Na última sexta-feira (9), o dólar deu uma leve recuada e fechou em R$ 5,36, enquanto o Ibovespa subiu 0,27 %, chegando a 163.370 pontos. Pode parecer só mais um número de mercado, mas, na prática, esses movimentos têm reflexos bem próximos da gente – seja na conta do supermercado, no financiamento do carro ou nas expectativas de investimento.
Por que o dólar caiu?
O recuo de 0,44 % no dólar tem duas explicações principais. Primeiro, o relatório de emprego dos Estados Unidos (payroll) mostrou que foram criadas apenas 50 mil vagas em dezembro, bem abaixo dos 60 mil esperados. Esse número mais fraco reduz a pressão sobre o Federal Reserve (Fed) para manter os juros altos, o que costuma valorizar o dólar. Segundo, o mercado ainda está de olho na decisão da Suprema Corte dos EUA sobre as tarifas impostas por Donald Trump, o que gera incerteza e faz os investidores recuar um pouco do dólar.
Ibovespa em alta: o que impulsionou a bolsa brasileira?
O índice Bovespa subiu 0,27 % impulsionado, principalmente, pela aprovação do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Depois de 25 anos de negociações, os países da UE votaram a favor do tratado, que abre caminho para a maior zona de livre comércio do mundo. Mesmo precisando ainda da aprovação do Parlamento Europeu e dos EUA, o acordo traz otimismo para os setores de agronegócio e indústria no Brasil.
Além disso, a inflação oficial (IPCA) fechou 2025 em 4,26 %, dentro da meta estabelecida pelo Banco Central. Um índice de preços mais contido ajuda a manter a taxa de juros estável, o que também favorece o mercado de ações.
Como a queda do dólar afeta o consumidor brasileiro?
- Produtos importados mais baratos: itens como eletrônicos, roupas e alguns alimentos importados tendem a ficar mais acessíveis quando o dólar está mais baixo.
- Viagens internacionais: o custo de passagens aéreas e hospedagem no exterior pode cair, o que pode ser uma boa notícia para quem está planejando férias.
- Exportadores beneficiados: apesar de ser bom para quem compra, a desvalorização do dólar pode reduzir a margem de lucro de empresas brasileiras que exportam, já que recebem menos em reais.
O que o acordo UE‑Mercosul pode mudar no nosso dia a dia?
Quando o tratado entrar em vigor, a tarifa sobre produtos agrícolas, como carne bovina, soja e café, será reduzida ou eliminada. Isso abre espaço para que produtores brasileiros conquistem mais mercado na Europa, que conta com cerca de 450 milhões de consumidores. Para o consumidor, a competição pode gerar preços menores e mais variedade nas prateleiras.
Mas nem tudo são flores. Agricultores europeus temem que a concorrência de produtos sul‑americanos, mais baratos, prejudique suas margens. Por isso, alguns países, como França e Irlanda, ainda mostram resistência. O debate está longe de acabar, e isso pode influenciar políticas comerciais e até acordos setoriais nos próximos anos.
Inflação sob controle: o que isso significa para a gente?
Com o IPCA em 4,26 % no fim de 2025, o Banco Central conseguiu manter a inflação dentro da meta (3 % ± 1,5 %). Na prática, isso quer dizer que o aumento de preços está mais previsível, o que ajuda famílias e empresas a planejarem melhor seus gastos e investimentos.
Os maiores aumentos em dezembro vieram nos setores de transportes, saúde e artigos de residência, enquanto a habitação registrou queda. No acumulado do ano, a alta foi puxada por habitação, educação e energia elétrica. Se você sente que a conta de luz está mais cara, não está sozinho – a energia tem sido um dos principais motores da inflação.
O panorama global: o que esperar nos próximos meses?
Nos EUA, a taxa de desemprego caiu para 4,4 %, mas o número de vagas criadas está estagnado. Analistas apontam que, se o mercado de trabalho continuar fraco, o Fed pode ser forçado a cortar juros ainda este ano, o que normalmente enfraqueceria o dólar. Por outro lado, a incerteza política nos EUA – com a possível volta de Donald Trump à presidência – pode gerar volatilidade nos mercados.
Na Europa, os principais índices – STOXX 600, DAX e CAC‑40 – fecharam em alta, impulsionados por boas notícias sobre o acordo comercial e por resultados positivos de empresas como a Glencore. Na Ásia, a bolsa de Xangai bateu recorde de 10 anos, sinalizando otimismo após a retomada do consumo chinês.
O que você pode fazer agora?
- Reveja seus investimentos: se você tem renda fixa atrelada ao dólar, como CDBs ou fundos cambiais, avalie se a queda recente do dólar pode melhorar seus rendimentos.
- Fique de olho nas tarifas de importação: mudanças nas políticas comerciais podem afetar o preço de produtos que você compra regularmente.
- Planeje viagens com antecedência: a desvalorização do dólar pode ser um bom momento para reservar passagens e hotéis.
- Considere a diversificação: com a economia global em movimento, espalhar investimentos entre diferentes setores e moedas pode reduzir riscos.
Em resumo, a combinação de um dólar mais barato, um Ibovespa em alta e a aprovação do acordo UE‑Mercosul cria um cenário de oportunidades, mas também de desafios. A chave está em entender como cada peça afeta o seu bolso e ajustar suas decisões financeiras de acordo.



