Radar Fiscal

Por que a poupança perdeu R$ 85,6 bilhões em 2025 e o que isso muda para o seu bolso

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Por que a poupança perdeu R$ 85,6 bilhões em 2025 e o que isso muda para o seu bolso

Se você ainda guarda seu dinheiro na tradicional caderneta de poupança, provavelmente já percebeu que o rendimento não tem sido dos melhores. Em 2025, o Banco Central divulgou que mais dinheiro saiu da poupança do que entrou – um saldo negativo de R$ 85,6 bilhões. Essa é a quinta vez consecutiva que isso acontece, e a primeira vez que a diferença chega ao patamar mais alto desde 2023.



Mas o que está por trás desse número? E, principalmente, como isso afeta a gente que tenta fazer o dinheiro render sem complicação? Vou explicar de forma simples, trazendo o contexto econômico, as mudanças nas regras de crédito imobiliário e, claro, opções práticas para quem quer proteger a poupança ou buscar alternativas mais rentáveis.



O panorama da poupança em 2025

Os dados do BC mostram que, ao longo do ano, os depósitos totalizaram R$ 4,27 trilhões, enquanto as retiradas somaram R$ 4,36 trilhões. O resultado foi um estoque de recursos na poupança de apenas R$ 1,02 trilhão no final de 2025, ligeiramente abaixo dos R$ 1,03 trilhão de dezembro de 2024.

Esses números não surgem do nada. Eles são reflexo de três fatores principais:

  • Juros altos: a taxa Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos.
  • Inflação persistente: o custo de vida continua subindo, corroendo o poder de compra.
  • Baixa atratividade da poupança: o rendimento da caderneta está limitado a 0,5% ao mês + TR, o que, com a Selic alta, fica bem abaixo de outras aplicações.

Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a regra da poupança fixa o rendimento em 0,5% ao mês, mais a variação da Taxa Referencial (TR), que hoje está praticamente zerada. Enquanto isso, títulos públicos, CDBs e até fundos de investimento oferecem retornos entre 100% e 110% do CDI, além da proteção do FGC.



Impacto direto no crédito imobiliário

Um ponto que costuma passar despercebido é que 65% dos recursos captados pelos bancos através da poupança são obrigados a ser direcionados para o crédito habitacional. Quando a base de recursos da poupança encolhe, menos dinheiro está disponível para financiar a compra da casa própria.

Em outubro, o governo anunciou a revisão dessa regra: após um período de transição, o direcionamento obrigatório de 65% será eliminado, assim como os depósitos compulsórios no Banco Central referentes à poupança. A ideia é liberar esses recursos para que os bancos possam ampliar o crédito imobiliário, ajudando quem quer comprar ou reformar um imóvel.

O que os especialistas estão dizendo?

Francisco Weliton Barroso, consultor da Unicred em Porto Alegre, explica que a baixa atratividade da poupança está diretamente ligada à regra de rendimento limitada. Ele afirma que, em 2025, a poupança “acabou perdendo espaço como investimento” e que “outras alternativas de renda fixa se mostraram mais eficientes para proteger e fazer o dinheiro render”.

Já Marcelo Boragini, da Davos Investimentos, recomenda usar a poupança apenas como reserva de emergência – aquele dinheiro que você precisa acessar a qualquer momento sem burocracia. Para o resto, ele sugere diversificar entre Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária e, no médio e longo prazo, títulos do Tesouro IPCA+ e prefixados.

Como reorganizar sua carteira em 2026

Se você ainda não revisou onde está seu dinheiro, 2026 pode ser um bom momento para mudar. Veja algumas dicas práticas:

  • Reserva de emergência: mantenha de 3 a 6 meses de despesas em um investimento de alta liquidez, como Tesouro Selic ou CDB de bancos médios.
  • Renda fixa de médio prazo: considere títulos do Tesouro IPCA+ para proteger contra a inflação e ainda garantir retorno real.
  • Renda variável: se seu perfil permite, aloque parte em ações, ETFs ou Fundos Imobiliários (FIIs). Eles são isentos de IR e podem gerar renda mensal.
  • Evite produtos “mágicos”: como o recente caso do Banco Master, que mostrou que rentabilidade alta nem sempre vem sem risco.

Volatilidade nas eleições de 2026

Um ponto de atenção para quem pensa em investir em bolsa ou fundos é a proximidade das eleições presidenciais. Historicamente, cada pesquisa ou anúncio político pode gerar oscilações bruscas nos mercados. Portanto, se você tem investimentos mais sensíveis a variações, como ações ou FIIs, é prudente manter uma margem de segurança e talvez reduzir a exposição nos meses que antecedem a votação.

Em resumo, a saída de R$ 85,6 bilhões da poupança em 2025 não é apenas um número de balancete do Banco Central. Ela reflete mudanças estruturais no cenário de juros, nas regras de crédito e na preferência dos investidores por produtos mais rentáveis. Se você ainda depende exclusivamente da poupança, vale a pena reavaliar sua estratégia, entender seu perfil de risco e, se necessário, buscar a ajuda de um consultor financeiro.

O futuro da poupança pode ser mais discreto, mas isso abre espaço para quem quer aprender a investir de forma mais inteligente. Que tal começar a pesquisar o Tesouro Direto hoje mesmo? Seu dinheiro agradece.