Em 2025 o Brasil escreveu mais um capítulo de sucesso no agronegócio. Mesmo com o “tarifaço” temporário imposto pelos Estados Unidos, conseguimos exportar 3,5 milhões de toneladas de carne bovina – um salto de 20,9% em relação a 2024. Para quem acompanha o mercado ou simplesmente gosta de saber de onde vem o alimento que chega à mesa, essa notícia traz algumas lições importantes.
## Por que esse recorde importa?
A primeira coisa que me vem à cabeça é a dimensão do número: 3,5 milhões de toneladas equivalem a quase 70 mil vacas por dia, se fossem abatidas simultaneamente. Esse volume movimentou US$ 18,03 bilhões, ou seja, mais de 40% a mais que no ano anterior. Não é só um número bonito; é dinheiro que entra no país, gera empregos nas fazendas, nos frigoríficos, nos transportes e nas áreas de logística.
## Onde a carne brasileira está chegando?
A China continua sendo a principal compradora, respondendo por quase metade das exportações – 1,68 milhão de toneladas, gerando US$ 8,9 bilhões. Mas o mapa de destinos está cada vez mais diversificado:
– **Estados Unidos:** 271,8 mil toneladas (US$ 1,64 bi)
– **Chile:** 136,3 mil toneladas (US$ 754,5 mi)
– **União Europeia:** 128,9 mil toneladas (US$ 1,06 bi)
– **Rússia:** 126,4 mil toneladas (US$ 537,1 mi)
– **México:** 118,0 mil toneladas (US$ 645,4 mi)
Além desses, países como Argélia, Egito e Emirados Árabes Unidos registraram aumentos expressivos, acima de 170% em alguns casos. Essa diversificação reduz a dependência de um único mercado e dá mais segurança ao produtor brasileiro.
## Como o “tarifaço” dos EUA entrou nessa história?
Em meados de 2025 os Estados Unidos anunciaram tarifas adicionais sobre a carne bovina importada do Brasil, alegando questões sanitárias. Foi um choque para o setor, mas a reação foi rápida: os exportadores ajustaram rotas, aumentaram a presença em outros mercados e intensificaram a negociação de acordos bilaterais. O resultado? Mesmo com a barreira temporária, conseguimos manter o crescimento de exportação para os EUA em 18,3% em relação a 2024.
## O que isso traz para o consumidor brasileiro?
Para quem compra carne no supermercado, a notícia pode parecer distante, mas tem reflexos no preço interno. Quando o Brasil vende mais ao exterior, parte da produção é direcionada ao mercado externo, o que pode pressionar os preços internos para cima. Por outro lado, o fortalecimento do setor gera mais investimentos em tecnologia, melhorando a qualidade da carne e reduzindo perdas na cadeia produtiva. Em longo prazo, isso pode equilibrar preços e garantir mais opções de cortes premium.
## Desafios que ainda precisamos enfrentar
Mesmo com esse recorde, alguns pontos merecem atenção:
– **Sustentabilidade:** O aumento da produção deve ser acompanhado de práticas que preservem o solo, a água e a biodiversidade.
– **Qualidade sanitária:** Manter os padrões exigidos pelos mercados mais exigentes, como a UE e os EUA, é crucial para evitar novas tarifas.
– **Logística interna:** Estradas, portos e ferrovias ainda precisam de investimentos para suportar o volume crescente sem gerar gargalos.
## Olhando para 2026: otimismo com realismo
Roberto Perosa, presidente da ABIEC, destaca que o futuro é promissor, mas com pés no chão. As negociações com Japão, Coreia do Sul e Turquia estão avançando, e esses mercados têm grande potencial de consumo. A expectativa é que o Brasil continue a crescer, mas mantendo a qualidade e a competitividade.
## Como você pode se beneficiar desse cenário?
– **Investidor:** Acompanhar empresas de carne bovina listadas na bolsa pode ser uma oportunidade, já que o lucro tende a subir com o aumento das exportações.
– **Consumidor consciente:** Prefira carnes certificadas, que garantem rastreabilidade e boas práticas ambientais.
– **Empreendedor:** Se pensa em abrir um negócio ligado ao agronegócio (alimentação, logística, tecnologia), 2025 mostrou que o setor está em expansão e aberto a inovações.
## Conclusão
O recorde de exportação de carne bovina em 2025 mostra a força e a resiliência do agronegócio brasileiro. Mesmo diante de barreiras tarifárias, o país soube se adaptar, diversificar mercados e manter o ritmo de crescimento. Para nós, que vivemos de carne no dia a dia, isso significa mais qualidade, mais opções e, quem sabe, preços mais estáveis no futuro. Fique de olho nas próximas movimentações – o Brasil ainda tem muito a oferecer ao mundo e ao nosso prato.



