Acabei de conferir os números oficiais do IBGE e, como você provavelmente já viu nas manchetes, o IPCA fechou 2025 com 4,26% de alta. Parece um número pequeno se comparado aos anos de hiperinflação, mas a verdade é que cada ponto percentual tem um efeito direto no que a gente paga todo dia. Neste post, quero conversar de forma simples sobre o que esses números significam, quais grupos de consumo puxaram a inflação e, principalmente, como você pode se organizar para não sentir tanto o peso desses aumentos.
Entendendo o IPCA em poucas linhas
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é a medida oficial da inflação no Brasil. Ele acompanha a variação de preços de uma cesta de bens e serviços que representa o consumo das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. Quando o IPCA sobe, os preços que você paga no supermercado, no combustível ou na conta de luz tendem a subir também.
Em dezembro de 2025, o IPCA subiu 0,33% no mês – um leve aumento em relação a novembro (0,18%). No acumulado do ano, chegamos a 4,26%, que ainda está dentro da meta de tolerância do Banco Central (meta de 3% com faixa de 2% a 4,5%). Mas ficar dentro da meta não significa que a inflação está “boa” para o consumidor; significa apenas que está dentro do intervalo que o BC considera aceitável para a estabilidade da economia.
Quais grupos puxaram a inflação?
O detalhe que costuma passar despercebido nas notícias são os grupos de consumo que realmente movimentam o índice. Em 2025, quatro grupos foram responsáveis por quase 64% da alta anual:
- Habitação: +6,79% no ano – energia elétrica residencial foi o principal vilão, com alta de 12,31%.
- Educação: +6,22% – cursos regulares e diversos subiram mais de 5%.
- Despesas pessoais: +5,87% – inclui roupas, calçados e itens de higiene.
- Saúde e cuidados pessoais: +5,59% – medicamentos, planos de saúde e produtos de beleza.
Esses números mostram que, mesmo que o preço da comida tenha desacelerado (de 7,69% em 2024 para 2,95% em 2025), outros setores que consumimos diariamente ainda estão pressionando o bolso.
O destaque de Transportes
O grupo Transportes registrou alta de 0,74% em dezembro, puxado principalmente pelos aplicativos de mobilidade (+13,79%) e pelas passagens aéreas (+12,61%). O combustível também voltou a subir (0,45% no mês), com o etanol liderando (+2,83%). Se você costuma usar Uber ou fazer viagens de avião, já deve ter sentido o impacto.
O que esses números significam para o seu orçamento?
Vamos colocar a teoria em prática. Imagine que você gaste, em média, R$ 2.000 por mês com despesas essenciais (alimentação, moradia, transporte, saúde). Uma inflação de 4,26% ao ano equivale a um aumento de aproximadamente R$ 85 no seu custo mensal. Parece pouco, mas ao longo de 12 meses isso acumula R$ 1.020 a mais no seu orçamento.
Algumas dicas para driblar esse impacto:
- Reveja contratos de energia: Muitas tarifas mudam de acordo com a bandeira tarifária. Se possível, adote hábitos de consumo mais conscientes (apagar luzes, usar eletrodomésticos em horários de bandeira verde).
- Planeje as viagens: Se o aplicativo de transporte está caro, considere usar transporte público ou combinar caronas. Para passagens aéreas, monitore promoções e compre com antecedência.
- Alimente-se de forma inteligente: Embora a inflação de alimentos tenha desacelerado, itens como café moído (+35,65%) e chocolate (+27,12%) ainda estão caros. Comprar a granel ou em marcas próprias pode aliviar o peso.
- Negocie serviços de saúde: Verifique se seu plano oferece cobertura para os serviços que mais usa e compare preços de farmácias.
Comparativo histórico: onde estamos?
Para entender se 4,26% é realmente alto, vale comparar com anos anteriores. Desde 1995, este foi o quinto menor resultado anual de inflação. Os menores foram:
- 1998 – 1,65%
- 2017 – 2,95%
- 2006 – 3,14%
- 2018 – 3,75%
Em 2024, a inflação foi de 4,83%, então tivemos uma queda de 0,57 ponto percentual. Ainda assim, ainda estamos bem acima da meta de 3% do Banco Central, o que indica que a política monetária ainda tem trabalho a fazer.
Regiões que mais sentiram a alta
O IPCA é calculado nacionalmente, mas há variações regionais importantes. Em dezembro, a maior variação foi em Porto Alegre (+0,57%), impulsionada pela energia elétrica e carnes. Por outro lado, Curitiba registrou queda de -0,22%, graças à queda nos preços da energia e das frutas.
Essas diferenças são relevantes se você pensa em mudar de cidade ou se tem negócios que dependem de cadeias de suprimentos regionais. Por exemplo, quem trabalha com agricultura pode observar que o arroz teve queda de 26,56% – uma boa notícia para quem compra em grande quantidade.
Como o Banco Central reage?
Quando a inflação se aproxima do teto de 4,5%, o Banco Central costuma elevar a taxa Selic para conter a demanda. Em 2025, a Selic ficou em 13,75% (valor hipotético para fins de exemplo). Essa taxa alta encarece o crédito, mas também ajuda a segurar a alta de preços.
Para o cidadão comum, a principal consequência é o custo do empréstimo e do cartão de crédito. Se você tem dívidas, vale a pena renegociar enquanto a taxa ainda está alta – pode conseguir condições melhores se o banco quiser reduzir o risco de inadimplência.
Perspectivas para 2026
Os economistas apontam que, se o cenário de energia elétrica permanecer volátil (com bandeiras tarifárias mudando), a inflação pode oscilar nos próximos meses. Além disso, a recuperação da cadeia de suprimentos pós‑pandemia ainda pode gerar pressões pontuais nos preços de transporte e alimentos.
Mas há também sinais positivos: a desaceleração da alimentação e a queda de alguns itens (arroz, leite) podem compensar parte dos aumentos em outros setores. O que fica claro é que a inflação não é um monstro único; ela é a soma de vários movimentos diferentes.
O que eu faço com essas informações?
Eu costumo usar esses dados para ajustar meu planejamento financeiro trimestral. Se vejo que energia elétrica está alta, reduzo o consumo de ar‑condicionado e invisto em lâmpadas LED. Quando o preço dos combustíveis sobe, dou preferência ao carro híbrido ou à bicicleta para deslocamentos curtos. E, claro, reviso o orçamento da família para garantir que o aumento de 4% no ano não comprometa metas como a reserva de emergência.
Em resumo, a inflação de 4,26% em 2025 está dentro da tolerância do Banco Central, mas ainda representa um custo extra que afeta diretamente o nosso dia a dia. Entender quais grupos puxam a alta nos ajuda a tomar decisões mais conscientes – seja na hora de escolher um plano de energia, de negociar um contrato de aluguel ou de planejar as compras do supermercado.
E você? Já percebeu algum item que subiu mais do que o esperado? Compartilhe nos comentários, vamos trocar ideias e quem sabe encontrar estratégias ainda mais eficazes para driblar a inflação.



