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Crise dos chips de RAM: Por que seu próximo smartphone pode custar mais e como se preparar

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Crise dos chips de RAM: Por que seu próximo smartphone pode custar mais e como se preparar

Se você já percebeu que os preços de smartphones, notebooks ou até de televisores subiram nos últimos meses, pode estar sentindo os efeitos da chamada crise dos chips de memória RAM. Não é só impressão: a escassez global desse componente essencial está forçando fabricantes – inclusive a gigante Samsung – a repensar preços, especificações e estratégias de produção.



Entendendo a memória RAM

RAM (Random Access Memory) é a memória de curto prazo dos nossos dispositivos. Quando você abre um aplicativo, joga um videogame ou assiste a um vídeo, os dados que o aparelho precisa imediatamente são carregados na RAM. Quando o dispositivo desliga, tudo que estava na RAM desaparece.

Quanto maior a quantidade de RAM, mais tarefas o aparelho consegue executar ao mesmo tempo sem travar. Um celular com 12 GB de RAM, por exemplo, lida melhor com multitarefas que um de 3 GB. Mas a RAM não é só para celulares e computadores – ela também está presente em smart TVs, tablets, consoles, relógios inteligentes, aspiradores‑robô, carros e até impressoras.



Por que a escassez começou?

A origem da crise está ligada ao boom da inteligência artificial (IA). Empresas de tecnologia investiram pesado em chips de alta performance para data centers que treinam modelos de IA. Esses chips consomem grande parte da capacidade de produção de memória, deixando menos recursos para os módulos DDR4 e DDR5 usados em smartphones e notebooks.

Segundo Paulo Vizaco, diretor da Kingston no Brasil, as fabricantes priorizam memórias avançadas porque são mais lucrativas. Como resultado, a produção dos chips “mais velhos”, que ainda alimentam a maioria dos dispositivos de consumo, caiu drasticamente, reduzindo os estoques e elevando os preços.

Impactos visíveis no bolso do consumidor

Os números falam por si. Uma memória DDR4 de 16 GB da linha Corsair Vengeance RGB Pro custava cerca de R$ 650 em 10 de novembro. Em menos de duas semanas, o preço disparou para R$ 1.599 – um aumento de quase 150 %.

Com menos componentes disponíveis, as empresas têm duas opções: vender produtos com menos RAM ou repassar o custo ao consumidor. Na prática, isso significa que você pode encontrar celulares com 6 GB de RAM onde antes tinha 8 GB, ou pagar mais por um aparelho com a mesma quantidade de memória de antes.



Quem sente mais o aperto?

No Brasil, o efeito pode ser ainda maior devido ao câmbio, impostos e custos logísticos. Mauricio Helfer, diretor da Dell no país, alertou que setores de tecnologia e automotivo podem sentir impactos significativos a partir de 2026. Carros conectados, que dependem de sistemas avançados de infotainment, também usam RAM e podem ter seus preços inflacionados.

Além disso, a Samsung, maior fabricante mundial de TVs, já admitiu que o aumento de preços é “inevitável”. A empresa está trabalhando em parcerias de longo prazo para mitigar a crise, mas não promete que os consumidores escaparão dos reajustes.

O que fazer para não ser surpreendido?

  • Planeje a compra: Se puder esperar, acompanhe a variação de preços ao longo de alguns meses. Muitas lojas oferecem promoções sazonais que podem compensar parte do aumento.
  • Priorize a necessidade: Avalie se realmente precisa de 12 GB de RAM ou se 8 GB já atendem seu uso diário. Reduzir a especificação pode gerar economia.
  • Considere alternativas: Dispositivos com processadores que otimizam o uso de RAM (como os da linha Snapdragon 8 Gen 2) podem oferecer desempenho semelhante com menos memória.
  • Fique de olho nas marcas locais: Fabricantes como a Positivo ou a Xiaomi costumam lançar modelos com boa relação custo‑benefício, aproveitando estoques ainda disponíveis.

Perspectivas para o futuro

Especialistas acreditam que a escassez de memória RAM pode durar até o fim de 2027. A SK Hynix, uma das principais fornecedoras, já sinalizou que a produção limitada pode atrasar projetos de novos data centers. Enquanto isso, o mercado continuará a oscilar.

Para quem acompanha a tecnologia, a lição é clara: a cadeia de suprimentos global está cada vez mais interligada com tendências de IA e computação de alto desempenho. Quando uma parte desse ecossistema aperta, todos sentimos o efeito.

Em resumo, a crise dos chips de RAM não é apenas um problema técnico; é um fenômeno econômico que chega até a nossa carteira. Entender o que está por trás dos aumentos de preço ajuda a fazer escolhas mais conscientes e a não ser pego desprevenido na próxima promoção.