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Superávit recorde da China em 2025: o que isso significa para o Brasil e o mundo

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Superávit recorde da China em 2025: o que isso significa para o Brasil e o mundo

A China acabou de anunciar um superávit comercial histórico: quase US$ 1,2 trilhão em 2025. Quando eu li a notícia, a primeira coisa que pensei foi: “Uau, isso é enorme!”. Mas, além do número impressionante, o que realmente importa são as consequências desse resultado para a gente, aqui no Brasil, e para a economia global.



## Por que a China bateu esse recorde?

A resposta está em duas frentes que se complementam. Primeiro, as exportações chinesas cresceram 6,6% em dezembro, bem acima das expectativas dos analistas (que previam 3%). Esse salto foi impulsionado pela estratégia de diversificação que o governo chinês vem incentivando há alguns anos. Ao invés de depender quase que exclusivamente dos Estados Unidos, as fábricas chinesas passaram a mirar mercados como Sudeste Asiático, África e América Latina.

Segundo, o yuan se manteve relativamente fraco, o que torna os produtos chineses ainda mais competitivos no exterior. Mesmo com as tarifas impostas por Donald Trump, que ainda pesam sobre as exportações para os EUA, a China conseguiu compensar a perda de mercado encontrando novos compradores.



## O papel das tarifas de Trump

Quando Trump voltou à Casa Branca, ele trouxe de volta a política de tarifas agressivas contra a China. O objetivo era claro: pressionar Pequim a mudar suas práticas comerciais. No entanto, o efeito colateral foi inesperado – as empresas chinesas aceleraram a busca por novos destinos.

* **Redução das exportações para os EUA:** – 20% a menos em dólares em 2025.
* **Aumento das exportações para a África:** +25,8%.
* **Crescimento nas exportações para o bloco ASEAN:** +13,4%.
* **Expansão para a UE:** +8,4%.

Esses números mostram que, ao invés de ser um golpe fatal, as tarifas funcionaram como um empurrão para a China ampliar sua presença em outros continentes. E isso tem um efeito cascata: mais produção fora da China, mais cadeias de suprimentos globais mais complexas, e, claro, mais competição para os produtores locais.



## O que isso traz para o Brasil?

Aqui no Brasil, a relação comercial com a China já era forte, principalmente nas exportações de commodities como soja, minério de ferro e carne. Agora, com a China buscando diversificar ainda mais, surgem duas oportunidades claras:

1. **Maior demanda por commodities brasileiras** – A China continua sendo o maior importador de soja do mundo e, com as tensões nos EUA, está ainda mais dependente da produção sul‑americana. O aumento das exportações chinesas de soja para a América do Sul em 2025 reforça essa tendência.
2. **Entrada de produtos manufaturados chineses em novos setores** – À medida que a China investe em fábricas no Sudeste Asiático e na África, pode acabar trazendo componentes e tecnologias mais baratas para o Brasil, afetando indústrias locais como a de eletrônicos e automóveis.

Para quem tem um pequeno negócio, isso pode significar preços mais competitivos para insumos importados, mas também mais concorrência para produtos fabricados no país. É um cenário de risco e oportunidade ao mesmo tempo.

## Desafios que a China ainda enfrenta

Apesar do número impressionante, a situação não é totalmente rosada. Os economistas apontam alguns pontos críticos:

– **Demanda interna fraca:** O consumo doméstico chinês tem se mantido abaixo do potencial, gerando capacidade ociosa nas fábricas.
– **Setor imobiliário em crise:** O mercado de imóveis continua vulnerável, o que pode puxar a economia para baixo.
– **Pressões internacionais:** Cada vez mais países questionam as práticas comerciais chinesas, o que pode levar a novas barreiras ou sanções.

Esses fatores podem limitar o ritmo de crescimento das exportações e, consequentemente, a sustentabilidade do superávit.

## Olhando para o futuro (2026 e além)

O que esperar nos próximos anos? Alguns cenários possíveis:

* **Continuação da diversificação:** Se a China mantiver a estratégia de abrir centros de produção fora de suas fronteiras, poderemos ver ainda mais produtos “Made in China” circulando em mercados emergentes.
* **Ajustes nas políticas tarifárias dos EUA:** Caso a Suprema Corte dos EUA decida contra as tarifas de Trump, o fluxo comercial entre os dois países pode mudar novamente, talvez favorecendo um retorno parcial das exportações chinesas para os EUA.
* **Inovações tecnológicas:** A China tem investido pesado em tecnologia de ponta – chips, IA, energias renováveis. Se esses setores decolarem, o país pode ganhar ainda mais participação nos mercados de alta tecnologia.

## Como você pode se preparar?

Se você acompanha a economia ou tem algum negócio que depende de importação/exportação, vale a pena ficar de olho nos seguintes pontos:

– **Acompanhar a cotação do yuan:** Uma moeda mais fraca pode tornar produtos chineses ainda mais baratos.
– **Monitorar acordos comerciais:** Qualquer mudança nos acordos entre China, EUA e UE pode impactar tarifas e, por consequência, preços.
– **Explorar novos fornecedores:** Diversificar a base de fornecedores pode reduzir riscos de dependência de um único país.
– **Investir em diferenciação:** Se a concorrência chinesa se intensificar, oferecer produtos com valor agregado ou foco em nichos pode ser a chave para se destacar.

Em resumo, o superávit recorde da China é um sinal de que o gigante asiático está se adaptando rapidamente às pressões externas. Para nós, isso significa mais opções, mas também mais competição. Acompanhar de perto essas mudanças e ajustar estratégias pode fazer a diferença entre aproveitar oportunidades ou ser surpreendido pelos desafios.

*Este post foi escrito com base em informações divulgadas pela Reuters e analisadas por especialistas em comércio internacional. As opiniões expressas são minhas, baseadas em pesquisa e experiência pessoal.*