Se você tem acompanhado as notícias sobre concursos públicos, provavelmente já viu a manchete: o IBGE vai contratar mais de 39 mil temporários. Eu também fiquei curioso, porque números assim não aparecem todo dia. Neste post eu vou explicar o que está por trás dessa autorização, quais cargos estão em jogo, como podem ser os salários e, principalmente, como isso pode impactar a sua vida ou a de alguém que você conhece.
Por que o governo liberou tantas vagas?
O ponto de partida é simples: o IBGE tem duas grandes missões de coleta de dados que exigem muita gente nas ruas. Uma delas é o Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, que mapeia a produção no campo. A outra é o Censo da População em Situação de Rua, que busca entender quem vive nas ruas e quais são as necessidades desse grupo vulnerável. Esses trabalhos são intensos, mas de curta duração, e por isso o instituto costuma reforçar o quadro com contratos temporários.
Quais são os cargos disponíveis?
Das mais de 39 mil vagas, a maior parte (27.330) será para o cargo de recenseador. Essa é a gente que vai às casas, às fazendas, às ruas, anotando informações nos formulários eletrônicos. As demais vagas se dividem entre funções de apoio, como agentes de pesquisa, supervisores de coleta, analistas de qualidade e técnicos de apoio logístico. Cada função tem suas particularidades, mas todas exigem um perfil de atenção aos detalhes e boa comunicação.
Quanto podem ser os salários?
A notícia ainda não traz números exatos sobre remuneração. O que se sabe é que o IBGE definirá os valores dentro do seu orçamento, usando a rubrica de “Outras Despesas Correntes”. Historicamente, os salários de recenseadores temporários ficam entre R$ 1.200 e R$ 1.800, dependendo da região e do grau de responsabilidade. Para cargos de supervisão ou analista, o valor costuma ser maior, chegando a R$ 2.500 ou mais. Vale lembrar que esses valores são brutos, ou seja, antes dos descontos de INSS e imposto de renda.
Quando o edital sai?
A portaria que autoriza as contratações foi publicada em 17 de dezembro e dá ao IBGE até seis meses para publicar o edital. Ou seja, esperamos o documento oficial até maio. Até lá, ainda não sabemos as datas de inscrição, aplicação das provas ou divulgação dos resultados. Mas a tendência é que o processo seja rápido, já que a necessidade de mão‑de‑obra é urgente.
Como funciona o processo seletivo?
O concurso será simplificado, o que costuma significar uma prova objetiva com questões de conhecimentos gerais, raciocínio lógico e, em alguns casos, português. Para o cargo de recenseador, costuma haver também uma fase prática, onde o candidato demonstra que sabe usar os equipamentos de coleta de dados (tablet ou celular). Se você tem boa leitura, atenção e disposição para trabalhar ao ar livre, pode ser uma ótima oportunidade.
O que mudou em relação aos concursos anteriores?
Em 2023, o IBGE contratou 8.141 temporários para pesquisas diversas. No ano passado, foram 895 vagas no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) e, atualmente, há um processo em andamento com 9.580 vagas para agentes de pesquisa e supervisores. Portanto, o salto para 39 mil vagas representa um aumento significativo, reflexo da amplitude dos censos que o instituto vai conduzir.
Como se preparar?
- Estude conteúdos básicos: português, matemática e conhecimentos gerais.
- Treine a parte prática: familiarize-se com tablets, aplicativos de coleta e técnicas de entrevista.
- Fique atento ao edital: ele trará detalhes sobre datas, documentos necessários e critérios de avaliação.
- Organize a rotina: trabalhos temporários podem exigir deslocamento para cidades do interior ou regiões de difícil acesso.
Vale a pena se inscrever?
Para quem está em busca de uma renda extra ou de uma experiência profissional que enriqueça o currículo, a resposta costuma ser sim. Além do salário, o concurso do IBGE oferece benefícios como vale‑transporte, alimentação e, em alguns casos, auxílio‑moradia. Também há a chance de contribuir para um levantamento nacional que influencia políticas públicas, o que pode ser gratificante do ponto de vista cívico.
O que esperar do futuro?
Se o IBGE conseguir cumprir o cronograma dos censos, podemos esperar um fluxo constante de vagas temporárias nos próximos anos, especialmente se surgirem novos levantamentos setoriais. Além disso, a experiência adquirida em um concurso desse porte pode abrir portas para concursos de nível permanente, como os da Receita Federal ou da Polícia Federal.
Em resumo, a autorização de mais de 39 mil vagas temporárias pelo IBGE representa uma oportunidade real para quem quer entrar no serviço público, ganhar experiência de campo e ainda receber um salário decente. Fique de olho nas publicações oficiais, prepare-se com antecedência e, quem sabe, você não será um dos próximos recenseadores a percorrer o Brasil coletando dados que vão servir ao país inteiro?



