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PicPay abre capital nos EUA: o que isso significa para você e para o futuro das fintechs brasileiras

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PicPay abre capital nos EUA: o que isso significa para você e para o futuro das fintechs brasileiras

Na última segunda‑feira (5), a PicPay, a fintech que nasceu em São Paulo e hoje tem mais de 42 milhões de usuários ativos, deu um passo gigantesco: enviou ao regulador americano um pedido formal de abertura de capital (IPO) na Nasdaq. A notícia já circula pelos grupos de WhatsApp, fóruns de investidores e, claro, pelos corredores das startups de tecnologia. Mas, além do alvoroço, o que realmente muda na prática para quem usa o app, para quem pensa em investir e para o ecossistema de pagamentos no Brasil?



Um panorama rápido: quem é a PicPay?

Fundada em 2016, a PicPay começou como um simples aplicativo de pagamento por QR Code e, em poucos anos, se transformou numa plataforma completa: conta digital, cartão de crédito, empréstimos, cashback e até um marketplace de serviços. Hoje, a empresa registra receita de R$ 7,26 bilhões nos últimos nove meses – quase o dobro do que arrecadou em 2024 – e lucro de R$ 313,8 milhões, números que deixam claro que o modelo está funcionando.

Mas não é só a conta bancária que impressiona. O volume total de pagamentos (TPV) chegou a R$ 392,46 bilhões no mesmo período, um salto de 32 % em relação ao ano anterior. Ou seja, a PicPay está processando quase R$ 400 bilhões em transações, algo que a coloca entre as maiores plataformas de pagamento do país.

Por que abrir capital nos Estados Unidos?

Você pode se perguntar: por que não listar na B3, a bolsa brasileira? A resposta tem a ver com três fatores principais.

  • Visibilidade internacional: A Nasdaq é o lar de gigantes como Apple, Amazon e, claro, inúmeras fintechs. Estar lá dá à PicPay um selo de credibilidade que abre portas para parcerias globais.
  • Acesso a capital mais barato: Investidores norte‑americanos costumam ter maior apetite por risco em tecnologia, o que pode traduzir avaliações mais altas e, consequentemente, menos diluição para os fundadores.
  • Estratégia de expansão: A empresa já tem planos de crescer fora do Brasil, seja oferecendo serviços de remessa internacional ou lançando novos produtos. Um IPO nos EUA facilita a captação de recursos para esses projetos.

Vale lembrar que a PicPay já tentou abrir capital em 2021, mas desistiu por causa das condições de mercado desfavoráveis. Agora, com o mercado de IPOs nos EUA ganhando fôlego novamente em 2025, a hora parece mais propícia.



O que os números realmente dizem?

Os indicadores financeiros da PicPay são impressionantes, mas vale destrinchar um pouco para entender o que isso significa no dia a dia.

  • Lucro de R$ 313,8 milhões: Um salto de quase 83 % em relação ao mesmo período do ano passado. Esse lucro vem principalmente da margem maior nas transações e do crescimento do volume de pagamentos.
  • Receita média por cliente ativo: De R$ 38,10 para R$ 65,40 por trimestre. Isso mostra que os usuários estão usando o app com mais frequência – seja pagando contas, enviando dinheiro ou fazendo compras online.
  • Custo de atendimento: Subiu de R$ 16,80 para R$ 17,80, mas ainda está bem abaixo da receita por cliente, indicando boa eficiência operacional.

Em termos práticos, se você já usa a PicPay para pagar o boleto da luz ou dividir a conta do bar com os amigos, esses números explicam por que o app tem lançado mais recursos, como o cartão de crédito com programa de pontos e a função de investimento direto no app.

Como o IPO pode impactar o usuário comum?

Para quem não é investidor, a abertura de capital pode parecer algo distante. Ainda assim, há alguns efeitos colaterais que vale a pena ficar de olho.

  1. Mais recursos para inovação: O dinheiro arrecadado será usado para capital de giro, despesas operacionais e investimentos em tecnologia. Isso pode significar lançamentos mais rápidos de novos recursos, como pagamentos por NFC, integração com criptomoedas ou melhorias na segurança.
  2. Possibilidade de recompra de ações: Caso a empresa decida abrir um programa de compra de ações dos próprios funcionários ou usuários, você pode ter a chance de adquirir “ações da PicPay” de forma indireta, como acontece em alguns programas de stock options.
  3. Transparência maior: Empresas listadas em bolsa são obrigadas a divulgar relatórios trimestrais detalhados. Isso traz mais clareza sobre a saúde financeira da PicPay, o que pode aumentar a confiança dos consumidores.

