O início de 2026 chegou com boas notícias para quem acompanha a cotação do dólar: a moeda recuou 1,18% e fechou o primeiro pregão do ano em R$ 5,42. Parece simples, mas esse movimento tem várias camadas que afetam desde o preço da carne até o rendimento da sua carteira de investimentos.
Por que o dólar está caindo?
Nos últimos dias de 2025, o dólar já havia perdido mais de 10% em relação ao real – o pior desempenho anual em quase uma década. Essa desvalorização prolongada tem origem em três fatores principais:
- Política monetária dos EUA: O Federal Reserve (Fed) ainda mantém a taxa de juros em patamares elevados, mas o mercado espera cortes ainda este ano. Se o Fed começar a baixar os juros, o dólar tende a perder força.
- Demanda chinesa por commodities: A China limitou as importações de carne bovina, mas manteve a meta de crescimento de 5% para 2025, o que aumenta a necessidade de minério de ferro e outros insumos que o Brasil exporta. Isso reforça o real.
- Fluxo de capitais: Investidores globais estão redistribuindo recursos, buscando ativos de risco em mercados emergentes como o Brasil, que oferece retornos atrativos frente a juros altos nos EUA.
Impacto direto no consumidor brasileiro
Para quem faz compras online, importa produtos ou viaja ao exterior, a queda do dólar traz alívio imediato. O preço de eletrônicos, roupas importadas e até passagens aéreas tende a ficar mais barato. No entanto, a situação não é totalmente positiva:
- Carne bovina: A tarifa de 12% sobre as primeiras 2,7 milhões de toneladas importadas pela China pode elevar os custos de produção no Brasil, já que grande parte da carne exportada vai para o mercado chinês. Isso pode refletir em preços mais altos nas prateleiras domésticas.
- Inflação importada: Mesmo com o dólar em baixa, a alta dos preços de commodities como petróleo pode pressionar a inflação.
Bolsa de valores: Ibovespa em queda moderada
O Ibovespa fechou o dia em 160.539 pontos, recuando 0,36%. Apesar da queda, o índice ainda carrega o ganho acumulado de 33% em 2025 – o melhor desempenho anual desde 2016. Essa resiliência se deve, principalmente, à força dos setores de mineração, energia e bancos, que se beneficiam da demanda chinesa e da política interna de juros.
Para o investidor de varejo, isso significa duas coisas:
- Oportunidade de comprar ações que caíram um pouco, mas que têm fundamentos sólidos.
- Necessidade de diversificar, já que a volatilidade pode aumentar com a divulgação de dados econômicos dos EUA (payroll) e as decisões do Fed.
O que esperar da agenda internacional
Na próxima semana, os olhos estarão no relatório de empregos dos EUA (payroll). Um número acima do esperado pode fazer o Fed adiar cortes de juros, pressionando novamente o dólar. Por outro lado, se o mercado de trabalho mostrar fraqueza, a expectativa de redução de juros pode reforçar a queda do dólar.
Além disso, a escolha do próximo presidente do Fed será decisiva. O atual mandatário, Jerome Powell, deixará o cargo em maio, e nomes como Kevin Hassett são apontados como favoritos. A postura do novo presidente influenciará diretamente a política monetária americana e, consequentemente, a cotação do real.
Mercados globais em perspectiva
Mesmo com volume de negócios reduzido devido aos feriados de Ano Novo, as bolsas ao redor do mundo começaram 2026 em alta. Nos EUA, o Dow Jones subiu 0,67%, enquanto o S&P 500 avançou modestamente. Na Europa, o STOXX 600 ganhou 0,7%, impulsionado por setores de defesa, bancos e energia. Na Ásia, o Hang Seng de Hong Kong registrou forte alta graças ao entusiasmo em torno da inteligência artificial.
Esses movimentos mostram que o cenário global ainda está em busca de direção: juros, política fiscal e tensões geopolíticas são os principais motores.
O ouro como porto seguro
O metal precioso continuou sua trajetória de alta, subindo mais de 1% no primeiro pregão do ano. Em 2025, o ouro registrou a maior valorização em 46 anos, refletindo a busca por proteção contra a fraqueza do dólar e a instabilidade global. Para quem pensa em proteger patrimônio, o ouro pode ser uma alternativa interessante, seja via fundos, ETFs ou compra física.
Como você pode se preparar?
1. Reveja seus investimentos: Se tem exposição ao dólar (fundos cambiais, ações de empresas exportadoras), avalie se a queda recente pode ser um bom momento para ajustar a posição.
2. Fique de olho nas tarifas de importação: O aumento da taxa sobre carne exportada para a China pode impactar o preço interno. Considere alternativas de consumo ou ajuste no orçamento.
3. Proteja seu poder de compra: Diversifique parte da carteira em ativos de refúgio, como ouro ou títulos atrelados à inflação.
4. Acompanhe o calendário econômico: Relatórios de emprego dos EUA, decisões do Fed e indicadores de inflação chinesa são fundamentais para entender os próximos passos do dólar.
Em resumo, a queda do dólar no primeiro dia útil de 2026 traz alívio, mas também abre espaço para novas dinâmicas de mercado. Manter-se informado e ajustar estratégias de acordo com os sinais econômicos pode fazer toda a diferença no seu planejamento financeiro.



