A partir desta quinta‑feira (1º de fevereiro) o salário mínimo nacional subiu para R$ 1.621. Parece um número simples, mas por trás dele há cálculos, regras fiscais e, claro, impactos no dia a dia de quase 60 milhões de brasileiros. Neste post eu explico, de forma bem prática, como esse valor foi definido, o que muda para quem recebe o mínimo e quais são as reverberações na economia do país.
## Como funciona o salário mínimo?
A Constituição estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir as necessidades básicas de uma família: moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. Além disso, o valor tem que ser reajustado periodicamente para preservar o poder aquisitivo. Em termos simples, se a inflação sobe 10%, o salário mínimo também deve subir, pelo menos, 10%.
Mas a regra não para por aí. Nos últimos anos, o governo tem incluído um “ganho real” – um aumento acima da inflação – como forma de valorizar o trabalhador. Essa prática foi retomada pelo atual governo, que estabeleceu um teto de 2,5% para esse ganho real, em respeito ao arcabouço fiscal que controla o crescimento da dívida pública.
## De onde vem o número R$ 1.621?
O cálculo combina dois indicadores:
– **INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor)** – mede a inflação dos últimos 12 meses até novembro. Em 2023, esse índice foi de 4,18%.
– **Crescimento real do PIB** – a lei permite acrescentar até 2,5% (limite definido pelo teto de gastos).
Somando 4,18% + 2,5% chega a 6,68%, o que, aplicado sobre o piso anterior de R$ 1.518, gera o novo valor de R$ 1.621. O resultado é um aumento de 6,79% em relação ao salário mínimo de 2025.
Vale notar que o valor ficou abaixo do que estava previsto no Orçamento de 2026 (R$ 1.631) e também menor que a estimativa do governo no fim de novembro (R$ 1.627). A razão principal foi a inflação menor do que a esperada.
## Quem sente o efeito direto?
– **Trabalhadores formais** que recebem o piso ou múltiplos dele.
– **Benefícios vinculados**, como seguro‑desemprego, abono salarial e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
– **Aposentados** que recebem valores atrelados ao salário mínimo.
Segundo o Dieese, quase 60 milhões de pessoas dependem desse número, seja como salário ou como base de benefícios. Quando o piso sobe, esses valores também sobem automaticamente, aumentando o poder de compra de uma parcela significativa da população.
## Impactos na economia
### Aumento da despesa pública
Cada real a mais no salário mínimo gera um gasto extra de cerca de R$ 420 milhões para a União, porque benefícios previdenciários e outros pagamentos precisam ser ajustados. O salto de R$ 103 (de R$ 1.518 para R$ 1.621) representa, portanto, um acréscimo de aproximadamente R$ 43,2 bilhões nas despesas obrigatórias de 2026.
Esses recursos vêm tirados do que o governo chama de “gastos discricionários” – aquele dinheiro que poderia ser usado em investimentos, infraestrutura ou programas sociais adicionais. Em resumo, o aumento do piso pode limitar a margem de manobra do Estado em outras áreas.
### Efeito sobre o salário médio
Embora o custo direto pese no orçamento, o salário mínimo tem um efeito multiplicador. Ele eleva o salário médio nacional, impulsiona o consumo interno e pode gerar um ciclo de crescimento econômico, desde que a inflação seja controlada.
### Debate sobre a vinculação ao benefício previdenciário
Alguns economistas defendem que a ligação entre o BPC (e outros benefícios) e o salário mínimo deveria ser quebrada, permitindo que esses pagamentos sejam corrigidos apenas pela inflação. A ideia é reduzir o peso fiscal e evitar que aumentos acima da inflação no piso elevem demais os gastos sociais.
## O que isso significa para você?
– **Se você recebe o salário mínimo**, seu contracheque já está com o novo valor. Aproveite para revisar seu orçamento: a diferença de R$ 103 pode ser a margem que faltava para fechar as contas no fim do mês.
– **Se você recebe benefício vinculado**, como o BPC, o reajuste também já está em vigor. Isso pode melhorar a qualidade de vida, principalmente em itens essenciais como alimentação e saúde.
– **Se você é empregador**, prepare-se para ajustar a folha de pagamento e, possivelmente, rever políticas de benefícios. O aumento pode impactar custos operacionais, mas também pode melhorar o clima organizacional ao garantir salários mais justos.
## Olhando para o futuro
O próximo reajuste do salário mínimo está previsto para 2027, e a tendência é que a regra de ganho real continue limitada ao teto de 2,5%. Contudo, a inflação pode variar bastante, e o debate sobre a sustentabilidade fiscal continuará no centro das discussões políticas.
Enquanto isso, o que realmente importa para a maioria dos brasileiros é como esse número se traduz em poder de compra no cotidiano. Se a inflação permanecer controlada, o aumento acima da inflação pode representar um alívio real. Caso contrário, o ganho pode ser apenas nominal.
**Dica prática:** faça uma lista dos seus gastos fixos e veja onde os R$ 103 adicionais podem ser melhor aplicados – seja quitando dívidas, reforçando a reserva de emergência ou investindo em algo que traga retorno.
Acompanhe as notícias, pois mudanças no salário mínimo costumam abrir espaço para discussões sobre política salarial, direitos trabalhistas e equilíbrio fiscal. E, claro, continue revisitando seu planejamento financeiro para tirar o melhor proveito de cada ajuste.
—
*Este artigo foi escrito de forma descontraída, mas com base em dados oficiais. Se você tem dúvidas específicas sobre como o novo salário mínimo afeta seu caso, vale conversar com um contador ou especialista em finanças pessoais.*



