Na manhã desta quinta‑feira (1º de fevereiro) o salário mínimo nacional passou a valer R$ 1.621. Para quem recebe o piso ou tem benefícios atrelados a ele – como seguro‑desemprego, BPC ou abono salarial – isso significa um aumento de R$ 103 no pagamento. Mas, além da conta bancária, o novo valor tem reflexos em várias áreas da economia e nas contas públicas.
Como o salário mínimo é calculado?
A Constituição exige que o piso seja reajustado, no mínimo, pela inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). No ciclo anterior, a inflação acumulada em 12 meses até novembro foi de 4,18%.
Nos últimos anos, o governo Lula introduziu um mecanismo que permite um ganho real adicional, limitado a 2,5% pelo teto de gastos do arcabouço fiscal. Assim, o cálculo deste ano considerou 4,18% (inflação) + 2,5% (ganho real), resultando em um aumento total de 6,79% sobre o piso de R$ 1.518.
Quem sente o impacto?
O salário mínimo serve de referência para quase 60 milhões de brasileiros, segundo o Dieese. Além dos trabalhadores formais que recebem exatamente o piso, ele define o valor de aposentadorias, benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro‑desemprego e o abono salarial.
Para uma família de quatro pessoas, o Dieese estima que o custo de vida mínimo em novembro era de R$ 7.067,18 – ou seja, quase quatro vezes o salário mínimo. Isso mostra a distância entre o valor oficial do piso e o que seria realmente necessário para cobrir todas as despesas básicas.
Impacto nas contas públicas
Todo aumento do salário mínimo gera um efeito cascata nos gastos obrigatórios do governo. Cada real a mais no piso cria, em 2026, cerca de R$ 420 milhões em despesas adicionais, porque benefícios previdenciários, seguro‑desemprego e abono salarial precisam ser ajustados.
Com o acréscimo de R$ 103, estima‑se que o gasto extra totalizará aproximadamente R$ 43,2 bilhões. Esse valor compete com a parte “discricionária” do orçamento, ou seja, recursos que poderiam ser usados em investimentos, saúde, educação e outras políticas públicas.
O que muda no dia a dia?
- Renda direta: quem ganha o piso recebe R$ 103 a mais por mês, o que pode representar um alívio nas contas de alimentação, transporte ou vestuário.
- Benefícios vinculados: o BPC, o seguro‑desemprego e o abono salarial também sobem, beneficiando quem não tem renda formal.
- Salário médio: o aumento do piso eleva o salário médio nacional, já que muitas empresas ajustam salários de forma proporcional.
- Consumo: mais dinheiro nas mãos de milhões de pessoas pode gerar um leve impulso no consumo interno, especialmente em setores de bens de primeira necessidade.
Prós e contras do aumento
Prós: O poder de compra dos trabalhadores de baixa renda é preservado. O aumento pode reduzir a desigualdade e estimular a demanda interna, que é um motor importante da economia brasileira.
Contras: O custo para o governo aumenta significativamente, pressionando o orçamento e limitando recursos para outras áreas. Além disso, se o aumento não acompanhar a real necessidade de consumo (como indica o cálculo do Dieese), o benefício pode ser apenas simbólico.
O que esperar para os próximos anos?
A regra que limita o ganho real a 2,5% deve permanecer enquanto o teto de gastos estiver em vigor. Se a inflação subir ou a economia desacelerar, o governo pode precisar ajustar a fórmula novamente. Também há discussões entre economistas sobre desvincular benefícios previdenciários do salário mínimo, corrigindo‑os apenas pela inflação para conter o crescimento da dívida pública.
Enquanto isso, a população que depende do piso deve observar como o aumento se traduz em poder de compra real. Vale a pena analisar o preço dos itens essenciais, comparar com a inflação dos últimos meses e ajustar o planejamento financeiro.
Dicas práticas para quem recebe o salário mínimo
- Reavalie seu orçamento: com R$ 103 a mais, veja onde pode economizar ou investir, como em um fundo de emergência.
- Aproveite os benefícios: verifique se você tem direito ao BPC, seguro‑desemprego ou abono salarial e como eles foram reajustados.
- Planeje compras maiores: o aumento pode ser a oportunidade de parcelar ou antecipar despesas que estavam sendo postergadas.
- Fique de olho nas notícias: mudanças na política fiscal podem alterar futuros reajustes.
Em resumo, o novo salário mínimo de R$ 1.621 traz um alívio imediato para quem ganha o piso, mas também aumenta a pressão sobre as contas públicas. O desafio é equilibrar a necessidade de garantir poder de compra aos trabalhadores mais vulneráveis com a sustentabilidade fiscal do país.



