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UE e Mercosul selam acordo: o que isso significa para o seu bolso e para o Brasil

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UE e Mercosul selam acordo: o que isso significa para o seu bolso e para o Brasil

Na última sexta‑feira, a Comissão Europeia deu o aval ao acordo comercial com o Mercosul. É a primeira vez que a União Europeia (UE) fecha um tratado que cria a maior zona de livre comércio do planeta. Para quem acompanha notícias de economia, isso pode parecer mais um número em planilhas, mas, na prática, o acordo tem reflexos bem concretos no dia a dia de empresas, produtores e consumidores – tanto na Europa quanto na América do Sul.



Por que esse acordo foi tão esperado?

O Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, representa um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores. Já a UE soma 27 países, com mais de 447 milhões de habitantes. Juntos, eles criam um bloco que ultrapassa a população da China. A ideia central do tratado é reduzir ou eliminar tarifas de importação e exportação ao longo de 15 anos, facilitando a circulação de bens industriais, agrícolas, serviços e investimentos.

Para o Brasil, que responde por cerca de 30 % das exportações do Mercosul, isso abre portas para mais de 9 mil empresas que já vendem para a Europa. O vice‑presidente Geraldo Alckmin destacou que o acordo pode gerar produtos mais baratos e de melhor qualidade, além de atrair investimentos europeus para o nosso continente.



Como o acordo afeta diferentes setores?

Agronegócio: A eliminação gradual de tarifas beneficia exportadores de soja, carne bovina, café e frutas. Com menos impostos, esses produtos ficam mais competitivos no mercado europeu, o que pode ampliar a demanda e impulsionar a renda dos produtores.

  • Redução de até 92 % das tarifas sobre exportações do Mercosul para a UE.
  • Eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em impostos anuais sobre exportações da UE.

Indústria: Setores como automóveis, máquinas e produtos químicos também ganham espaço. A padronização de normas técnicas reduz custos de certificação e facilita a entrada de produtos brasileiros nas prateleiras europeias.

Consumidor: No curto prazo, podemos ver vinhos europeus mais baratos nas lojas brasileiras e, inversamente, chocolates premium e cafés de origem sul‑americana com preços mais acessíveis na Europa.



Os desafios que ainda permanecem

Mesmo com a maioria dos 27 Estados‑membros apoiando o tratado, a aprovação final depende do Parlamento Europeu. Países como França e Irlanda ainda se opõem, temendo que a entrada de produtos agrícolas mais baratos prejudique seus agricultores. Na França, protestos de produtores rurais foram intensos, e o governo de Emmanuel Macron declarou voto contra o acordo.

Além das questões tarifárias, há preocupações ambientais. A UE quer garantir que as exportações do Mercosul respeitem padrões de sustentabilidade, sobretudo em relação ao desmatamento e às mudanças climáticas. O Brasil, por sua vez, assumiu compromissos de combate ao aquecimento global, o que pode servir de contrapeso nas negociações.

O que muda na prática para quem está fora dos grandes corredores de comércio?

Se você tem uma pequena empresa que produz artesanato, alimentos regionais ou tecnologia, o acordo pode abrir novos horizontes. Por exemplo, um produtor de queijo artesanal no interior de Minas Gerais poderia, em alguns anos, exportar para a França sem enfrentar altas tarifas, contanto que cumpra as normas de qualidade europeias.

Para o consumidor, a diversificação de produtos costuma significar mais opções e preços mais competitivos. Pense nos vinhos: hoje, a maioria dos rótulos nas prateleiras brasileiras vem de países como Chile e Argentina. Com o acordo, vinhos franceses, italianos ou espanhóis podem chegar com custos menores, ampliando a variedade disponível.

Como acompanhar os próximos passos?

O próximo marco será a votação no Parlamento Europeu, prevista para os próximos meses. Enquanto isso, governos da América do Sul já sinalizam a intenção de assinar o texto até 17 de janeiro. Fique de olho nas notícias de comércio exterior, nas declarações de ministérios e nas reações dos setores produtivos – eles costumam ser os primeiros a sentir os efeitos.

Se você tem interesse em exportar ou importar, vale a pena conversar com consultores de comércio exterior, buscar informações sobre certificações exigidas pela UE e analisar quais produtos da sua empresa podem se beneficiar das novas regras tarifárias.

Conclusão: um passo grande, mas ainda em construção

O acordo UE‑Mercosul representa um marco histórico: a maior zona de livre comércio do mundo, que pode gerar bilhões em negócios e criar oportunidades para milhares de empresas. Contudo, a efetividade do tratado depende da ratificação final, da adaptação dos setores produtivos e da capacidade de equilibrar interesses econômicos com questões ambientais e sociais.

Para nós, brasileiros, isso pode significar mais empregos, produtos mais acessíveis e um posicionamento mais forte no cenário global. Mas, como toda mudança, traz desafios que exigirão diálogo entre governos, empresas e sociedade civil. O que você acha? Vale a pena apostar nesse novo caminho de integração?