Em resumo, se a PicPay continuar crescendo no ritmo atual, o usuário final tende a ganhar um app mais estável, com menos bugs e mais funcionalidades.



Riscos e desafios: o que pode dar errado?

Nem tudo são flores. Um IPO nos EUA também traz alguns desafios que vale considerar.

  • Pressão dos acionistas: Investidores estrangeiros costumam exigir crescimento rápido e margens cada vez maiores. Isso pode levar a decisões de curto prazo que nem sempre são as melhores para o usuário.
  • Regulamentação mais rígida: A SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) tem regras bem estritas sobre governança corporativa, relatórios financeiros e proteção ao investidor. A PicPay terá que adaptar seus processos internos, o que pode gerar custos adicionais.
  • Volatilidade do mercado: O mercado de IPOs ainda está sujeito a oscilações, como vimos nas últimas quedas das ações de IA e nas incertezas políticas nos EUA. Uma estreia turbulenta na Nasdaq pode impactar a imagem da empresa.

Para quem pensa em comprar ações da PicPay, o conselho clássico vale: diversifique, entenda o modelo de negócios e acompanhe de perto os relatórios trimestrais.

O cenário global de fintechs e IPOs

Não é coincidência que a PicPay esteja chegando na Nasdaq num momento em que outras fintechs ao redor do mundo também buscam capital público. Entre os nomes que já anunciaram intenção de abrir capital estão:

  • Revolut (Reino Unido): O neobanco que oferece contas em múltiplas moedas, criptomoedas e seguros.
  • Kraken (Estados Unidos): Uma das maiores exchanges de criptomoedas, que tem atraído investidores institucionais.
  • PayPay (Japão): O aplicativo de pagamentos que domina o mercado de QR Code no país do sol nascente.

Esses movimentos sinalizam que o mercado de capitais está se tornando um ponto de encontro para a nova geração de empresas digitais. A competição por recursos vai intensificar, mas também vai acelerar a inovação – e quem se beneficia são os consumidores.

Como participar desse movimento?

Se você tem interesse em investir na PicPay ou em outras fintechs, aqui vão algumas dicas práticas.

  1. Abra uma conta em corretora internacional: Para comprar ações listadas na Nasdaq, você precisará de uma corretora que ofereça acesso ao mercado americano. Muitas delas têm plataformas simples, com taxas competitivas.
  2. Estude os relatórios: Quando a PicPay publicar seu prospecto (S‑1), leia atentamente as projeções de receita, a estrutura de custos e os riscos apontados.
  3. Considere fundos de tecnologia: Se a ideia de escolher ações individuais parece arriscada, fundos que focam em tecnologia ou fintechs podem ser uma alternativa.
  4. Fique de olho nas notícias: O mercado de IPOs é volátil. Notícias sobre regulações, mudanças de taxa de juros ou eventos geopolíticos podem mover o preço das ações rapidamente.

Mas lembre‑se: investimento em ações envolve risco de perda de capital. Avalie seu perfil antes de decidir.

O futuro da PicPay e das fintechs brasileiras

Ao abrir capital nos EUA, a PicPay está sinalizando que pretende ser mais que um player local. Ela quer se posicionar como uma referência global de pagamentos digitais. Se conseguir usar o capital levantado para melhorar sua tecnologia, expandir internacionalmente e manter a base de usuários engajada, o caminho pode ser muito promissor.

Para o ecossistema brasileiro, o caso da PicPay pode abrir portas. Um IPO bem‑sucedido demonstra que o mercado internacional está disposto a apostar em empresas brasileiras de tecnologia, o que pode inspirar outras startups a buscar financiamento fora do país. Isso, por sua vez, pode atrair mais capital de risco, talentos e parcerias estratégicas.

Em última análise, a história da PicPay ainda está sendo escrita. Mas, como alguém que acompanha o mundo das fintechs há alguns anos, vejo esse momento como um marco importante – não só para a empresa, mas para todo o setor de pagamentos no Brasil.

E você, já usava a PicPay antes da notícia? Como acha que a abertura de capital pode mudar a sua experiência? Compartilhe nos comentários, vamos conversar!