Se você acompanha a conta‑bancária ou tem investimentos, provavelmente percebeu que o dólar está mais barato que nunca neste ano. A moeda norte‑americana recuou 11,18% frente ao real em 2025, a maior queda em quase uma década. Mas o que realmente está por trás desse movimento? Neste post eu vou destrinchar os principais fatores – desde as tarifas de Trump até as decisões do Federal Reserve – e mostrar como isso afeta o seu bolso, a bolsa e a economia brasileira.
1. A política de tarifas de Donald Trump e o choque cambial
Quando Donald Trump voltou ao poder, o mercado esperava um início agressivo: aumento de tarifas, cortes de impostos e uma postura mais protecionista. Na prática, o presidente optou por uma abordagem mais cautelosa no primeiro trimestre, o que já começou a enfraquecer o dólar, que começou 2025 cotado a R$ 6,16.
Em abril, Trump anunciou um pacote de tarifas sobre vários parceiros comerciais. Por poucos dias o dólar chegou a se recuperar, mas a medida gerou muita incerteza. Investidores começaram a repensar suas posições em dólar, temendo que o comércio internacional fosse impactado negativamente.
Além disso, o aumento das tarifas estimulou o uso de hedge cambial. Empresas e fundos fecharam contratos para travar a taxa de câmbio, o que acabou drenando ainda mais dólares do mercado. Como explicou Leonel Mattos, da StoneX, “a volatilidade que o dólar teve incentivou muitos investidores a fazerem hedge. Isso acabou aumentando a perda do dólar”.
2. O papel do Federal Reserve (Fed) nas taxas de juros
Outro ponto crucial foi a política monetária dos EUA. No início de 2025, o mercado esperava cortes agressivos nas taxas de juros, mas o Fed só reduziu 0,25 ponto percentual em setembro. Até o fim do ano, a taxa básica dos EUA estava entre 3,50% e 3,75% ao ano – o nível mais baixo desde 2022.
Por que isso importa? Quando os juros americanos caem, os títulos do Tesouro (Treasuries) perdem atratividade. Investidores buscam alternativas com rendimentos maiores, como mercados emergentes. O Brasil, com sua taxa de juros real alta, acabou se beneficiando, atraindo capital estrangeiro e impulsionando tanto a bolsa quanto o real.
Bruno Shahini, da Nomad, resumiu bem: “A pressão econômica no mercado de trabalho dos EUA diminuiu o medo de inflação alta, permitindo cortes de juros que, por sua vez, favoreceram moedas emergentes.”
3. Por que o real ganhou força?
No Brasil, a combinação de juros altos e uma percepção mais estável das contas públicas ajudou a valorizar o real. O Banco Central, sob a liderança de Gabriel Galípolo, manteve a taxa Selic em patamares elevados – a maior taxa em 20 anos – o que atrai investidores em busca de retornos reais positivos.
Além disso, o governo tentou melhorar a credibilidade fiscal. O Prisma Fiscal, divulgado pela Secretaria de Política Econômica, mostrou uma projeção de arrecadação mais otimista e redução nas estimativas de despesa. Essa sinalização de responsabilidade fiscal reduziu a percepção de risco, favorecendo ainda mais o real.
Marcos Weigt, da Travelex, destaca: “O Brasil tem uma das maiores taxas de juros reais do mundo. Isso atrai recursos ou impede que saiam, sustentando a valorização do real.”
4. O que isso significa para você?
- Viagens ao exterior: com o dólar mais barato, a sua passagem aérea, hospedagem e despesas em moeda estrangeira ficam mais acessíveis.
- Importação de produtos: empresas que importam bens de consumo ou componentes industriais podem aproveitar a cotação mais baixa para reduzir custos.
- Investimentos: quem tem parte da carteira em dólares ou ativos norte‑americanos sente a desvalorização. Pode ser hora de reavaliar a alocação e considerar ativos em reais ou outras moedas emergentes.
- Bolsa de valores: o fluxo de capitais estrangeiros para o Brasil tende a subir, o que pode elevar o preço das ações, principalmente das que pagam dividendos atrativos.
5. Olhando para 2026: quais são as incógnitas?
O futuro do câmbio ainda depende de alguns fatores críticos:
- Política do Fed: o mandato de Jerome Powell termina em maio de 2026. Um novo presidente pode mudar a postura sobre juros, gerando volatilidade.
- Eleição nos EUA: as expectativas de gastos públicos e políticas fiscais influenciam a confiança dos investidores.
- Eleição no Brasil: o cenário político brasileiro pode mudar a percepção de risco fiscal. Se o próximo governo mantiver a agenda de superávit, o real pode continuar firme.
- Tarifas e comércio global: novos acordos ou retaliações comerciais podem alterar novamente o fluxo de capitais.
Em resumo, a queda do dólar em 2025 não foi um acidente isolado. Foi o resultado de decisões políticas nos EUA, ajustes de juros do Fed e um cenário interno brasileiro que favoreceu a moeda local. Para quem acompanha a economia ou tem dinheiro investido, entender esses movimentos ajuda a tomar decisões mais informadas e a aproveitar oportunidades.
E aí, como você pretende reagir a essa nova realidade cambial? Compartilhe nos comentários!



