores estrangeiros podem perder confiança no dólar, o que pode elevar os custos de importação e gerar inflação.

## O que Trump realmente quer?

Trump tem sido bastante crítico ao ritmo de redução de juros adotado por Powell. O presidente prefere juros mais baixos, argumentando que isso estimularia o consumo e ajudaria a conter o custo de vida – um tema sensível nas eleições de meio de mandato que se aproximam. Ele mencionou dois possíveis substitutos para Powell: Kevin Warsh, ex‑diretor do Fed, e Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional. Ambos são vistos como mais alinhados com a visão de Trump de uma política monetária expansionista.

### Possíveis cenários

– **Mantém Powell até 2028**: Caso a investigação não resulte em acusações formais, Powell pode continuar no cargo até o fim de seu mandato em 2028, mantendo a política de juros estável.
– **Substituição antecipada**: Se Trump conseguir pressionar o Congresso a apoiar um novo nome, poderíamos ver uma mudança de direção, possivelmente com juros mais baixos.
– **Crise de confiança**: Uma disputa acirrada pode gerar volatilidade nos mercados, com o dólar perdendo valor e a inflação subindo.



## Por que isso importa para você?

Mesmo que você não tenha investimentos em dólares ou não esteja acompanhando a Bolsa de Nova York, a política do Fed tem reflexos no Brasil. Quando o Fed altera a taxa de juros, o real costuma reagir: juros mais altos nos EUA atraem capital estrangeiro, valorizando o dólar e desvalorizando o real. Isso encarece produtos importados, aumenta a pressão inflacionária e pode forçar o Banco Central do Brasil a ajustar sua própria taxa de juros.

Além disso, a expectativa de inflação nos EUA influencia as decisões de empresas globais sobre onde investir. Se houver instabilidade nos Estados Unidos, investidores podem buscar alternativas mais seguras, como a Europa ou a Ásia, o que afeta o fluxo de capitais e, consequentemente, a disponibilidade de crédito no Brasil.

## O que os bancos centrais do mundo estão dizendo?

Recentemente, dirigentes de vários bancos centrais emitiram uma nota conjunta em apoio a Jerome Powell, defendendo a importância da independência do Fed. Essa solidariedade internacional reforça a ideia de que a estabilidade monetária dos EUA tem impactos globais. Quando grandes economias como a União Europeia, Japão e Reino Unido expressam apoio, isso sinaliza ao mercado que, apesar das tensões internas, a política do Fed deve permanecer previsível.

## Como acompanhar a situação?

– **Acompanhe as declarações do Fed**: As reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) são transmitidas ao vivo e resumidas em notas de imprensa.
– **Fique de olho nas notícias sobre a investigação**: Se houver indícios de processos formais, isso pode acelerar a saída de Powell.
– **Observe a reação dos mercados**: Flutuações no índice DXY (dólar americano) e nos rendimentos de títulos do Tesouro dos EUA são indicadores úteis.

## Conclusão

A frase de Trump – “não tenho nenhum plano para demitir Powell” – pode parecer simples, mas carrega um peso enorme. Enquanto a investigação segue, o futuro da política monetária dos EUA fica em aberto, e isso afeta diretamente a economia global, incluindo a nossa realidade aqui no Brasil. Seja qual for o desfecho, o mais importante é acompanhar as decisões e entender como elas podem influenciar seu bolso, seja na taxa de câmbio, nos juros dos empréstimos ou no preço dos produtos importados.

Se você tem dúvidas sobre como proteger seu patrimônio em tempos de incerteza, vale conversar com um especialista financeiro. E, claro, continue acompanhando o blog para análises mais detalhadas sobre economia, política e como esses temas se cruzam no nosso dia a dia.