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Master: Haddad defende o Banco Central e alerta sobre a maior fraude bancária do Brasil

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Master: Haddad defende o Banco Central e alerta sobre a maior fraude bancária do Brasil

Na última segunda‑feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a se posicionar sobre a liquidação do Banco Master, um caso que já está sendo rotulado como a possível maior fraude bancária da história recente do país. A conversa foi direta, sem rodeios: o BC, liderado por Gabriel Galípolo, tomou a decisão de liquidar a instituição, e o governo tem acompanhado cada passo, buscando entender o que realmente aconteceu e como proteger o contribuinte.



Mas o que exatamente significa “liquidação” neste contexto? Em termos simples, quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar, ele nomeia um liquidante. Esse profissional assume o controle dos ativos, vende bens, paga credores na ordem prevista em lei e, ao final, extingue a instituição. No caso do Master, a medida foi tomada em novembro do ano passado, depois que investigações apontaram negócios suspeitos de venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões.



Haddad enfatizou que tem conversado quase diariamente com Galípolo, oferecendo todo o respaldo institucional da Fazenda. Ele também destacou a conexão entre o caso Master e a operação “Carbono Oculto”, deflagrada em agosto de 2025, que investigou um esquema de fraude tributária, lavagem de dinheiro e a presença do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. Segundo o ministro, há indícios de que os dois casos possam estar interligados, o que ele chama de “uma conexão que está sendo apurada”.

Além do diálogo com o BC, Haddad tem mantido contato com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo. Os dois se reuniram para encontrar um caminho que concilie a autonomia do Banco Central com a capacidade de fiscalização do TCU. Após a reunião, o presidente do TCU afirmou que o BC concordou em permitir uma inspeção técnica sobre o Master, o que indica um esforço conjunto para esclarecer os fatos e, quem sabe, ressarcir os prejuízos.

É importante entender por que essa inspeção gera tanto debate. O TCU, como órgão de controle externo, tem o dever de fiscalizar a aplicação de recursos públicos, enquanto o Banco Central detém a prerrogativa exclusiva de regular e, quando necessário, liquidar instituições financeiras. O equilíbrio entre esses dois poderes é delicado: uma intervenção excessiva do TCU poderia ser vista como invasão de competência, enquanto a falta de transparência do BC poderia gerar desconfiança na população.

O ministro Haddad, ao comentar a situação, ressaltou que a transparência é fundamental. Ele afirmou que “toda transparência pode ajudar” e que confia plenamente no trabalho técnico realizado por Galípolo e sua equipe. Essa confiança não é apenas retórica; ela reflete a necessidade de mostrar ao cidadão que o Estado tem mecanismos robustos para lidar com fraudes de grande escala.

Mas, afinal, por que o caso Master tem o potencial de ser a maior fraude bancária do Brasil? Primeiro, o volume envolvido – mais de R$ 12 bilhões – é gigantesco. Segundo, a suposta fraude envolveu a venda de carteiras de crédito a um banco estatal (BRB), o que levanta questões sobre a supervisão e a governança desses processos. Por fim, a repercussão política e econômica é enorme, já que o sistema financeiro brasileiro depende da confiança dos investidores e da população na solidez das instituições.

Para o leitor comum, o que isso significa na prática? Em termos de proteção ao consumidor, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado para ressarcir investidores dentro dos limites legais. Isso traz um alívio imediato para quem tinha dinheiro investido no Master, mas também gera dúvidas sobre a eficácia dos mecanismos de prevenção de fraudes. Se o FGC cobre apenas até determinado valor, quem tem investimentos acima desse teto pode ficar vulnerável.

Além disso, o caso traz lições importantes sobre a importância da vigilância constante. Bancos, corretoras e demais instituições financeiras precisam ter controles internos rígidos, e os órgãos reguladores devem estar atentos a sinais de risco. A colaboração entre o BC, a Fazenda e o TCU, como sugerido por Haddad, pode servir de modelo para futuros episódios.

Outro ponto que merece atenção são as implicações fiscais. Haddad aproveitou a coletiva para comentar as contas públicas de 2025, indicando que o governo deve fechar o ano com um déficit de apenas 0,1 % do PIB, dentro da margem permitida de 0,25 %. Embora o número pareça pequeno, ele inclui exceções como precatórios, que podem chegar a R$ 75,8 bilhões sem que a meta fiscal seja oficialmente descumprida. Essa flexibilidade tem sido alvo de críticas de analistas, que argumentam que ela pode dificultar o verdadeiro equilíbrio fiscal.

Em resumo, o caso Master nos mostra como fraudes de grande porte podem impactar não só o setor bancário, mas também a política fiscal e a confiança da população nas instituições. A atuação conjunta entre o Banco Central, a Fazenda e o TCU, embora ainda em fase de ajustes, demonstra que há um esforço real para enfrentar o problema de forma transparente e técnica.

Para quem acompanha a economia do país, fica a lição de que a vigilância deve ser constante, e que a cooperação entre diferentes órgãos pode ser a chave para evitar que situações semelhantes se repitam. Se você tem investimentos ou simplesmente quer entender como o sistema financeiro funciona, vale a pena ficar de olho nas próximas decisões do BC e nas investigações que ainda estão em curso.



O futuro ainda reserva muitas incógnitas sobre o desfecho da fraude do Master, mas o que fica claro é a necessidade de fortalecer os mecanismos de controle e garantir que a transparência seja a regra, não a exceção.