Na última segunda‑feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a aparecer nos noticiários para defender a atuação do Banco Central (BC) na liquidação do Banco Master. O que começou como uma operação de venda suspeita de carteiras de crédito acabou se transformando, segundo o próprio ministro, na maior fraude bancária da história do país. Mas o que isso realmente significa para a gente, cidadão de bem, e como o governo está lidando com a situação?
O que foi o caso Master?
Em novembro de 2024, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após descobrir que a instituição havia vendido carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB) num volume de R$ 12,2 bilhões, com indícios claros de fraude. A liquidação extrajudicial, como explica o próprio BC, acontece quando um banco não tem mais condições de operar: um liquidante assume, encerra as atividades, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei.
Além da suspeita de fraude, o caso está conectado a outra operação de grande repercussão: a Carbono Oculto. Deflagrada em agosto de 2025, essa megaoperação da Polícia Federal desmantelou um esquema de fraude tributária, lavagem de dinheiro e envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. A ligação entre os dois casos ainda está sendo apurada, mas Haddad já comentou que há uma “conexão” entre a fraude do Master e os fundos envolvidos na Carbono Oculto.
Por que Haddad está defendendo o BC?
Desde o início, Haddad tem mantido contato diário com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Segundo o ministro, o trabalho conjunto entre Fazenda e BC é essencial porque o caso envolve também o Tesouro Nacional, que tem interesse direto em garantir que os recursos públicos não sejam desviados.
“Tenho falado com o presidente do BC quase que diariamente, dando todo respaldo institucional da Fazenda”, disse Haddad. Ele ainda ressaltou que a decisão do BC foi “tecnicamente muito robusta”. Essa defesa não é novidade: em novembro, quando a liquidação foi anunciada, Haddad já havia elogiado a postura firme da autoridade monetária.
Mas a defesa não se restringe ao BC. O ministro também tem conversado com Vital do Rêgo, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU). Em reunião conjunta, o TCU concordou em permitir uma inspeção técnica no BC, reforçando a ideia de que a transparência será a melhor aliada para descobrir quem realmente se beneficiou da fraude.
O que a inspeção no BC pode revelar?
A inspeção, que já foi aceita pelo BC após um recurso interno, tem como objetivo mapear todos os passos que levaram à liquidação do Master. Isso inclui analisar documentos internos, registros de transações e, principalmente, identificar se houve falha de supervisão que poderia ter evitado a fraude.
Para o cidadão, isso pode significar duas coisas:
- Responsabilização: Caso seja comprovado que algum agente interno do BC agiu com negligência ou conivência, haverá punições e, possivelmente, indenizações.
- Segurança futura: O BC pode ajustar seus mecanismos de controle, reduzindo o risco de novos escândalos semelhantes.
Impactos na poupança popular e no FGC
Um ponto que preocupa a maioria das pessoas é a segurança da poupança. Quando o BC ordenou a liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado para cobrir os investidores dentro dos limites legais. Isso significa que, até o teto de R$ 250 mil por depositante, o dinheiro está protegido.
Entretanto, a extensão do dano ainda está sendo mensurada. Se a fraude realmente envolver R$ 12,2 bilhões, parte desse montante pode ser irreversível, especialmente se houver perdas em ativos que não podem ser recuperados. Por isso, a transparência nas investigações é crucial para que o governo possa, eventualmente, ressarcir os prejuízos.
O que isso significa para as contas públicas?
Além do escândalo bancário, Haddad aproveitou a coletiva para falar das contas do governo em 2025. Segundo números preliminares do Tesouro, o déficit deve ficar em torno de 0,1 % do PIB, dentro da margem de tolerância de 0,25 % prevista no arcabouço fiscal. Mesmo considerando precatórios e outras exceções, o déficit não ultrapassaria R$ 75,8 bilhões, o que ainda seria considerado dentro do “limite aceitável”.
Esses números são importantes porque mostram que, apesar da crise bancária, o governo ainda tem espaço fiscal para absorver eventuais custos adicionais, como possíveis indenizações aos investidores lesados.
Como você pode se proteger?
Se você tem investimentos em bancos menores ou em produtos financeiros que não são garantidos pelo FGC, fique atento. Aqui vão algumas dicas práticas:
- Verifique se a instituição está cadastrada no Banco Central e se possui cobertura do FGC.
- Evite concentrar grandes valores em um único banco; diversifique entre diferentes instituições.
- Fique de olho nas notícias sobre auditorias e inspeções; elas costumam ser um alerta precoce de problemas.
- Consulte sempre um especialista antes de investir em produtos de alta complexidade, como carteiras de crédito ou fundos de investimento não regulados.
O que esperar nos próximos meses?
Com a inspeção do TCU ao BC e a continuidade das investigações da Polícia Federal, podemos esperar uma série de revelações nos próximos trimestres. Se a fraude for confirmada como a maior da história, o impacto político será grande, possivelmente gerando pressão por reformas mais rígidas no sistema bancário.
Para nós, leitores, o mais importante é acompanhar as atualizações e entender como essas decisões afetam nossos depósitos, investimentos e, claro, a confiança no sistema financeiro nacional.
Em resumo, o caso Master não é apenas mais um escândalo de corrupção; ele pode redefinir a forma como o Banco Central e o TCU trabalham juntos para proteger a estabilidade econômica do Brasil. Enquanto isso, manter a cautela e estar bem informado continua sendo a melhor estratégia.



