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Inflação dentro da meta? O que os preços que caíram e subiram em 2025 significam para o seu bolso

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Inflação dentro da meta? O que os preços que caíram e subiram em 2025 significam para o seu bolso

Quando o IBGE divulga o número fechado da inflação, a maioria de nós fica na expectativa de descobrir se o custo de vida vai aliviar ou apertar ainda mais. Em 2025, o IPCA acabou ficando dentro da meta do Banco Central, mas a história por trás dos números é cheia de nuances que vale a pena entender. Vou contar um pouco do que aconteceu, quais itens realmente ajudaram a reduzir a pressão nos nossos gastos e por que, mesmo com a inflação sob controle, ainda sentimos o peso no dia a dia.



Como chegamos à inflação dentro da meta?

No final de 2024, o clima econômico era de pessimismo. O dólar estava alto, as previsões de clima eram desfavoráveis e a atividade econômica mostrava sinais de superaquecimento. Muitos analistas temiam que o Banco Central não conseguisse frear a alta dos preços, sobretudo com a ameaça de políticas protecionistas nos Estados Unidos sob a nova administração de Donald Trump.

O primeiro Boletim Focus de 2025 apontava inflação perto de 4,99% e uma taxa de câmbio de R$ 6,00 até dezembro. Mas, como costuma acontecer, a realidade acabou surpreendendo.

Dois fatores principais foram decisivos: a melhoria nas safras brasileiras e a valorização do real frente ao dólar. Quando a produção agrícola supera as expectativas, o preço dos alimentos tende a cair, e isso tem efeito cascata sobre a cesta básica. Além disso, um real mais forte diminui o custo de importação de bens e serviços, reduzindo a pressão inflacionária.



Os preços que mais caíram em 2025

Um levantamento do FGV Ibre mostrou que metade dos 10 itens que mais ajudaram a conter a inflação são alimentos. Os números são impressionantes:

  • Laranja‑pera: queda de 27,21%
  • Batata‑inglesa: queda de 26,57%
  • Arroz: queda de 24,24%

Esses três produtos tiveram, em média, redução de 16,9% no período de janeiro a novembro, aliviando a cesta básica, sobretudo para famílias de menor renda, que gastam uma parcela maior do orçamento com alimentação.

Além dos alimentos, o segmento de bens duráveis – eletrodomésticos, móveis e eletrônicos – registrou recuo médio de 3,5%. Isso aconteceu porque a taxa de juros mais alta encareceu o crédito, diminuindo a demanda por produtos de maior valor e forçando as empresas a oferecer descontos para girar o estoque.



Os preços que mais subiram em 2025

Se por um lado alguns itens caíram, outros subiram de forma expressiva, puxando a inflação para cima. Os serviços livres foram os principais responsáveis:

  • Aluguel residencial
  • Refeição em restaurantes
  • Lanche
  • Ensino fundamental
  • Empregado doméstico
  • Condomínio

Esses seis itens representaram 15,8% do orçamento familiar e tiveram inflação média de 6,2% entre janeiro e novembro, bem acima da meta de 3% do Banco Central. O motivo? Um mercado de trabalho ainda aquecido, com taxa de desemprego em 5,2% – o menor nível desde 2012 – que mantém a demanda por serviços em alta.

Um caso à parte foi o café, que disparou 43,27% no mesmo período. O salto foi causado por um choque de oferta ligado a questões climáticas, safra e variação cambial, não por crédito interno.

Por que ainda sentimos o peso da inflação?

Mesmo com a desaceleração dos preços, a percepção de pressão no bolso persiste. Isso acontece porque, nos últimos cinco anos, os alimentos tiveram aumentos muito superiores à inflação geral. Como os salários são corrigidos pelo IPCA, o ganho real acabou estagnado ou até negativo para muitas famílias.

Em termos práticos, muitas pessoas tiveram que cortar gastos não essenciais para garantir a alimentação em casa. A queda dos preços de laranja‑pera, batata‑inglesa e arroz ajudou, mas não foi suficiente para compensar o histórico de alta dos alimentos.

O que esperar para 2026?

O próximo ano será eleitoral, e isso pode trazer medidas de transferência de renda ou estímulos fiscais que pressionem a inflação novamente. Além disso, fatores como clima, safra, taxa de câmbio e política de juros continuam como variáveis importantes.

Os especialistas são cautelosos, mas otimistas: se o Banco Central mantiver o compromisso com a meta, e se o clima favorecer boas colheitas, há chances de que a inflação se mantenha em torno de 4,5% em 2026, similar a 2025. Contudo, atenção redobrada ao mercado de trabalho aquecido e ao dólar ainda é necessária.

Em resumo, a boa notícia é que a inflação oficial ficou dentro da meta, graças à queda dos preços de alimentos e à valorização do real. A má notícia é que serviços essenciais – aluguel, educação, alimentação fora de casa – continuam caros e podem pesar mais no orçamento familiar nos próximos meses.

E você, já percebeu alguma mudança nos preços do seu dia a dia? Compartilhe nos comentários como a variação de alimentos e serviços tem impactado a sua rotina.